Por Yuri Schein
Essa pergunta parte de um pressuposto falso: que o pós-milenismo ensina um mundo sem perseguição. Nunca ensinou.
Cristo não prometeu ausência de tribulações. Pelo contrário: "No mundo tereis aflições" (Jo 16:33). O que Ele prometeu foi algo muito maior: "Edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mt 16:18).
O problema é que muitos confundem o Reino de Deus com as manchetes do dia.
Quando dizem: "Destruíram milhares de igrejas, logo o cristianismo está perdendo", revelam uma eclesiologia extremamente pobre. Desde quando o cristianismo se resume a prédios? Desde quando demolir um templo significa destruir a Igreja?
A Igreja nunca foi feita de concreto. A Igreja é o povo de Deus.
Nos primeiros três séculos, os cristãos sequer possuíam templos monumentais. Reuniam-se em casas, catacumbas e lugares escondidos. O Império Romano confiscou propriedades, queimou manuscritos, executou bispos e tentou apagar o nome de Cristo da história. O resultado? O cristianismo conquistou o próprio império.
O mesmo acontece hoje. A perseguição na Nigéria, na Coreia do Norte ou em qualquer outro lugar é uma tragédia que deve nos levar à oração, ao auxílio e à denúncia. Mas ela não refuta a promessa de Cristo.
Na verdade, a história mostra exatamente o contrário.
Sempre que os inimigos de Cristo imaginaram que poderiam destruir a Igreja pela espada, acabaram espalhando o Evangelho ainda mais longe. O sangue dos mártires jamais foi o túmulo da Igreja; tornou-se, repetidas vezes, sua semente.
Nós não interpretamos a Escritura pelas notícias. Interpretamos as notícias pela Escritura.
Se Cristo recebeu toda autoridade no céu e na terra, se todas as nações serão discipuladas e se as portas do inferno não prevalecerão contra Sua Igreja, então nenhuma manchete tem autoridade para declarar derrotado aquele que já venceu.
A cruz parecia derrota. Era vitória.
O martírio parecia o fim da Igreja. Tornou-se expansão.
Os templos podem ser queimados. Os cristãos podem ser presos. Pastores podem ser mortos. Mas ninguém destrói aquilo que Cristo prometeu edificar.
A verdadeira questão não é se haverá perseguição. A verdadeira questão é esta:
Você acredita mais na estatística do jornal ou na promessa do Rei dos reis?
