domingo, 17 de maio de 2026

Paulo Falava de Si Mesmo: A Falsa Humildade que Odeia a Bíblia

 

Por Yuri Schein 

Paulo, o maior apóstolo da igreja cristã, não tinha pudor em falar de si mesmo. Ele declarou sem rodeios:

“Trabalhei muito mais do que todos eles” (1 Coríntios 15:10).  

“Fui constituído pregador, apóstolo e mestre dos gentios” (2 Timóteo 1:11).  

“Eu, Paulo, vos rogo pela mansidão e benignidade de Cristo, eu que sou humilde quando presente entre vós, mas ousado quando ausente” (2 Coríntios 10:1).

Ele falava de seu trabalho, de sua autoridade, de sua doutrina, de suas revelações e até de suas fraquezas. E fazia isso com frequência.

Quem não conhece a Bíblia, ou conhece muito pouco, logo reage com a piedade barata do século XXI: “Isso é soberba. Cristão não deve falar de si mesmo. Tem que ser humilde”. Essa gente imagina que humildade é invisibilidade total, silêncio sobre qualquer realização e autoflagelação constante. Para eles, Paulo seria um orgulhoso insuportável.

Mas a verdade é o contrário.

A falsa humildade moderna não é fruto da Escritura. É fruto de uma cultura sentimental que transformou o cristianismo em terapia de autoajuda disfarçada de espiritualidade. Nela, qualquer homem que reconhece o que Deus fez através dele é imediatamente acusado de arrogância. Enquanto isso, o mesmo pessoal que condena Paulo elogia abertamente influencers, pastores celebridade e livros de “meu ministério de sucesso”.

Paulo não falava de si por vaidade. Ele falava porque sua vida e seu ministério eram provas vivas da graça soberana de Deus. Quando dizia “trabalhei mais que todos”, completava imediatamente: “não eu, mas a graça de Deus comigo”. Sua ousadia em falar de si mesmo não era exaltação do eu autônomo, mas exaltação da graça que o tomou e o usou poderosamente.

A Escritura não condena o homem de Deus de falar da obra que Deus realizou nele. Pelo contrário, a Bíblia está cheia de servos que declaravam sua vocação, suas lutas e suas vitórias: Moisés, Davi, Elias, Neemias, os profetas, o próprio Senhor Jesus que testificava de Si mesmo. A humildade bíblica não é negar a realidade. É reconhecer que tudo vem de Deus, sem cair no outro extremo da falsa modéstia que paralisa o testemunho.

A teologia da ação divina nos ajuda a entender isso com clareza. Se Deus é a única causa real, então quando um homem fala do que Deus operou através dele, ele não está roubando glória — está testemunhando da soberania e da graça daquele que age em todos os Seus eleitos.

Quem lê a Bíblia com honestidade percebe que o problema não está em Paulo falar de si. O problema está no coração moderno, que acha que humildade é desaparecer e nunca reconhecer o que Deus fez. Essa “humildade” não passa de orgulho invertido: orgulho de parecer mais espiritual que Paulo.

Que o Senhor nos livre dessa piedade falsa e nos dê homens que, como Paulo, sejam ousados em declarar o que Cristo fez neles, sempre apontando para a graça soberana como única explicação.

O axioma é a Escritura. Não o sentimento moderno de falsa humildade.

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Teologia da Ação Divina: Deus é o Único que Realmente Age

 

Por Yuri Schein 

A maioria dos cristãos professa crer na soberania de Deus, mas na prática vive como se Ele fosse apenas um espectador poderoso que de vez em quando interfere no mundo. Essa visão fraca e comprometida precisa ser destruída. A teologia da ação divina, ou ocasionalismo cristão, afirma algo muito mais radical e bíblico: Deus é a única causa real de todas as coisas. Tudo o mais são meras ocasiões em que Ele atua diretamente.

Desde a criação, a Escritura apresenta um Deus que não delega poder causal independente às criaturas. Ele não criou um universo que funciona sozinho e depois fica observando. “Nele vivemos, nos movemos e existimos” (Atos 17:28). Ele sustenta todas as coisas pela palavra do Seu poder (Hebreus 1:3). Não existe uma única ação, um único pensamento, um único evento que escape de Sua causação direta.

