por Yuri Schein
Todo incrédulo que abre a Bíblia já começa com um pressuposto assassino: “Eu, o homem autônomo, serei o juiz final do que Deus disse”. E o mais trágico é que muitos que se dizem “reformados” ou “conservadores” fazem exatamente a mesma coisa, só que com linguagem mais polida e diplomas de seminário na parede.
Eles falam em “método histórico-gramatical neutro”, “ciência da interpretação”, “exegese sem dogmas prévios”. Mentira. **Não existe hermenêutica neutra**. Assim como não existe razão neutra, ciência neutra ou coração neutro.
O homem caído odeia a soberania de Deus. Por isso, ele tenta transformar a Escritura em um livro que ele possa controlar — um livro que precise da aprovação da sua razão autônoma, da sua cultura, da sua sensibilidade moderna ou do seu “consenso acadêmico”. Isso não é exegese. Isso é idolatria epistemológica.
A Escritura não é um cadáver para ser dissecado no laboratório da razão humana. Ela é a voz viva do Deus soberano que ressuscita mortos. Quem se aproxima dela com coração neutro está morto em delitos e pecados (Efésios 2:1) e só conseguirá produzir cadáveres teológicos.
Gordon Clark estava certo: o axioma é a Escritura. Vincent Cheung foi mais fundo: **todo pensamento que não parte da revelação proposicional de Deus é, por definição, absurdo**. Não há “ponto de contato” neutro. Não há “terreno comum” onde o incrédulo e o cristão possam se encontrar para “interpretar juntos”.
O método de coerência revela a falácia imediatamente:
- Se a Bíblia precisa ser julgada pela razão autônoma, então a razão é o deus real.
- Se a cultura moderna corrige a Escritura, então a cultura é o deus real.
- Se o “consenso dos eruditos” decide o que é autêntico, então o erudito é o deus real.
Todas essas cosmovisões colapsam em contradição interna. Só o pressuposicionalismo coerencial permanece de pé: **Deus falou. Ponto final**. Nossa tarefa não é julgar a Palavra, mas ser julgado por ela.
Todo “estudioso” que se gaba de ler a Bíblia “sem pressupostos” está apenas escondendo o seu verdadeiro pressuposto: a autonomia do homem. E esse pressuposto já foi julgado, condenado e destruído na cruz.
Que o Senhor levante uma geração que não se envergonha de dizer:
“Eu não interpreto a Escritura. A Escritura me interpreta.”
Porque no dia em que a igreja voltar a crer nisso com todas as suas forças, veremos o colapso final de todas as hermenêuticas idólatras e o triunfo da Luz do Justo.
Soli Deo Gloria.
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