terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Supralapsarianismo Cristológico e Preferível



Supralapsarianismo Cristológico e Preferível
por Yuri Schein

Portanto, ninguém se glorie nos homens; porque tudo é vosso;Seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, seja o presente, seja o futuro; tudo é vosso, E vós de Cristo, e Cristo de Deus.
1 Coríntios 3:21-23

Quando nós conhecemos as doutrinas da Graça, o fazemos ela didáticamente, em uma ordem sistemática. Aprendemos sobre a depravação total, eleição, graça irresistivel, e cada um dos pontos do calvinismo de maneira subsequente, porém quando nós experimentamos a Graça não experimentamos ela de maneira sitemática, experimentamos de fato a depravação na nossa experiência, mas a Eleição nós não "experimentamos" ela é um decreto divino, nós vamos conhecer a eleição por meio da escritura,e também pela nossa experiência de regeneração, a regeneração que vem pela a graça irresistível e o contato com essa graça vem antes na nossa experiência do que a revelação da eleição divina [como é bem notado por John Piper em seu livro Cinco Pontos]. No tempo as coisas ocorrem de uma maneira, mas na nossa experiência elas ocorrem outra, mas o lapsarianismo não estuda nem uma coisa e nem outra, ou seja, o estudo do lapsarianismo não se refere as doutrinas da Graça nem no tempo e nem na experiência, mas se refere a ordem lógica na mente divina. E por se tratar de uma ordem lógica na mente divina é muito audacioso para nós que nos atrevamos a dizer uma coisa ou outra sobre o assunto, na verdade, o maximo que podemos fazer é ter a nossa posição em mente sem entrar em conflitos com os demais cristãos reformados que creem de maneira diferente da nossa, devemos apresentar a nossa razão pelas escrituras, mas não podemos forçar ninguém a crer em nada, e devemos nos aproximar da Escritura com temor e reverência.

A ordem lógica dos decretos

Cristo, ele é o primeiro objetivo divino, o primeiro objeto na mente de Deus Pai na execução de tudo que ele foi fazer. A biblia diz que a Trindade já vivia desde a eternidade, e viviam em comunhão em si mesmo, compartilhando [entre as pessoas] o amor, e felicidade eterna, essa vida em comunhão que a trindade vivia na eternidade chamamos de Vida Eterna, a Vida eterna foi transmitida do Filho para nós.

E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse.
João 17:5

Deus não fez o mundo por uma necessidade de ser amado ou adorado, ou de ter relacionamento, normalmente as pessoas pensam que Deus fez o mundo pois estava triste e sozinho, então decidiu criar todas as coisas, não! Deus fez o mundo segundo sua vontade e seu prazer, com alegria e não por necessidade. 

A escritura nos mostra os varios motivos pelo qual Deus fez a criação, alguns são mais ulteriores que outro, é aqui que entra a ordem dos decretos de Deus. 

1] PARA GLORIFICAR O SEU NOME

Em Efesios 1, a expressão "para o louvor da sua glória" aparecem três vezes. É um fato inquestionável que Deus queria glorificar o seu nome através da criação, eleição, redenção, mas aí entra a questão, glorificar para quem? Deus precisa de mais glória? É evidente que não! Deus já tem toda a glória por si só, esse texto fala da exibição da glória divina através dos seus atributos.

2] PARA GLORIFICAR SEU FILHO

A maneira como Deus iria glorificar seu nome exibindo Graça, Justiça, Misericórdia, Ira, seriam o seu filho, a biblia diz que o mistério de Deus é Cristo

“Tenham toda a riqueza da forte convicção do entendimento, para compreenderem plenamente o mistério de Deus, Cristo” (Cl 2:2)

Cristo é o primeiro na mente de Deus, antes de qualquer criatura, a glorificação do seu filho vem antes, pois Deus decidiu fazer convergir em Cristo todas as coisas - Efesios 1.10, Deus partiu de Cristo para criar todas as coisas através dEle. Cristo é o próprio Deus encarnado, Deus decidiu se unir com sua Igreja antes mesmo da fundação do mundo, decidiu se revelar para ela e ter contato com ela em Cristo.

Cristo em carne vem antes de toda a criação e de todas as coisas na mente divina:

O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele. E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência.
Colossenses 1:15-18 


3] SUBJUGANDO TODAS AS COISAS ATRAVÉS DA IGREJA

Ainda em Efesios 1 nós vemos duas coisas ulteriores, essas coisas precedem todas as coisas que ocorrem no evento de tempo e de experiência.

A primeira é a Eleição da Igreja em Cristo - Efesios 1.4

A segunda coisa é Deus em Cristo subjugando toda a criação através da Igreja

o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais, acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir não só no presente século, mas também no vindouro. E pôs todas as coisas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas.
Efesios 1.20-23

Note aqui, que para que Cristo fosse o cabeça de todas, Deus subjugou isso através da Igreja, essa união de Cristo e a Igreja é ulterior, ou seja, ela lógicamente precede a intenção e axioma [pensamento] e planejamento antecipado, a Igreja é o meio pelo qual Deus decidiu que Cristo reinasse sobre todas as coisas. Como todo Calvinista acredita que a Igreja se trata dos Eleitos individualmente, é evidente que a Eleição em Cristo deve preceder a queda lógicamente, afinal é por meio dessas pessoas que Deus subjugara todas as coisas.

Em Efesios Paulo também nos diz algo sobre a Igreja, ele diz que a Igreja é a Obra-prima de Deus

Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.
Efésios 2:10

A Palavra aqui traduzida por feitura é a palavra poiema, de onde nós tiramos a palavra poema, mas ela tem um significado no grego que significa Obra-prima. Todo artista tem uma obra-prima, ele tem uma obra que ele mesmo mais ama, a que fica exibida diante de todos os homens como sendo uma expressão de sua habilidade, inteligência, perspicácia e qualquer coisa que o artista queira revelar.

Como Obra-prima de Deus, a Igreja precede, toda a criação, ela precede a queda e precede tudo na mente divina, ela era amada por Deus já desde a eternidade, Deus já estava guardando sua obra-prima para manifestá-la a tudo mais que ele faria.

