sexta-feira, 10 de abril de 2026

Deus Causa o Mal: A Resposta Bíblica ao “Problema do Mal” Segundo o Escrituralismo Puro

 

Por Yuri Schein

Depois de ler o prefácio e a introdução do meu livro O Problema do Mal e do Sofrimento, e após pesquisar mais a fundo o que eu defendo, fica cristalino: não basta dizer que Deus “permite” o mal. Isso é linguagem evasiva, teologia frouxa, tentativa de agradar a sensibilidade moderna.

Eu defendo, sem rodeios e sem pedir licença ao barro, que Deus causa a natureza má da criatura e também causa o ato, o pensamento e a vontade má. Não é mera permissão. Não é “deixar acontecer”. É causalidade metafísica direta, decretada desde a eternidade, sustentada a cada instante pela mão soberana do Criador.

Isso não é novidade. É o que a Escritura sempre ensinou e o que o pressuposicionalismo puro (Clark/Cheung) sempre defendeu com clareza. Vamos direto ao ponto.

1. Deus causa a natureza má da criatura

O homem não nasce neutro. Nasce com uma natureza corrompida, inclinada ao mal desde o ventre (Sl 51:5; Rm 5:12-19). Essa corrupção não é um “acidente” da Queda que escapou do controle divino. Ela foi decretada. Deus formou Adão perfeito, mas decretou que ele caísse — e que, nele, todos os seus descendentes herdassem uma natureza radicalmente depravada.

Como Vincent Cheung afirma com precisão: “Deus controla o bem e o mal com a mesma mão, porque só há uma mão controlando tudo.” A natureza má não é um vírus que invadiu o sistema criado por Deus. É parte do sistema que Deus quis criar. Ele não apenas “permitiu” a depravação; Ele a causou ontologicamente, para que a glória da Sua justiça e da Sua misericórdia fosse manifestada.

2. Deus causa o ato, o pensamento e a vontade má

Aqui a coisa fica ainda mais dura para os que ainda querem salvar um resquício de autonomia da criatura. Não só a natureza é causada por Deus — cada ato concreto de pecado, cada pensamento rebelde, cada volição má também é causada por Ele.

Romanos 9:17-22 não deixa margem: Deus endurece quem Ele quer. Ele levanta Faraó justamente para endurecê-lo e mostrar Seu poder. Ele envia espíritos de engano (1Rs 22:23). Ele entrega os homens às paixões infames (Rm 1:24-28). Ele faz com que o ímpio seja “preparado para a perdição” (Rm 9:22).

Gordon Clark estava certo: se Deus é soberano, então até o pecado é ordenado por Ele para os Seus fins. Não há “causa segunda” autônoma. O ocasionalismo bíblico nos obriga a dizer: só Deus é causa real. O homem é ocasião. O pecado acontece porque Deus quis que acontecesse — e quis exatamente da forma como aconteceu, com todos os detalhes.

3. Por que isso não torna Deus “autor do pecado” no sentido moral?

Aqui está a distinção crucial que o livro defende e que eu defendo com clareza:

Causa metafísica ≠ culpa moral.

Deus é a causa metafísica de todas as coisas, inclusive do ato pecaminoso. Mas Ele não é o praticante do pecado. O homem é. O decreto divino determina que o homem, segundo sua própria natureza má (também causada por Deus), pratique o mal voluntariamente.

Deus não peca quando causa o pecado. Ele não viola Sua própria lei. Ele não tem superior a quem prestar contas. Como Clark e Cheung repetem: “Deus não pode ser responsável porque não há poder superior a Ele.” O homem, sim, é responsável, porque age conforme sua inclinação depravada, sem coerção externa, mas inteiramente sob o decreto divino.

4. O “problema do mal” desmontado

O famoso dilema de Epicuro desaba como castelo de cartas quando partimos do axioma bíblico:

Se Deus é bom e todo-poderoso, por que existe o mal?

Resposta: porque Ele quis que existisse. O mal existe para manifestar a glória de Sua justiça, de Sua ira, de Sua misericórdia e, supremamente, da cruz de Cristo.

O mal não é um problema para Deus. É um instrumento. É o pano de fundo escuro que faz a cruz brilhar. É o palco onde o Cordeiro é exaltado e onde os vasos de ira são preparados para a destruição (Rm 9:22).

Quem ainda chama isso de “problema” está apenas revelando que sua epistemologia continua autônoma. Ele ainda quer julgar Deus com a régua da criatura. Mas a Bíblia não oferece diálogo. Ela oferece rendição: “Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?” (Rm 9:20).

Conclusão: a única resposta que não pede desculpas

Deus causa a natureza má.

Deus causa o ato, o pensamento e a vontade má.

E Ele faz isso sem pedir licença ao barro, sem se desculpar com o ateu, sem suavizar a doutrina para agradar o evangélico sensível.

Isso não é “duro demais”. Isso é bíblico. Quem não suporta essa verdade, que crie seu próprio universo, plante seu próprio formigueiro e governe com sua própria mangueira. Enquanto isso, os que se curvam diante da revelação proclamam:

“O nosso Deus está nos céus; faz tudo o que lhe agrada” (Sl 115:3).

Tudo. Inclusive o mal.

Leiam o prefácio e a introdução do livro O Problema do Mal e do Sofrimento. Comparem com a Escritura. Rejeitem toda ilusão de autonomia. O problema do mal nunca foi um problema para Deus. Foi sempre um problema para o homem que se recusa a se calar diante dEle.

Soli Deo Gloria.

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