Quando o vento sopra, quando o coração bate, quando um homem crê ou rejeita o evangelho, quando o sol nasce ou quando uma folha cai — em todos esses casos, Deus é a causa primária e única. As chamadas “causas secundárias” são apenas instrumentos ou ocasiões. Elas não possuem poder causal próprio. São como o martelo na mão do carpinteiro: o martelo não bate o prego, o carpinteiro bate usando o martelo.

Essa verdade destrói de uma vez o livre arbítrio libertariano. O homem nunca escolhe de forma autônoma. Ele escolhe segundo sua natureza, mas essa natureza, essa escolha e até o próprio ato de querer são sustentados e causados por Deus no momento exato. Não há espaço para uma vontade humana neutra ou independente. O ocasionalismo não torna o homem um robô. Ele revela que o homem é uma criatura totalmente dependente, cujo orgulho de autonomia é uma ilusão sustentada pelo próprio Deus.

Os que se escandalizam com isso geralmente têm um conceito pequeno de Deus e um conceito grande demais do homem. Preferem um Deus que tenta salvar a todos e falha quando o homem resiste, em vez de um Deus que faz todas as coisas conforme o conselho da Sua vontade (Efésios 1:11). Preferem um universo onde o homem é co-ator, em vez de um universo onde só há um Ator real.

A teologia da ação divina não é especulação filosófica. É a consequência lógica e inescapável de tomar a Escritura como axioma último. Se Deus é soberano de verdade, Ele não pode ser soberano apenas “em última instância”. Ele deve ser soberano em cada instante, em cada partícula, em cada pensamento e em cada decisão.

O cristão leigo que entende isso ganha um descanso profundo. Sua salvação não depende da fragilidade da sua vontade. Sua santificação não depende do seu esforço autônomo. Até mesmo sua fé mais sincera é dom de Deus, causado por Ele. Tudo é dEle, por Ele e para Ele.

Que o Senhor levante uma geração que pare de negociar com a autonomia humana e abrace sem vergonha a teologia da ação divina. Deus não divide Sua glória com ninguém — nem com a suposta “livre vontade” da criatura.

A Escritura é o axioma. Tudo o mais deve se curvar diante dela.

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O Livre Arbítrio Libertariano: O Ídolo que Destrói a Soberania de Deus

 

Por Yuri Schein 

Muitos cristãos hoje falam de Deus com a boca, mas no fundo do coração ainda querem salvar um pedaço de autonomia para o homem. O nome mais comum desse ídolo é “livre arbítrio libertariano” — a ideia de que o homem possui uma vontade neutra, capaz de escolher entre o bem e o mal sem determinação divina, como se fosse um pequeno deus decidindo seu próprio destino.

Essa doutrina não é um detalhe teológico. Ela é o câncer que corrompe praticamente todo o evangelicalismo moderno. Se o homem tem o poder final de decidir aceitar ou rejeitar a Cristo, então no fundo é o homem quem salva a si mesmo. Deus apenas oferece. Isso transforma a salvação em uma negociação, e não em um ato soberano de misericórdia sobre mortos espirituais.

A Escritura é cristalina desde o princípio. Em Gênesis 6:5, antes do dilúvio, “era continuamente mau todo desígnio do coração do homem”. Depois da queda, o homem não ficou ferido na vontade — ele morreu espiritualmente. Sua vontade continua livre, mas livre apenas para pecar, de acordo com sua nova natureza. Ninguém é coagido a pecar. O homem peca porque quer, com prazer, e Deus decreta e sustenta até mesmo essa vontade rebelde.

Paulo não deixa margem para dúvida: “Não há quem busque a Deus” (Romanos 3:11). “O homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus” (1 Coríntios 2:14). O coração do homem não é uma balança neutra. É uma balança quebrada que sempre pende para o mal, até que Deus, por soberania absoluta, regenere o homem e lhe dê um novo coração.