A reprovação tem em vista os eleitos

Como a Igreja é feita para subjugar o mundo, os reprobos existem para que os eleitos de Deus os superem, Deus faz isso através dos atributos que ele quer demonstrar através dos eleitos subjugando os reprobos, por exemplo, Faraó que levantou José como Governador do Egito, o fez pois nele existia 

E disse Faraó a seus servos: Acharíamos um homem como este em quem haja o Espírito de Deus?
Gênesis 41:38

José subjugou todos os adivinhos do Egito, por meio da sabedoria que Deus lhe deu, por meio do Espírito Santo que habitava nele. Até mesmo Faraó foi levantado por Deus para a glorificação de Deus através de José.

Podemos citar mais alguns exemplos, de como os reprobos existem apenas em prol dos eleitos? Davi não foi exaltado por meio de Golias? Não foi forjado por meio da perseguição de Saul sobre a vida dele?

A bíblia deixa isso bem claro:

Direi ao norte: Dá; e ao sul: Não retenhas; trazei meus filhos de longe e minhas filhas das extremidades da terra, A todos os que são chamados pelo meu nome, e os que criei para a minha glória: eu os formei, e também eu os fiz.
Isaías 43:6,7

Os eleitos foram criados já com propósito ulterior de glorificar a Deus, Deus os criou para a sua glória, também podemos ver que Deus fez os reprobos para esse fim, exaltar os eleitos, e por meio disso expressar seu amor pelos seus filhos. No mesmo texto o profeta Isaías ao demonstrar essa preferencia e intenção ulterior expressa:

Visto que foste precioso aos meus olhos, também foste honrado, e eu te amei, assim dei os homens por ti, e os povos pela tua vida.
Isaías 43:4

Deus faz isso! Ele mesmo cria o ímpio para o dia da destruição: 

O Senhor fez todas as coisas para atender aos seus próprios desígnios, até o ímpio para o dia do mal.
Provérbios 16:4

Através dos ímpios Deus dispensa bênçãos sobre seus filhos, Salomão com sua sabedoria disse que o reprobo muitas vezes ajunta riquezas para que no fim Deus entregue elas nas mãos do justo:

Ao homem que o agrada, Deus recompensa com sabedoria, conhecimento e felicidade. Quanto ao pecador, Deus o encarrega de ajuntar e armazenar riquezas para entregá-las a quem o agrada. Isso também é inútil, é correr atrás do vento
Eclesiastes 2:26

Vemos essa verdade em volta da vida de Abraão, quando este foi para o Egito e também para Abimeleque, apesar de ter mentido, Deus usou até mesmo esse ato pecaminoso para tornar Abraão mais rico e ele sair desses lugares com riqueza:

Saiu, pois, Abrão do Egito e foi para o Neguebe, com sua mulher e com tudo o que possuía, e Ló foi com ele. Abrão tinha enriquecido muito, tanto em gado como em prata e ouro.
Gênesis 13:1,2 [Veja também Gênesis Capitulo 20]

Isso também aconteceu quando o povo de Israel saiu do Egito:

E eu darei graça a este povo aos olhos dos egípcios; e acontecerá que, quando sairdes, não saireis vazios, 
Êxodo 3:21

Diga ao povo, tanto aos homens como às mulheres, que peça aos seus vizinhos objetos de prata e de ouro".
Êxodo 11:2

E o Senhor deu ao povo graça aos olhos dos egípcios, e estes lhe davam o que pediam; e despojaram aos egípcios. 
Êxodo 12:36

Isso não é teologia da prosperidade, isso é só uma demonstração da intenção anterior na mente divina, onde os ímpios só existem por causa da Igreja e a Igreja só existe por causa de Cristo. O texto supracitado sob o título desse artigo traz o seguinte:

Portanto, ninguém se glorie nos homens; porque tudo é vosso; Seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, seja o presente, seja o futuro; tudo é vosso, E vós de Cristo, e Cristo de Deus.
1 Coríntios 3:21-23

Deus fez a terra e o mundo tendo em vista Seu Filho governando sobre toda a criação cf. Colossenses 1, Efesios 1, 1 Corintios 15, Essas criaturas não se auto-determinaram na existência, mas existiram devido a um projeto divino ulterior em sua mente, elas foram eleitas [conhecidas] em Cristo e não fora dele, essa eleição é ulterior ao decreto em que os indivíduos se encontram caídos em Adão, Deus não viu eles em Adão para então os colocar em Cristo, o texto diz que Deus os elegeu [Em Cristo]. A Predestinação conforme a imagem do filho de Deus Rm 8.28-39 não pressupõe uma queda antes da própria intenção de Deus de ter um povo conforme a imagem do seu filho, pensamos nisso irmãos, Adão veio primeiro que Cristo no tempo, mas não na mente de Deus, Paulo nos diz que Cristo é o segundo Adão, mas para Deus pensar na encarnação de Cristo, ele pensou primeiro em Adão ou primeiro em Cristo.

Além do mais o infralapsarianismo caí na ordem lógica dos decretos, primeiro pois ele confunde a ordem lógica com a cronológica, o lapsarianismo questiona qual é a ordem lógica na mente de Deus e não a ordem cronológica e ordem de execução dos decretos, na verdade o infralapsarianismo muitas vezes é uma negação da própria idéia de lapsarianismo, pois não enfrenta os problemas referentes a ordem lógica dos decretos, apenas afirma o que sabemos da ordem de execução dos mesmos. Por exemplo, ao perguntarmos para um infralapsariano qual era a intenção de Deus em decretar a queda do homem, ele responderá que será a sua glória, e ao perguntarmos com quem Deus como e qual o meio o que vinha antes, ele falhará, a queda aconteceu sem intenção prévia e axioma ulterior, Deus decretou porque queria a sua Glória... E Cristo? Alguns vão afirmar, Deus decretou a criação e a queda para Glorificar a Cristo, então agora o propósito ulterior já não é mais a criação e a queda, e se apertarmos ele sobre como Deus iria glorificar a Cristo, e através do que Cristo governaria o universo, será que ele negaria que Deus faria isso através da Igreja? A maioria não negaria, então antes mesmo da Criação a Igreja vinha antes na mente divina, ele diria que sim, então o infralapsarianismo já se torna supralapsarianismo pois não há igreja sem individúos.

