terça-feira, 14 de abril de 2026

O Pressuposicionalismo Puro e a Ultrajante Insolência do Evidencialismo:

 

Yuri Andrei Schein 

O pressuposicionalismo não é uma “escola de apologética” entre outras, como se fosse uma opção elegante ao lado do tomismo ou do evidentialismo light. Não. É a única epistemologia que a Bíblia permite. É o reconhecimento inescapável de que o Deus da Escritura é o Axioma Último de todo conhecimento, de toda lógica, de toda moral e de toda realidade. Partimos da revelação proposicional — a Palavra infalível e auto-atestante — como fundamento inabalável. Não pedimos licença ao incrédulo. Não negociamos terreno neutro. Não concedemos que a mente caída do homem natural possa sentar-se como juiz imparcial para “avaliar” se Deus existe.

Porque é exatamente isso que o evidencialismo faz. E faz de forma ultrajante.

O evidencialista, com sua cara de piedade racional e seu arsenal de “provas científicas”, “argumentos cosmológicos” e “evidências históricas”, coloca o Deus vivo e verdadeiro no banco dos réus. Sim, no banco dos réus! Como se o Criador do céu e da terra precisasse comparecer perante o tribunal da razão autônoma do homem para se defender, apresentar suas credenciais e convencer o réu-deus (o ser humano depravado) de que Ele realmente existe. “Olhe aqui, Senhor do Universo, aqui estão os fatos. Aqui está o design inteligente. Aqui está a ressurreição. Agora, por favor, convença este juiz herege que o senhor é quem diz ser.”

Que blasfêmia! Que inversão satânica da ordem da criação!

A Escritura é clara: o homem natural não é um observador neutro; é inimigo de Deus (Romanos 8:7). Sua mente está escravizada ao pecado, às trevas e à autonomia epistemológica — essa mesma autonomia que começou no Éden quando Adão resolveu que ele mesmo seria a medida de todas as coisas. O evidencialista não percebe (ou finge não perceber) que, ao oferecer “evidências” ao incrédulo como se fossem pedaços neutros de informação, ele está concedendo ao rebelde o direito de julgar o Juiz de toda a terra. É o mesmo que pedir a Faraó que avalie se o Deus de Moisés é digno de crédito. É o mesmo erro pagão que Roma cometeu ao misturar Aristóteles com a Bíblia e que os arminianos repetem até hoje com seu “livre-arbítrio epistemológico”.

No pressuposicionalismo puro — o de Clark, o de Cheung, o que brota direto da soberania absoluta revelada nas Escrituras —, não há negociação. Deus não se prova; Deus se impõe. A Palavra dEle é o ponto de partida, não o ponto de chegada. Todo fato, toda lei lógica, toda uniformidade da natureza só tem sentido porque pressupõe o Deus trino da Bíblia. O incrédulo que usa a lógica para atacar a Bíblia está, na verdade, roubando do cristianismo os instrumentos que só existem porque Deus decretou que existissem. Ele vive num mundo emprestado e nem sabe.

O evidencialismo, portanto, não é apenas uma estratégia apologética fraca. É uma ofensa direta à majestade divina. É colocar o Altíssimo no banco dos réus enquanto o homem, com sua régua quebrada de criatura finita e pecadora, finge ser o magistrado supremo. “Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?” (Romanos 9:20). A resposta bíblica não é um tratado filosófico sofisticado; é um tapa na cara da autonomia humana: cala-te e prostra-te diante da revelação.

Quem ainda insiste em defender o evidencialismo depois de ver isso revela que sua lealdade está mais com a razão cartesiana do que com a soberania do Deus que faz tudo o que lhe agrada (Salmos 115:3). O pressuposicionalismo não pede desculpas. Não faz concessões. Ele simplesmente declara: ou você pressupõe o Deus da Bíblia como fundamento de todo pensamento, ou você não pensa coisa nenhuma com coerência. Ponto final.

É isso que a Bíblia ensina. É isso que o pressuposicionalismo defende. E é por isso que o evidencialismo continua sendo uma das maiores vergonhas intelectuais e espirituais da igreja moderna.


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