Por Yuri Schein
Há cristãos que morrem na Janela 10/40 — zonas de perseguição brutal, onde confessar Cristo pode custar o sangue. E há cristãos que vivem no Ocidente, com cafés gospel, ar-condicionado na liturgia e poltrona acolchoada para a adoração. Ambos morrem. Ambos ressuscitam. Ambos encaram o mesmo Senhor: Jesus Cristo, o Justo.
E sabe qual é a diferença salvífica entre eles?
Nenhuma.
O martírio não acrescenta méritos à cruz. A vida confortável não subtrai méritos da cruz. Porque não há méritos humanos na equação da salvação. Obras nunca foram moeda para comprar o Céu. Não existe “classe executiva” para mártires e “classe econômica” para quem não sofreu perseguição formal.
A justificação não é performance espiritual — é decreto eterno. “Pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.” (Ef 2:8-9).
Se o sangue do mártir fosse moeda para comprar mais Céu do que o sangue do Cordeiro já pagou, então Cristo teria morrido em vão (Gl 2:21).
O ladrão na cruz não evangelizou uma nação, não plantou igrejas, não traduziu a Bíblia para povos inalcançados. Ele respirou seu último fôlego dizendo: “Lembra-te de mim.” E ganhou o Paraíso no mesmo instante. A parábola dos trabalhadores da vinha dá risada na cara do mérito humano: quem veio na última hora recebe o mesmo salário (Mt 20).
Isso choca os legalistas. Irrita os religiosos por obras. Ofende o orgulho de quem acha que pode melhorar a própria posição no Céu com musculação espiritual. Mas agrada a Deus — porque exalta somente Cristo.
O mártir na Ásia e o crente confortável no Ocidente estão nivelados na cruz. Ambos são 100% pecadores. Ambos são 100% justificados. Não há “melhor” cristão diante do Trono. Só há eleito — ou réprobo.
Se o teu irmão da Janela 10/40 é salvo, não é por morrer por Cristo.
É porque Cristo morreu por ele.
E isso basta. Sempre bastou. Sempre bastará.

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