Por fim, ao colocar a queda primeiro que a eleição, Deus estaria decretando o mal sem ter um fim em vista antes de seus escolhidos, o que contrária a biblia, que demonstra que sempre que Deus decreta algo mal, ele tem um fim bom em mente, o mal não veio primeiro na mente de Deus ao ser criado do que o bem final, Deus não decretária uma queda sem ter um plano completo, e uma intenção ulterior para as criatura dessa queda antes, nesse sentido o infralapsarianismo coloca a ação divina, muitas vezes, como um mero mecanicismo, esquecendo-se do propósito ulterior e amor de Deus, nesse sistema Deus é apenas um computador que causa coisas sem propósito ulterior [isso não é uma critica a todos os infralapsarianos mas ao sistema em si], já vi infralapsarianos debaterem comigo sobre esse assunto e assumirem que existe esse propósito ulterior na mente divina, mas esse propósito e essas "pessoas" na mente de Deus não são reais, portanto não é um decreto, mas essa idéia é contraditória e faláciosa, pois o lapsarianismo, não questiona se algo já está concretizado, mas se essa coisa está antes na mente de Deus ou depois.

Resumindo o que foi visto até agora:
ASSIM COMO NOS ELEGEU EM CRISTO antes da fundação do mundo [isso vem antes, axioma prévio na mente divina, uma noiva para Cristo] para sermos santos e irrepreensíveis... isso já pressupôs a eleição em Cristo, a verdade é que a conformação dos eleitos na imagem do Filho de Deus vem primeiro, conforme Rm 8.28, esses eleitos foram amados antes mesmo de Deus pensar em uma queda e a conformação da imagem de seu filho é o propósito ulterior até mesmo a queda. A lógica é

a)O Filho Glorificado
b) através da IGREJA eleita e conformada na sua imagem.
c) A criação subjugada pela Igreja.
Tudo é vosso [Criação para a Igreja], nós de Cristo [Igreja para Cristo] e Cristo de Deus [Cristo para o Pai].
Cf. Ef 1.4-5, 1 Cor 3.22,23

Deus elege homens antes da fundação do mundo, e Deus criou o mundo para os Eleitos.
O Apóstolo Paulo diz "Tudo é vosso, vós de Cristo e Cristo de Deus" o mundo foi feito EM PROL DOS FILHOS - Rm 8 "a criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus.
O protótipo dos eleitos era Cristo, e Cristo é sempre a primeira coisa na mente de Deus Pai. Deus elege os homens EM CRISTO e não em Adão.
Se Deus criou o mundo para a Igreja encabeçar ele, então a criação está subjugada a Igreja que é a intenção prévia axiomática na mente divina, assim como a Igreja está ligada a Gloria do Filho que é a intenção prévia e axiomática ou seja, o propósito ulterior.

Respondendo algumas objeções

"Nos elegeu nEle antes da fundação do mundo PARA sermos santos..." Ef 1.5
Infralapsarianos inferem que como a eleição tem como fim à santificação, isso deve pressupor que Deus decretaria a queda antes da santificação, mas onde está escrito que a santificação pressupõe uma queda? Deus precisa de uma queda para SEPARAR alguém para si? Não! Deus não pensa na desgraça dos eleitos antes de pensar nos indivíduos EM CRISTO. Em Romanos 8.28 diz que esses eleitos foram PREDESTINADOS para serem conformes à IMAGEM do Filho de Deus. É evidente que isso veio antes na mente de Deus, ter pessoas santificadas com a Imagem do Filho, e não ter pessoas depravadas. A não ser que Deus pensasse [axioma prévio e intenção prévia] antes na ruína do que no bem que ele fará aos eleitos. Além do mais, o arminianismo, usando o mesmo esquema, alega que a Fé é o propósito ulterior da predestinação justamente porque fomos predestinados para adoção. Em suma é o mesmo argumento dos infralapsarianos para defender que a regeneração e resgate é ulterior a própria eleição.

Eu vendo casas e terrenos para quem quer construir uma casa, o fato de alguém estar ciente de que uma casa precisa de tijolos não faz ela pensar nos tijolos antes, nem ter intenção primaria de comprar tijolos, É a casa que ela quer. E o que ela quer em primeiro lugar lhe é peculiar; alguns querem uma piscina, e é dali que partem para construir a casa, trabalham toda a casa ao redor desse propósito. Outros querem um espaço gourmet com churrasqueira para beber, e também partem desse propósito primário para construir sua casa. Nunca vi ninguém que seja extremamente obcecado em primeira instância com o tamanho do tijolo, se tem 6 ou 9 furos, até mesmo o alicerce que é super importante, fica em segundo lugar, não quer dizer que o alicerce será mal feito, mas quer dizer que aquilo não é o que vem primeiro na mente dos meus clientes. Até hoje nunca vi um cliente que não frizasse primeiro a intenção primaria da ideia de casa que ele queria, para me dizer que tipo de tijolos que ele quer na casa, nem qual a marca do cimento, isso é importante e sera tratado com prudência na fase de execução, mas a intenção deles geralmente é: "Quero vista pro mar", "Orientação solar Norte", "Cozinha americana e espaço gourmet com churrasqueira" etc... O que varia muito de cliente para cliente.

Agora acrescento outra questão, e se além de eu ser o criador da casa eu também for o criador dos tijolos, eu invento os tijolos e as fábricas deles, as pessoas vão me perguntar: "Hei amigo, pra que você inventou os tijolos? Eu por acaso responderia: "Não sei, penso que poderemos fazer muitas coisas com ele, como come-lo?" Não. A resposta seria "Eu inventei os tijolos, pois estava pensando em fazer uma construção"

Agora na construção da casa de Deus o que ele pensou primeiro? Essa é a questão, dizer que algo pressupõe uma criação para ser alcançado é como dizer que uma casa precisa de alicerce, isso é uma redundância, mas não tem haver com a ordem de propósito ulterior.