O ocasionalismo torna isso ainda mais claro. Deus não é um mero influenciador que espera a decisão humana. Ele é a única causa real. Todo pensamento, toda inclinação, toda escolha — até a fé salvadora — é sustentada e causada por Ele no momento exato. O homem age de acordo com sua natureza, mas essa natureza e cada ato dela estão inteiramente sob o decreto divino. Não existe espaço para uma vontade humana que escape do controle de Deus.

O livre arbítrio libertariano é, na prática, ateísmo disfarçado de piedade. Ele rouba a glória da graça soberana e entrega ao homem o troféu final da salvação. Por isso é tão popular: lisonjeia o orgulho humano. Por isso também é combatido com fúria por todos os que realmente creram na Escritura como axioma último.

O cristão leigo precisa escolher de que lado está. Ou Deus é soberano sobre todas as coisas, inclusive sobre a vontade do homem, ou o homem é soberano sobre sua própria salvação. Não existe meio termo coerente. A teologia arminiana, o molinismo e todas as suas variações modernas são tentativas desesperadas de salvar a dignidade do homem às custas da glória de Deus.

A verdadeira liberdade não está em uma vontade neutra e imaginária. A verdadeira liberdade está em ser liberto da escravidão do pecado pela graça irresistível de Deus e poder querer o que é bom porque agora temos uma nova natureza.

Que o Senhor destrua esse ídolo dentro de Suas igrejas e nos faça ver que até mesmo nossa fé mais sincera foi obra dEle, do princípio ao fim.

O axioma é a Escritura. Não o sentimento, não a tradição, não o desejo de parecer mais humano. Deus não divide Sua glória com ninguém — nem mesmo com a “livre escolha” do homem.

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Casamento na Nova Terra: A Redenção Não Castrará a Criação

 

Por Yuri Schein 

Muitos cristãos imaginam a eternidade como um grande mosteiro assexuado, onde todos flutuam como anjos sem corpo, sem desejo e sem vida conjugal. Essa visão não vem da Escritura. Vem de um pietismo sentimental que tem medo da boa criação de Deus. Vamos pensar com honestidade bíblica.

Desde o princípio, em Gênesis 1:27-28, antes da queda, Deus criou o homem e a mulher à Sua imagem e ordenou: frutificai, multiplicai-vos, enchei a terra. A sexualidade, o casamento e a procriação não são efeitos colaterais do pecado. São parte do que Deus declarou “muito bom”. O Éden não era um lugar de celibato. Era um jardim de intimidade, união e expansão santa da imagem de Deus.

A queda trouxe morte, dor e maldição sobre o casamento, mas a redenção não vem para destruir o que Deus chamou de bom. Ela vem para restaurar e glorificar. A ressurreição de Cristo não foi uma vitória parcial. Foi a derrota total da morte. Quando o crente ressuscitar com corpo glorificado, ele não será transformado em anjo estéril. Ele será homem ou mulher restaurado, em plena humanidade redimida.

Quando Jesus respondeu aos saduceus em Mateus 22, Ele falou do estado intermediário: “na ressurreição nem casam nem se dão em casamento, mas são como os anjos no céu”. Sem corpo físico, não há casamento terreno. Mas o estado final não é o intermediário. A nova criação traz corpos gloriosos, uma terra renovada e a plena restauração do Éden — só que maior.

A morte dissolve o vínculo matrimonial (Romanos 7:2-3). Na eternidade, com a morte vencida, nada impede que Deus permita novas uniões ou a continuação ampliada da bênção conjugal. O mandamento de Gênesis 1 permanece: multiplicar e encher a criação com a glória refletida de Deus. A nova terra não será menor que o Éden. Será infinitamente superior. Por que Deus criaria corpos sexuados perfeitos apenas para eternamente ignorá-los?

Quem aceita a soberania absoluta e o ocasionalismo entende: Deus decreta todas as coisas. Se Ele planejou desde o princípio que Sua imagem se multiplicasse, a cruz não veio para cancelar esse plano, mas para purificá-lo e expandi-lo sem pecado, sem ciúme, sem dor e sem morte. A eternidade será marcada pela contínua expansão da raça redimida em famílias santas, enchendo os novos céus e a nova terra com a glória de Deus.

