por Yuri Schein
O problema do empirista não é apenas epistemológico, é quase infantil. Ele olha para o mundo como quem observa bolas de bilhar colidindo e, a partir disso, julga ter compreendido o conceito de causalidade. Para ele, causar é empurrar, mover, girar. É tudo física. É tudo mecanismo. É tudo superfície. E então, com essa lente grotescamente limitada, ele tenta julgar proposições metafísicas, e, inevitavelmente, falha.
O erro dos aristotélicos modernos é presumir que, ao dizer que Deus causa todas as coisas, estamos afirmando algum tipo de “forçamento físico”, como se Deus estivesse empurrando vontades humanas como quem desloca um objeto no espaço. Isso não é apenas uma caricatura, é uma confissão de ignorância conceitual. Eles não refutam o ocasionalismo; eles refutam um espantalho construído pela própria pobreza filosófica.
A mente empirista é incapaz de conceber causalidade fora das categorias sensoriais. Como seus sentidos só captam movimento, eles reduzem toda explicação a movimento. Como não enxergam intenções, decretos ou relações lógicas, concluem que tais coisas não existem ou são irrelevantes. É o velho erro denunciado por David Hume, ainda que nem seus discípulos mais barulhentos tenham percebido que ele próprio destruiu a base do empirismo ao mostrar que causalidade não é observável.
O ocasionalismo, por outro lado, não comete essa infantilidade. Ele reconhece que causalidade não é uma propriedade física observável, mas uma relação estabelecida por Deus. Não há “força natural” autônoma; há apenas a vontade divina sustentando e determinando todos os eventos. Quando dizemos que Deus causa o mal no sentido de decretá-lo, não estamos dizendo que Ele “empurra” alguém ao pecado como um agente mecânico, mas que Ele determina, de forma soberana, que tais atos ocorram conforme Seu propósito.
O empirista, incapaz de distinguir entre determinação metafísica e coerção física, entra em colapso conceitual. Ele acha que refutou algo profundo, quando na verdade apenas revelou que sua filosofia não ultrapassa o nível de um chimpanzé treinado a associar movimento com causa.
No fim, o empirismo não é apenas uma teoria errada, é uma limitação cognitiva elevada à categoria de filosofia. E o aristotélico que bebe dessa fonte acaba inevitavelmente reduzindo Deus a uma engrenagem no cosmos, porque não consegue conceber um tipo de causalidade que não passe pelos olhos.
E é exatamente aí que o ocasionalismo expõe sua fraqueza: não com complexidade desnecessária, mas com uma verdade simples, se a causalidade dependesse da observação sensorial, ela jamais poderia ser conhecida. Logo, ou você abandona o empirismo, ou abandona a própria ideia de causalidade.
Não dá para ter os dois.

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