Por fim, Infralapsarianos normalmente argumentam que Deus não pode decretar primeiro a eleição, visto que não existe nenhuma criatura para ele eleger decretada como criada antes.
Porém infralapsarianos não entendem que quando Deus foi criar um mundo, na ordem de criação, primeiro ele criou a vegetação e os animais, por fim, o homem para encabeçar essa criação.
O que veio primeiro na mente de Deus? A vegetação, os animais ou o homem? É evidente que toda criação foi preparada para que o homem habitasse nela. Assim também os homens foram criados para que os eleitos de Deus criados em sua mente se manifestassem, os eleitos são os filhos de Deus em seu coração que encabeçam a criação, a criação e os ímpios só existem por causa dos eleitos. Então, os Eleitos necessariamente vieram antes na mente de Deus.
Outro exemplo que podemos usar é esse: nos é dito que Cristo é o segundo Adão. De fato, no tempo, Cristo é o segundo Adão, mas não ordem da mente Deus, Cristo sempre foi o primeiro na ordem de glorificação na mente divina. Sendo assim, Adão foi feito por causa de Cristo e não o contrário, assim também o mundo e a criação, bem como os réprobos, existem por causa da igreja.

O teologo Vincent Cheung argumenta contra uma objeção ao Supralapsarianismo
"Então, a objeção contra a reprovação incondicional é que ela é injusta - isto, não de acordo com qualquer padrão declarado na Escritura, mas de acordo com a intuição pecaminosa do homem. Ele fica desconfortável com a idéia! Em todo caso, quando Deus executa o castigo sobre os réprobos, eles já caíram em pecado, de modo que Deus, de fato, não pune quem é inocente e sem pecado, exceto quando ele causou o sofrimento de Cristo. Mesmo assim, o castigo infligido estava apenas na mente de Deus, porque Cristo estava carregando a culpa dos escolhidos. (Isaías 53.10) Novamente, a objeção contra o supralapsarianismo equivale realmente a uma negação de que Deus é Deus, e de que ele não[***] é um homem ou uma mera criatura. Algumas pessoas dizem que acreditam em Deus, mas na verdade elas não acreditam. Esse é o principal responsável[****] por trás de falsos sistemas teológicos como o liberalismo, o arminianismo e o calvinismo inconsistente. Na verdade, não há objeção bíblica ou racional contra o supralapsarianismo. As pessoas simplesmente não desejam permitir a Deus uma soberania total sobre sua própria criação. Uma vez que abandonamos as suposições falsas e centradas no homem, a ofensa da soberania divina absoluta desaparece. Se nós abandonaremos essas suposições é outra questão. A Obra do Espírito na santificação é necessária para renunciarmos a todo o sentido de autonomia humana e ao pensamento centrado no homem, incluindo o relativo e ilusório tipo de "liberdade" que tão frequentemente aparece na forma popular do Calvinismo"¹

Piedade, mas sem negar a Soberania Divina

Recentemente eu vi um texto de Ronald Hanko sobre o assunto, que nos humilha e coloca no nosso lugar para abordar o tema com cuídado e piedade devida:

"Todavia, a questa
̃o é muito especulativa e abstrata. A Escritura não diz nada sobre a ordem lógica do decreto de Deus e isto é, portanto, um assunto de pouca importância e não deve ser matéria de discussão ou divisão ou um teste de ortodoxia entre cristãos. O fato é que o decreto de Deus é UM, tal como o próprio Deus é Um. Por essa razão, portanto, nós cremos, é desnecessário falar sobre a ordem nos decretos e tentar separar e organizar as coisas em alguma ordem. Devemos enfatizar que Cristo é “antes de todas as coisas” como os supra- lapsarianos fazem. Isso é extremamente importante. Mas devemos também enfatizar que a eleição é graciosa e a reprovação é justa, como fazem os infra- lapsarianos. O que é igualmente importante. Enfatizando estas duas coisas nós não seremos, estritamente falando, nem supra- nem infra-lapsarianos, mas iremos meramente estar sustentando aquilo que está revelado e deixando as coisas secretas, as coisas que Deus não revelou, com o próprio Deus."²

Todavia é preciso salientar que eu rejeito a ideia de que o infralapsarianismo faz da reprovação mais justa, isso é partir de um padrão de justiça diferente do que as escrituras apresentam, a verdade é que a maioria dos infralapsarianos que eu conheço tem preocupação com o que as pessoas vão pensar a respeito de Deus se ele reprova alguns homens incondicionalmente, então para agradar um padrão de justiça humano a maioria deles cede ao padrão de justiça dos homens, colocando a criatura no mesmo nível do que Deus, partindo-se do pressuposto de que Deus está debaixo dos padrões humanos.

O Apostolo Paulo, ao responder sobre a questão da Eleição em Romanos 9, não apela ao tribunal humano e padrões humanos de justiça, nem coloca Deus debaixo dos padrões que ele deu ao homem. Antes o apostolo ao levantar sobre a responsabilidade humana em sua diatribe, responde:Mas algum de vocês me dirá: "Então, por que Deus ainda nos culpa? Pois, quem resiste à sua vontade? " Mas quem é você, ó homem, para questionar a Deus? "Acaso aquilo que é formado pode dizer ao que o formou: ‘Por que me fizeste assim? ’ " O oleiro não tem direito de fazer do mesmo barro um vaso para fins nobres e outro para uso desonroso? E se Deus, querendo mostrar a sua ira e tornar conhecido o seu poder, suportou com grande paciência os vasos de sua ira, preparados para destruição? Que dizer, se ele fez isto para tornar conhecidas as riquezas de sua glória aos vasos de sua misericórdia, que preparou de antemão para glória, ou seja, a nós, a quem também chamou, não apenas dentre os judeus, mas também dentre os gentios?
Romanos 9:19-24

