Por Yuri Schein
A primeira parábola registrada por Mateus (Mt 13:3-23) é frequentemente lida de forma estranhamente pessimista. Muitos enxergam nela uma história sobre rejeição, fracasso e apostasia. Mas Cristo não contou essa parábola para ensinar que Seu Reino perderia terreno na história. Pelo contrário. Ele a contou para explicar por que nem todos creriam e, ao mesmo tempo, para demonstrar a certeza do sucesso de Sua obra.
O semeador sai a semear. Parte da semente cai à beira do caminho, parte em solo pedregoso, parte entre espinhos e parte em boa terra. Os três primeiros solos fracassam por razões diferentes, mas o quarto produz fruto a trinta, sessenta e cem por um. Observe que a parábola não termina com a semente perdida. Não termina com os pássaros. Não termina com as pedras. Não termina com os espinhos. Ela termina com uma colheita extraordinária.
Essa é justamente a parte que muitos ignoram. Os solos ruins aparecem para explicar a incredulidade. A boa terra aparece para revelar o resultado final da pregação do Reino. Cristo estava sendo rejeitado pelos fariseus, pelos escribas e por grande parte de Israel, mas isso não significava que Sua missão havia fracassado. A Palavra do Reino continuaria produzindo fruto e esse fruto seria abundante.
O pós-milenista percebe imediatamente o ponto. O foco da parábola não é a resistência ao Reino, mas a eficácia do Reino. A Palavra encontra oposição, mas vence. Encontra perseguição, mas prospera. Encontra rejeição, mas produz uma colheita muito maior do que aquilo que foi perdido. O resultado final não é declínio, mas multiplicação.
É curioso observar como alguns sistemas escatológicos conseguem ler uma parábola sobre uma colheita gigantesca e concluir que o mundo caminha inevitavelmente para uma derrota quase completa do evangelho. Cristo fala em trinta, sessenta e cem por um. O pessimista escatológico consegue ouvir isso e imaginar um Reino encurralado, escondido e fracassado, aguardando ser resgatado no último instante da história. O problema é que essa ideia não está na parábola.
O próprio contexto de Mateus 13 reforça essa interpretação. Logo após o semeador vêm as parábolas do grão de mostarda e do fermento. Em ambas, algo pequeno cresce progressivamente até exercer grande influência. O capítulo inteiro aponta para expansão, crescimento e vitória histórica do Reino de Deus.
A parábola também cria dificuldades para o dispensacionalismo. Jesus identifica a semente como "a palavra do Reino" (Mt 13:19). O Reino não é apresentado como uma realidade adiada para milhares de anos no futuro. O Reino está sendo anunciado naquele momento. O Rei está presente. Sua mensagem está sendo proclamada. Seus frutos já começam a surgir. A teoria de um Reino suspenso ou colocado em espera simplesmente não aparece no texto.
Da mesma forma, a doutrina dos "vencedores" encontra pouca ajuda aqui. Cristo não divide os crentes entre uma elite espiritual que herdará o Reino e uma categoria inferior que ficará de fora de um suposto reinado milenar. A distinção da parábola é entre aqueles que recebem a Palavra e aqueles que a rejeitam. Todos os solos bons produzem fruto. Alguns produzem mais, outros menos, mas todos pertencem ao mesmo campo, ao mesmo Reino e ao mesmo Senhor.
A mensagem central da parábola é simples. Cristo sabia que haveria incredulidade. Sabia que muitos rejeitariam Sua mensagem. Sabia que Jerusalém o condenaria e que Seus discípulos seriam perseguidos. Mas também sabia que a Palavra do Reino não voltaria vazia. O Semeador não perderia sua colheita. A semente divina produziria fruto abundante na história.
Por isso a parábola do semeador não é uma narrativa de fracasso, mas de triunfo. Não é uma explicação para a derrota do Reino, mas para o fato de que, apesar da oposição, o Reino inevitavelmente prospera. O evangelho encontra espinhos, pedras e pássaros pelo caminho, mas o capítulo termina exatamente como a história terminará: com uma colheita abundante para a glória do Rei.

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