A teologia moderna que transforma o céu em um celibato eterno rouba da ressurreição sua grandeza. Ela prefere um paraíso angelical a aceitar que Deus ama Sua criação material e que a redenção a aperfeiçoa, em vez de anulá-la. O romantismo ocidental que fez da monogamia um ídolo eterno também cai por terra. O padrão criacional é claro, mas a morte não tem a última palavra sobre o que Deus pode fazer na nova criação.

O cristão leigo deve abandonar a escatologia mutilada que lhe venderam. Deus não é menor que Suas próprias palavras em Gênesis. Ele restaurará plenamente o que declarou muito bom.

A Escritura é o axioma. Não o pietismo, não o romantismo, não o medo da sexualidade santificada. Na nova terra haverá vida plena, e parte dessa plenitude será a bênção conjugal glorificada, livre de toda maldição.

Que o Senhor nos dê uma visão maior da redenção e nos livre de reduzir a eternidade ao tamanho de nossa imaginação limitada.

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Casamento e Procriação na Eternidade: A Base Inabalável em Gênesis

 

Por Yuri Schein 

A teologia evangélica moderna transformou o céu em um estado angelical assexuado e sem vida, como se a redenção fosse uma grande castração cósmica. Essa visão covarde e truncada desonra a revelação divina desde o princípio. A base de tudo está em Gênesis, e Gênesis não permite essa mutilação da boa criação.

Em Gênesis 1:27-28, antes da queda, antes do pecado, antes de qualquer maldição, Deus cria o homem e a mulher à Sua imagem e imediatamente lhes dá o mandamento: “Frutificai, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a”. A sexualidade, o casamento e a procriação não são resultados da queda. São parte da criação original declarada por Deus “muito boa” (Gênesis 1:31). Multiplicar descendência não era um plano B — era o propósito criacional explícito de Deus para a humanidade.

Em Gênesis 2, o Senhor institui o casamento: forma a mulher do homem, traz-a a ele, e estabelece o padrão “uma só carne”. Essa união inclui plena sexualidade e potencial reprodutivo. Adão e Eva viviam em perfeita comunhão conjugal, sem vergonha, com corpos funcionais e ordem de expansão. O Éden não era um mosteiro. Era um jardim de vida, intimidade e multiplicação santa.

A redenção não apaga Gênesis. Ela restaura e glorifica o que Deus declarou bom. A ressurreição não nos transforma em anjos eternos e estéreis. Ela nos devolve corpos perfeitos, libertos da maldição, em uma nova criação onde o mandamento original pode finalmente ser cumprido sem impedimento: frutificar e multiplicar para a glória de Deus por toda a eternidade.

Quando Jesus responde aos saduceus em Mateus 22, Ele fala do estado “como os anjos no céu” — o estado intermediário, sem corpo físico. Isso não anula Gênesis. Não cancela a boa criação. Não revoga o mandamento de multiplicar. A morte foi vencida na cruz e na ressurreição de Cristo. Aquele que ressuscita com corpo glorificado não está mais preso ao vínculo dissolvido pela morte (Romanos 7:2-3). Na nova terra, com a natureza edênica restaurada e aperfeiçoada, nada na Escritura impede que o homem redimido torne a se unir em aliança conjugal e gere descendência santa.

Deus não criou sexualidade, atração, união e procriação como algo temporário e inferior. Ele as criou como expressão de Sua imagem e como meio de encher a terra com Sua glória. A nova criação será maior que o Éden, não menor. Se no Éden havia casamento e procriação, na nova terra haverá algo ainda mais pleno, livre de pecado, ciúme e morte.

Quem nega isso está, na prática, dizendo que a redenção subtrai do que Deus chamou de “muito bom”. Isso é blasfêmia contra a bondade da criação e contra o poder da ressurreição. O ocasionalismo nos lembra: Deus decreta e sustenta cada detalhe. Se Ele planejou multiplicação desde Gênesis 1, e se a cruz removeu todos os efeitos da queda, então a eternidade será marcada pela contínua expansão da raça redimida em corpos gloriosos, enchendo os novos céus e a nova terra com a imagem de Deus refletida em famílias eternas.