Nesses versos nós temos um apelo a autonomia e autoridade do Oleiro, a primeira pergunta é: "Então, por que Deus ainda nos culpa? Pois, quem resiste à sua vontade? "  Esse questionamento está requerindo de Deus um padrão de justiça. Em suma, qual a base Deus tem para nos condenar?  O Apostolo não apela para uma forma de liberdade da criatura sobre o oleiro, como se ela pudesse de fato escapar dos moldes, dedos e das mãos do oleiro, não! O apostolo responde com uma censura a quem pergunta: "Mas quem é você, ó homem, para questionar a Deus? "Acaso aquilo que é formado pode dizer ao que o formou: ‘Por que me fizeste assim? ’ A censura do apostolo, demonstra que o homem não tem o direito sobre Deus, mas Deus os tem sobre o homem, o homem é criatura de Deus, e Deus é seu dono... " O oleiro não tem direito de fazer do mesmo barro um vaso para fins nobres e outro para uso desonroso?" A pergunta retórica, possui a resposta evidente, Ele tem o direito sim, de fazer um vaso de honra e outro de desonra, e segue mostrando que Deus "suportou" com paciencia os vasos de sua ira, preparados para a destruição, eu nunca vi um vaso preparar a si mesmo para nada, nunca vi um penico dar forma a si mesmo e se colocar na prateleira para que alguém o compre e defeque sobre ele, isso não faz sentido, mas alguns teólogos, inclusive calvinistas, dizem que o penico pode formar a si mesmo, se preparar para a destruição. O texto é muito claro, Deus prepara vasos de ira, Deus os preparou PARA A SUA IRA. Assim ele ecoa com Provérbios 16.4 "O Senhor faz tudo com um propósito; até os ímpios para o dia do castigo." ou o Apostolo Pedro "e, "pedra de tropeço e rocha que faz cair". Os que não crêem tropeçam, porque desobedecem à mensagem; para o que também foram destinados. 1 Pe 2.8, ou Judas " Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo. Judas 1:4. Deus preparou esses vasos para a perdição, eles não prepararam a si mesmos. 

A pergunta dos infralapsarianos e arminianos sobre a justiça de Deus, é respondida: A justiça de Deus continua intacta, pois não há nada nas escrituras que condene Deus de fazer o que fizer com o que lhe pertence!

Baseado em qual padrão o infralapsariano ou arminiano pode julgar a Deus? Pelos preceitos que Ele deu ao homem? Mas a escritura demonstra que Deus não está debaixo dos preceitos dado ao homem e não se relaciona com as suas leis da mesma forma que o homem se relaciona com elas. Por exemplo, Deus pode matar quem ele quiser, pois ele é o autor da vida, quando ele suspende a vida de alguém ele está sendo inteiramente justo, visto que ele é o Oleiro e é o dono do barro e pode fazer o que lhe apraz com o barro (Dt 32.39, Rm 9.11-24). Deus não pode roubar, porque tudo no mundo já pertence a ele e pelo mesmo motivo Deus não pode cobiçar algo de outra pessoa, pois tudo que está debaixo do céu lhe pertence (Jó 41.11), assim os mandamentos de não roubar e o de não cobiçar não podem ser relacionados com ele da mesma maneira que com o homem. Vemos que por Deus ser o dono de todas as coisas, as falsas objeções que alegam que o Supralapsarianismo faz Deus ser culpado não podem ser sustentadas.

Outra objeção comum que fazem é que o homem não pode ser comparado com um pedaço de barro, pois o homem é muito mais complexo, não deveremos levar essa causalidade de Romanos 9 maneira tão ferrenha, eu creio sim que o homem é muito mais complexo que um pedaço de barro, mas eu também creio, e muito mais, que Deus é infinitamente maior do que um oleiro, Deus tem mais controle sobre o homem do que um oleiro com um pedaço de barro, por isso o texto de Romanos 9 ainda é muito generoso com os homens.

Para finalizar vou trazer algumas citações aqui, apenas para critério de conhecimento, à começar com uma citação breve de A. W. Pink:Primeiro, sabemos, de Ex 14 e 15, que Faraó foi "extirpado", extirpado por Deus, extirpado em meio a sua iniqüidade, extirpado não por doença, nem por fraquezas que soem incluir nas pessoas de muita idade, nem pelo que os homens denominam acidente, mas foi _extirpado pela mão direta de Deus em Juízo_. Segundo, está claro que Deus levantou o Faraó justamente para este fim - para extirpa-lo... DEUS NUNCA FAZ ALGUMA COISA SEM PRÉVIO DESIGNO. Ao lhe dar o ser, ao preservá-lo através de sua infância e juventude, ao exaltá-lo colocando-o no trono do Egito, Deus tinha somente um fim em vista... Terceiro, um exame dos procedimentos de Deus para com faraó mostra claramente que ele de fato era _um vaso de Ira preparado para a destruição_. Colocando do trono do Egito, com as rédeas do governo em suas mãos, ele se estabeleceu como chefe da Nação que ocupavam o primeiro lugar entre as nações do mundo. Não havia outro monarca na terra capaz de controlá-lo ou de lhe ditar ordens. A tão estonteante altura Deus levantou este réprobo! E esse curso era o passo natural e necessário para preparar-lo para o seu destino final, pois um axioma divino é que "o orgulho vem antes da destruição; o espírito altivo, antes da queda" Pv 16.18... Quarto, Deus endureceu o seu coração como tinha dito que faria (Ex 4.21)... Como no caso de todos os outros reis,o coração de Faraó estava na mão do Senhor (Pv 21.1); e Deus tinha tantoo direito como o poder de mudá-lo para onde quisesse. Ele aprouve mudá-lo para ir contra todo o bem... Finalmente, merece cuidadosa consideração a observar que a vindicação de Deus em seu procedimento para com faraó foi plenamente atestada... E mais: temos o testemunho de Moisés, que ficou muito bem familiarizado com a conduta de Deus para com oFaraó. Ele tinha ouvido no princípio qual era o propósito de Deus com relação ao monarca; ele tinha testemunhado os procedimentos de Deus para com esse rei; ele tinha observado a longanimidade divina para com este vaso de irá preparados para a destruição; e, por último, ele o tinha visto o extirpar Faraó em juízo Divino no Mar Vermelho. Qual foi, então, a impressão que Moisés teve? Levantou um clamor lamentando uma injustiça? Ousou ele acusar Deus de injustiça? Longe disso. Em vez disso, estas foram as expressões de Moisés: quem entre os deuses é semelhante a ti, Senhor? Quem é semelhante a ti? Majestoso em santidade, terrível em feitos gloriosos? autor de Maravilhas? Ex 15.11³

Uma citação de Joel R. B eek sobre o supralapsarianismo e a confissão de fé de Westminster no caso de um Supralapsarianismo Cristológico como de Thomas Goodwin

Este capítulo deve confirmar que um supralapsariano “determinado” como Goodwin podia afirmar o conteúdo básico do capítulo 3 da Confissão de Fé de Westminster “Sobre o decreto eterno de Deus”. Sobre esse assunto, a Confissão simplesmente não é precisa o suficiente para se posicionar a favor de qualquer uma das partes, inclusive de hipotéticos universalistas. Por isso, não estamos bem convencidos da posição de John Fesko de que os infralapsarianos prevaleceram na Assembleia de Westminster. [4]

Ainda no mesmo livro Joel comenta:
A melhor descrição de Goodwin talvez seja a de alguém que propôs uma posição supralapsariana cristológica que tem em mente a glória do Deus-homem, Jesus Cristo, que une a igreja consigo. Além de mostrar que Goodwin era supralapsariano, este capítulo também examinará por que era supralapsariano, exame que conduzirá à essência de sua cristologia — daí o termo “supralapsarismo cristológico”. Primeiro, comentaremos as observações de Goodwin sobre Efésios 1.4,5; em seguida, analisaremos a posição que ele adota acerca da ordem dos decretos em sua volumosa obra sobre a eleição. Segue-se uma seção sobre o objetivo ou a finalidade da eleição, a saber, a união com o Deus triúno por intermédio de Jesus Cristo.

John Murray também afirmaA Confissão [CFW] não toma partido no debate entre os supralapsarianos e os infralapsarianos, o que é intencional, conforme claramente se vê tanto no vocabulário do capítulo quanto no debate na Assembleia. Com certeza, esse é o devido cuidado que se deve ter num documento confessional” [5]

Sobre Francis Turrentini e sua defesa ao infralapsarianismo, Gordon Clark comenta:
Turretin argumentou contra o supralapsarianismo dizendo que, "De um non ens nada pode ser determinado"; daí o decreto de criar um ens precede a queda e a eleição. Isso é um mau escolasticismo. Implicaria a impossibilidade de Deus decretar qualquer coisa antecipadamente. Por exemplo, nessa visão, Deus não poderia ter decidido destruir Absalão por maus conselhos até depois de Absalão nascer. Ou, mais precisamente, Deus não poderia ter decretado criar o homem como um ser racional, já que antes da criação atual o homem teria sido um non ens sobre o qual nada poderia ser determinado.[6]

E ainda no mesmo livro o dr. Clark comenta:..." todo o assunto dos decretos divinos está acima da compreensão do homem ".
Essa aparente humildade tem sido usada com frequência quando um teólogo não consegue ver como resolver problema. Mas na verdade é uma forma de vaidade. Significa, em primeiro lugar, que se o Dr. X não puder pensar em uma solução, ninguém mais poderá. Em segundo lugar, isso significa que o Dr. X. compreendeu tão completamente tudo, desde o Gênesis até o Apocalipse, que ele pode afirmar com completa infalibilidade que a Escritura não contém uma única sugestão da qual uma solução possa ser deduzida ou mesmo imaginada. E se isso significa, como certamente parece, que alguma Escritura é ininteligível, ela contradiz a Palavra de Deus, que nos diz que toda a Escritura é proveitosa para a doutrina.Estas observações não negam que os exegetas cometem erros, nem que a ignorância do homem é maior do que seu conhecimento. Nem negam que Deus nos deu apenas uma revelação parcial. Mas quando um problema é apresentado pela própria Escritura, parece mais sábio e mais humilde admitir que alguém falhou em entender do que afirmar que ninguém mais pode entendê-lo

1 http://defesaapologetica.blogspot.com/2017/08/supralapsarianismo-vincent-cheung.html
2http://www.monergismo.com/textos/predestinacao/supra_infra_hanko2.pdf
3 A. W. Pink - Sovereignty of God, 197-110
4 Teologia Puritana DOUTRINA PARA A VIDA Joel R. B eeke & Mark Jones
5Collected writings of John Murray [Edinburgh: Banner of Truth, 1977], 4:209).
6 Gordon Clark, Systematic Theology.

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sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Gordon Clark e sua crítica a Apologética Evidencialista

Algumas observações de Gordon Clark para a reflexão dos leitores:

"Descartes não foi completamente original mesmo em seu "eu penso". Agostinho já tinha insistido em que é certamente verdade que eu existo. O cético precisa existir para que possa duvidar da sua própria existência. Agostinho irá perguntar a ele :" Você sabe que você existe? E o que cético pode responder?".
•Clark,Gordon H.
•Três Tipos de Filosofia Religiosa, p.53.

"Todo mundo deseja felicidade e o filósofo por suas ações mostra que a felicidade reside na verdade. O cético, etimologicamente é aquele que busca a verdade. Por isso, uma negação da possibilidade da verdade contradiz a mola de toda a ação humana"
• Gordon Clark, Três Tipos de Filosofia Religiosa p. 54

“Se agora um estudante moderno pensa que os princípios da moralidade não são tão certos como os princípios da lógica, e que, portanto, é duvidoso se eu deva ou não procurar a felicidade e comer o meu jantar, ao menos as leis da lógica são indubitáveis. Em todo caso, as normas lógicas ou morais, ou mesmo estéticas, se existem, são verdades necessárias e universais. Elas são verdades não apenas aqui e agora, mas em qualquer lugar e em todo o tempo. Elas não são apenas verdade para mim, mas para todos. No entanto, eu sou um limitado, um ser finito com experiência circunscrita. Eu nunca fui capaz de perguntar a Sócrates ou, voltando mais atrás, a Abraão se ele usou os princípios lógicos que eu uso. Será que a lógica não era lógica antes de Aristóteles ter numerado todos os silogismos possíveis?
Parece, portanto, que, mesmo sendo finito, eu tenho em minha mente algo que é eterno. A lógica nunca começou e nunca irá acabar. E o mesmo com a matemática e a moralidade. Essas verdades eternas e imutáveis não podem ser abstraídas de qualquer matriz mutável. Elas não são o produto da razão subjetiva de um homem individual qualquer. Deve haver, portanto, uma razão eterna e imutável onde essas verdades tenham sua origem. Ou as verdades em si são Deus e Deus é a verdade; ou se há algo superior à verdade, então este ser superior é Deus. Em qualquer caso está provado que Deus existe.”
[Gordon H. Clark, Três Tipos de Filosofia Religiosa, Editora Monergismo, p. 54-55]