O axioma é a Escritura inteira, começando em Gênesis. Não em tradições pietistas, nem em romantismo moderno, nem em uma escatologia angelical que rouba a glória da restauração plena.

Que o Senhor esmague essa teologia mutilada e nos faça ver a grandeza do que Ele preparou: uma eternidade de vida, não de esterilidade.

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Casamento Após a Ressurreição: A Morte Foi Vencida e o Éden Será Restaurado

 

Por Yuri Schein 

A teologia evangélica moderna, influenciada pelo romantismo sentimental e pelo medo de ofender a sensibilidade feminina contemporânea, insiste que o casamento acaba para sempre na morte e que na eternidade não haverá mais união conjugal. Essa visão é fraca, truncada e contraria a soberania absoluta de Deus sobre a criação e a redenção. Vamos à Escritura sem filtro.

Primeiro, a morte foi derrotada. A ressurreição de Cristo não foi uma mera “sobrevivência da alma”. Foi vitória total sobre a morte. Quem morre em Cristo já passou pela morte. O vínculo matrimonial terreno, que a morte dissolve, pode ser renovado ou reformado na nova criação, pois o poder da morte que antes o encerrava foi aniquilado. Aquele que ressuscita não carrega mais as limitações do corpo mortal pré-ressurreição da mesma forma.

Segundo, o texto clássico usado para enterrar o casamento eterno é mal lido. Quando os saduceus apresentam a mulher que se casou sucessivamente com sete irmãos (Mateus 22:23-33), Jesus responde: “Na ressurreição nem casam nem se dão em casamento, mas são como os anjos no céu”. Observe com atenção: Jesus menciona explicitamente o estado “como os anjos no céu”. Os anjos não têm corpos físicos como os nossos e não procriam. Esse ensino refere-se ao estado intermediário — quando o crente está ausente do corpo e presente com o Senhor (2 Coríntios 5:8) —, e não ao estado final da ressurreição corporal. No estado intermediário, sem corpo, não há casamento no sentido terreno. Mas isso não resolve o que acontece após a ressurreição do corpo.

Terceiro, e mais devastador: a ressurreição restaura e aperfeiçoa a criação original. O Éden não era um estado de assexualidade angelical. Adão e Eva foram criados com sexualidade plena, sistema reprodutivo ativo e ordem de “frutificai e multiplicai-vos” antes da queda. A redenção não anula a boa criação — ela a restaura e glorifica. A ressurreição nos devolve corpos perfeitos, libertos da maldição, mas não castrados. Se o sistema reprodutivo fosse abolido para sempre, a redenção seria uma subtração, não uma restauração maior que o Éden.

Portanto, na nova terra, com corpos glorificados, o homem redimido poderá unir-se novamente em aliança conjugal e procriar. A eternidade não será um eterno celibato angelical, mas uma multiplicação contínua e santa da raça redimida, enchendo a nova criação com a glória de Deus refletida em famílias piedosas eternas. A morte não tem a última palavra sobre o casamento, assim como não tem sobre a vida.

Os que gritam “heresia” revelam sua verdadeira pressuposição: preferem um paraíso assexuado e despojado da boa criação a aceitar que Deus pode restaurar plenamente tudo o que Ele mesmo declarou “muito bom”. O ocasionalismo nos ensina que Deus decreta e sustenta cada detalhe. Se Ele criou sexualidade, casamento e procriação como bens antes da queda, e se a redenção é maior que a criação original, então nada impede que, em glória, o homem fiel exerça novamente essa bênção — agora sem pecado, sem ciúme, sem morte e sem limitação.

Mateus 19 reforça o padrão criacional contra o divórcio, mas não anula a possibilidade de novas uniões na nova criação. A morte dissolve o vínculo terreno (Romanos 7:2-3), e a ressurreição abre caminho para o que Deus quiser na eternidade.

Que o Senhor destrua essa teologia truncada e angelical que rouba da nova criação a plenitude da bênção edênica restaurada. O axioma é a Escritura inteira, não a tradição pietista que transformou o céu em um mosteiro eterno.