[...] Afinal, apenas Tomás de Aquino pode concorrer à posição de Agostinho de maior e mais brilhante de todos os filósofos cristãos. O estudante deve então como Agostinho relaciona a razão com a Fé, qual é o papel dos sentidos, se é possível conhecer os corpos, como uma pessoa pode se comunicar com outra, e quem pode ensinar o quê a quem. Entre parênteses, pode-se notar que Agostinho discutiu longamente os problemas decorrentes das invasões bárbaras e do saque de Roma em 410 d.C. E é claro, há o que ele considerava ser o mais importante de tudo - a teologia. Mas a maior parte disso deva ser omitida aqui, a existência de Deus é um dos grandes temas na filosofia da religião [...]
• Gordon Clark, Três Tipos de Filosofia Religiosa p. 55

"Kant não pode alegar ter refutado a existência de Deus. Na verdade, ele mesmo insiste que ninguém pode refutar a existência de Deus, pois, como ele acredita, se todos os argumentos para a existência de Deus forem inválidos, ainda pode ser verdade que Deus existe".
• Gordon Clark, Três Tipos de Filosofia Religiosa p. 63

Ele [Kant] não pode alegar legitimamente nesse ponto que ele refutou o argumento ontológico. O máximo que ele fez foi mostrar que o argumento é incompleto, ele pode dizer que Anselmo e Espinosa usam como premissa a proposição que pretendem estabelecer como uma conclusão. Mas em resposta Agostinho diria: "O Argumento é completo, pois nós demonstramos que é necessário pensar em Deus".
• Gordon Clark - Três Tipos de Filosofia Religiosa p. 63

"Ou seja, um predicado que se associa a tudo sem exceção não tem sentido. Aqui está, pois, a conclusão: o predicado 'existência' pode ser associado a tudo, seja real ou imaginário, sem exceção. Sonhos existem, miragens existem, a raiz quadrada de menos um existe [...]
Similarmente, a pergunta que precisa ser feita sobre Deus não é se Ele existe, mas o que Ele é. Está claro que Deus existe. Enquanto um termo tiver ao menos algum significado indistinto, qualquer coisa existe. Mas faz uma grande diferença se Deus é um sonho, uma miragem ou a raiz quadrada de menos um. Espinosa não precisou provar que Deus existe. Seu argumento Importante foi que Deus é o Universo. Mas se Deus não é o Universo, se, ao contrário, Deus é o Criador e Juíz de todos os homens, então nós estamos lidando com questões substanciais em vezes de palavras sem sentido, tais como -existência-".
• Gordon H. Clark
'Três tipos de filosofia religiosa', p.67.

"O Dogmatismo aceita a revelação [escritura] como ela é. Ele, então, tenta sistematiza-lá e extrair suas implicações não expressas. O racionalismo, por outro lado, não aceita uma suposta revelação tal como está escrita"
• Gordon Clark - Três Tipos de Filosofia Religiosa p. 68

"A razão pela qual Tomás não pôde deduzir a Trindade não foi nenhuma incapacidade inerente da mente, mas a falta de axiomas necessarios"
Gordon Clark - Três Tipos de Filosofia Religiosa p. 78

"Se a razão de homem é capaz de dizer que a bondade de Deus implica a provisão de uma revelação sobrenatural, ela não precisa de tal revelação, sendo capaz de decidir igualmente bem o que a própria obtenção do bem por parte do homem requer, se ela é incapaz de apontar um caminho para salvação humana, ela é ainda mais em capaz de concluir alguma coisa sobre a providência infinita - essa última pode ser totalmente incomparável com nossas ideias finitas de bem e pode desapontar todas as expectativas que elas nos levaram a criar"
- Edwin A. Burtt, Types of Religious Philosophy p. 452.
"[...] A formulação do dilema de Burtt deixa o dogmático [escrituralista] intocado. Este [O cristão escrituralista] está bastante disposto a admitir que o homem não pode 'concluir nada sobre a providência infinita' a partir de bases não fundamentadas na revelação, e que as expectativas do homem são mais que propensas a serem frustradas [1]."
[1] O mesmo não sucede com os teólogos empíristas naturalistas, pois eles devem se opor a ideia de que o homem não pode chegar a conclusão da concepção do Deus cristão sem a escritura.
• Gordon Clark, Três Tipos de Filosofia Religiosa paginas: 69, 70 e 78
Frases em colchetes e observações enumeradas são ênfases minhas.

"O Dogmatismo não afirma a inabilidade do homem para construir silogismos válidos. Ele afirma, do modo mais seguro, a inabilidade do homem para deduzir CONTEÚDO TEOLÓGICO a partir de material não fundamentado na revelação"
• Gordon Clark- Três Tipos de Filosofia Religiosa p. 79

Tomás de Aquino (1225-1274), rejeitando o racionalismo de Agostinho e de Anselmo, alterou completamente a filosofia da Igreja Católica Romana ao fazer do aristotelismo seu fundamento.
Gordon Clark

Na primeira sentença [de Tomás], percebe-se o empirismo: "É certo e evidente para os nossos sentidos" que alguma coisa está em movimento. Ao contrário de Agostinho, Tomás não admite ideias inatas ou intuições intelectuais. Todo conhecimento deve ser abstraído das nossas sensações. Étienne Gilson tem, em The Philosophy of St. Thomas Aquinas, uma seção bem escrita que caracteriza claramente a posição de Agostinho, relatando o repúdio de Tomás por ela e afirmando o empirismo básico dos estudiosos posteriores:
'O postulado em que eles [os argumentos de Agostinho e de Anselmo] estão baseados é que nós não podemos ter nenhuma ideia de Deus ou de uma verdade subsistente... a menos que essas ideias tenham sido implantadas em nós por Deus, ou melhor, a menos que elas fossem aquele mesmo ser e aquela mesma verdade compartilhada em um modo finito elo nosso entendimento humano.Em tal hipotese as provas a priori não podem prover qualquer transição da ideia ao ser; pois está sendo o que é o ponto de partida do argumento. Subjacente as criticas de S. Tomás, contudo, nós encontramos um postulado inteiramente diferente, a saber, que todo o nosso conhecimento se origina das intuições sensoriais'
Como a forma moderna mais simples do argumento cosmológico é igualmente baseada nos sentidos, o primeiro ponto da crítica, a saber, o postulado há pouco referido, será adiado para o momento posterior à exposição do material de Hume.
- Gordon Clark, Três Tipos de Filosofia Religiosa p. 85 e 86

Tomás diz
"Se aquilo pelo que é movido for ele próprio movido, então também deve ser movido por outra coisa. Mas isso não pode ir ao infinito, porque então não haveria nenhum Primeiro Motor, e, consequentemente, nenhum outro motor visto que os motores subsequentes se movem apenas na medida em que são movidos pelo Primeiro Motor"
Mas isso que é dado como a razão contra a regressão infinita (e uma refutação da regressão infinita é essencial para a conclusão do argumento) é por si só a conclusão, isto é, deve haver um Primeiro Motor. Isso torna o argumento inválido por causa da circularidade.
Gordon Clark - Três Tipos de Filosofia Religiosa, P. 87

Tomás diz: "E esse todos entendem ser Deus. Barth responde: "E esse muito poucas pessoas entendem ser Deus"; em especial, nenhum cristão entende que o Primeiro Motor de Aristóteles é o Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Isso não irá provar a existência de algum tipo de primeiro princípio. Na verdade, não há nenhum ponto em defesa da necessidade de qualquer sorte de um primeiro princípio. Sobre isso, há um consenso universal. O ponto importante é determinar que tipo de primeiro princípio há. Ora, se o argumento de Tomás tivesse validamente provado a existência do Primeiro Motor de Aristóteles, teria sido provado que o cristianismo é falso. Um deus que não criou o mundo, que não sabe o futuro e possivelmente nem mesmo o presente e o passado, um deus que não pode falar aos homens, não evoca nenhum entusiasmo dos pensadores Cristãos. O Cristianismo precisa é do Deus Trino e Tomás (embora em certo sentido ele tente) não pode passar do Primeiro Motor para o Pai, Filho e Espírito Santo. Se um deus aristotélico satisfaria a um maometano ou a um budista é uma questão que cabe a eles responder. Mas o fato de que muitas religiões usem a palavra "DEUS" não mais significa que elas tenham alguma coisa em comum com o seu uso das palavras "primeiro motor".
Gordon Clark, Três Tipos de Filosofia Religiosa p. 89

"Se a causa for conhecida apenas pelo efeito, nós nunca deveremos atribuir a ela todas as qualidades além das que são precisamente requisito para se produzir o efeito"
David Hume
[...] Hume está disposto a admitir que um argumento causal¹ (se para propósito argumentativos puder haver tal coisa) pode provar a existência de algum tipo de deus ou deuses. Esses "possuiriam aquele grau preciso de poder, inteligência e benevolência, que aparecem em sua obra". E vito que seus arranjos incluem terremotos e maremotos em áreas habitadas, sua benevolência observável é limitada.
"Mas nada além disso pode ser provado... Na medida em que, no presente, os traços de quaisquer atributos aparecem, nós podemos concluir que esses atributos existem. A suposição de atributos adicionais é mera hipotese; muito mais a suposição de que em regiões distantes do espaço ou períodos de tempo, tem havido, ou haverá, uma exibição mais magnífica desses atributos... Sendo o conhecimento da causa derivado somente do efeito, eles devem estar exatamente ajustados um ao outro"
Hume observa que isso resolve, ou melhor, elimina o problema do mal. Esse antigo problema surge apenas na suposição de que um Deus Todo-Poderoso deseja a felicidade perfeita de cada indivíduo. Mas não apenas é impossível provar que Deus é onipotente, como também é impossível provar que Ele tem tal desejo. Nós o conhecemos apenas pela experiência e a experiência inclui terremotos². Ou mais geralmente,
"Há quaisquer marcas de uma justiça distribuitiva no mundo? Se você responde afirmativamente, eu concluo que, desde que a justiça aqui exerça a si mesma, ela é satisfeita³. Se você responde negativamente, eu concluo que você então não tem motivo para atribuir a justiça, em seu sentido próprio, aos deuses... [Você] não tem motivo para dar qualquer extensão particular, mas apenas tanto quanto você a veja, no presente, exercendo a si mesma.
Hume então considera a possibilidade de que as injustiças presentes no mundo irão ser equilibradas pelas recompensas e punições em uma cosumação celestial. Quando nós vemos uma construção meio acabada, não deduzimos que o construtor irá retornar para terminá-lá? Sim, nós o fazemos, pois já vimos antes construtores retornarem para concluir construções meio acabadas. É também porque nós vemos construtores retornarem que sabemos que uma estrutura está apenas meio acabada. Mas se nós nunca tivésssemos a experiência anterior, nós não poderíamos saber nem que um construtor iria retornar nem que a estrutura diante de nossos olhos está meio acabada. Esta é precisamente a nossa condição em relação ao mundo. Nós nunca vimo deuses voltando para terminar mundos meio acabados. Nós não sabemos se este mundo presente está apenas meio acabado. Portanto nós não temos razão para esperar por uma consumação justa, benevolente e celestial [4].
1 [primeiro motor, cosmológico, teleológico, etc...]
2 [esse é um problema que a apologética naturalista não consegue resolver, ela precisa recorrer a revelação e as escrituras, aqui o evidêncialista começa a apelar para autoridade da revelação, mudando dissimuladamente seu metódo apologético]
3 [mais uma vez o evidencialista falha por sua base empírica de mostrar o atributo divino de jutiça, pois muitas vezes a justiça não é feita na terra, nem pode ser comprovada pelos sentidos]
4 [essa é mais uma refutação ao metódo empirista de apologéta, o empirista não pode argumentar baseado nos sentidos como base, aqui ele precisa novamente apelar para a revelação como base, mas se a revelação é a base aqui ela se torna a base de todos os argumentos.
Gordon Clark, Três Tipos de Filosofia Religiosa, Paginas 91, 92 e 93
Obs. Os comentários em colchetes e referências adicionais númeradas são meus.

Tomás de Aquino e David Hume, com todas as diferenças nas conclusões, concordam que todo conhecimento é BASEADO na sensação.
Gordon Clark, Três Tipos de Filosofia Religiosa, p. 96