Deus criará novos céus e nova terra — e neles haverá multiplicação da glória dEle através de Seus filhos em corpos gloriosos.

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Mateus 19: A Arma Preferida Contra a Poligamia e o Seu Real Alcance

 

Por Yuri Schein 

Muitos recorrem a Mateus 19 como se fosse o túmulo definitivo da poligamia masculina. “Jesus voltou ao padrão original de um homem e uma mulher!”, exclamam com ar de vitória. Mas essa leitura é superficial, sentimental e guiada mais pelo romantismo ocidental do que pela exegese escrituralista rigorosa. Vamos dissecar o texto com honestidade.

Os fariseus se aproximam de Jesus e perguntam: “É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?” (Mateus 19:3). O contexto é divórcio, não poligamia. Eles não perguntaram “um homem pode ter mais de uma esposa?”. Perguntaram sobre o direito de descartar a esposa por qualquer motivo — a mesma mentalidade liberal e destruidora que eles praticavam.

Jesus responde voltando à criação: “Não lestes que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher, e disse: Por isso deixará o homem pai e mãe, e se unirá à sua mulher, e serão os dois uma só carne?” (Mateus 19:4-5). Ele cita Gênesis 2:24. Depois conclui: “Assim, não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” (v.6).

Aqui está o ponto crucial que os opositores da poligamia mascaram: Jesus está restaurando a doutrina do casamento contra o divórcio fácil e frívolo. Ele está condenando a prática de trocar de esposa como quem troca de roupa. O foco é a permanência e a unidade de uma aliança conjugal que Deus uniu. Não há uma única palavra condenando o homem que, além da primeira esposa, toma outra sem repudiar a primeira.

Se Mateus 19 abolisse toda poligamia, Jesus teria dito algo como: “Desde o princípio foi um homem e somente uma mulher, e nunca mais que uma”. Ele não disse isso. Ele reforçou o ideal criacional contra a dissolução do vínculo. O padrão “uma só carne” fala da unidade exclusiva e permanente entre um homem e cada uma de suas esposas, não necessariamente da exclusividade numérica absoluta.

Observe ainda que Jesus, ao ser questionado sobre o divórcio, não aproveitou para atacar a poligamia que existia entre os judeus do primeiro século. Se ela fosse pecado grave, esse era o momento perfeito para condená-la publicamente. Ele não o fez. Em vez disso, permitiu que o argumento permanecesse no campo do divórcio.

Mais adiante, quando os discípulos se espantam com a dureza do ensino sobre divórcio e dizem “se assim é a condição do homem com a mulher, não convém casar”, Jesus não responde falando de poligamia como alternativa. Mas novamente, o silêncio aqui não é aprovação universal, mas demonstra que o tema do momento era outro.

A aplicação pressuposicional é clara: Mateus 19 destrói o divórcio sem causa bíblica e o adultério, mas não toca na poligamia masculina regulada do Antigo Testamento. Transformar o ideal criacional (“um homem e uma mulher” como modelo) em proibição absoluta é o mesmo erro dos fariseus: elevar uma boa norma a mandamento humano que vai além do que Deus revelou. Deus permitiu, regulou e até deu múltiplas esposas a Davi (2 Samuel 12:8) sem jamais chamar isso de violação do padrão de “uma só carne”.

Quem realmente crê na soberania absoluta de Deus sabe que Ele não se contradiz. O Deus de Gênesis 2 é o mesmo que regulou a poligamia em Deuteronômio e o mesmo que inspirou Mateus 19. Se Ele quisesse abolir completamente a possibilidade de poligamia masculina, teria falado com a mesma clareza com que condenou a homossexualidade, o incesto e o adultério.

Mateus 19 não é o texto que muitos imaginam. É um poderoso golpe contra o divórcio moderno em série e contra o adultério, mas não contra o homem que, com justiça, provisão e temor a Deus, cobre mais de uma mulher sob sua responsabilidade.

O axioma é a Escritura inteira — não o versículo isolado lido com óculos românticos do século XXI.

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