quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Sob Ataque Espiritual (trechos) Vincent Cheung


Todos os ataques espirituais são inteligíveis, no sentido de que podem ser compreendidos e discutidos. E, ao discuti-los, podemos estar mais preparados para enfrentá-los. Todos os ataques são intelectuais, pelo menos neste sentido. Eles podem ser definidos e discutidos por doutrinas adequadas. Mas nem todos os ataques espirituais são intelectuais, no sentido de que você pode argumentar contra eles. Em alguns casos, os argumentos são irrelevantes ou você pode ganhar todos os argumentos que quiser e ainda assim perder a luta. Isso ocorre porque o inimigo não está discutindo com você.

Suponha que eu ataque você e o empurre no chão. Tudo sobre o evento é inteligível. Podemos ter uma discussão intelectual sobre isso. Podemos debater todos os aspectos sobre ele, como o motivo do ataque, a física do evento e as questões morais relacionadas a ele. Não é uma ocorrência mística. No entanto, não o ataquei com um argumento e você não pode se defender com um argumento. Não há conteúdo intelectual no ataque em si. Se houver alguma discussão, você pode vencê-la e ainda assim acabar no chão, derrotado. O ataque é físico. Eu ataco você com força física. Você só poderia se defender com força física. Uma compreensão intelectual sobre a força física pode ajudá-lo a alavancar suas habilidades físicas. Mas para enfrentar o ataque e superá-lo, da mesma forma, alguns ataques espirituais não fazem sentido, uma vez que não há pensamentos ou argumentos os impulsionando, e quais pensamentos eles o pressionam a aceitar, muitas vezes não encontram base em suas atuais circunstâncias ou expectativas, mesmo ao contrário do que sua situação deveria levar você a pensar. Os ataques são irracionais ou anti-racionais. No entanto, eles podem ser extremamente fortes. Eles podem fazer com que a pessoa perca todo o senso de realidade, alegria ou esperança. Uma resposta intelectual ajudará. Ele fornecerá uma base sólida para a reação adequada. Isso o ajudará a aproveitar os recursos de que você dispõe para se defender. Mas por si só permanece incompleto. Novamente, é porque o ataque espiritual de fato não contém nenhum argumento. Ele nem mesmo tenta reivindicar uma posição racional elevada. Você pode debatê-lo e, se encontrar algum ponto para se agarrar, você pode até vencer o debate. Mas o ataque vai apenas encolher os ombros e empurrá-lo do penhasco de qualquer maneira. Não está tentando debater com você. Nunca se importou com a verdade. Alguns ataques de fato vêm com pensamentos e argumentos, mas estão entrelaçados com essa mesma força espiritual, de modo que, mesmo que você ganhe a discussão, o resultado é o mesmo. Ele dá de ombros e o empurra do penhasco

Quando Saul foi assediado por um espírito maligno, Davi não discutiu com o demônio. Ele foi ungido com o Espírito de Deus e, quando tocou música, houve um poder espiritual que compeliu o espírito a partir à força. Jesus não debateu os demônios. Ele não explicou a eles que eles estavam errados em possuir suas vítimas e tornar suas vidas miseráveis. Se os demônios ainda não soubessem disso, eles teriam ficado felizes em descobrir o quão mal eles eram. Jesus não explicou a eles que era o Filho de Deus e que esses espíritos deveriam ter medo dele. Na verdade, eles já sabiam disso e gritaram e persistiram até que ele lhes ordenou que saíssem do povo que ocupavam. Ele os expulsou pela força ou, como disse, pelo dedo de Deus. Como ele explicou, um homem forte pode proteger uma casa, mas então um homem mais forte vem e amarra o primeiro homem e assume a casa. E quanto a doenças? Jesus não os convenceu a partir. Ele repreendia a febre e a febre ia embora. Uma tempestade atacou seu barco. Poderia pelo menos ter matado os discípulos, mas não por uma abundância de argumentos. Não veio para debatê-los. Jesus repreendeu a tempestade e a tempestade cessou.

Considere a garota que tnha espírito de adivinhação. Ela seguiu Paulo e seus companheiros, gritando: "Estes homens são servos do Deus Altíssimo, que declaram a vocês o caminho da salvação." Este ataque foi realmente acompanhado por palavras e pensamentos. Paulo respondeu com um contra-ataque intelectual? Paul discutiu com ela fora da cidade? O que ele poderia ter dito? O que havia para discutir? Ele deveria dizer que eles não eram servos de Deus, ou que seu Deus não era o Altíssimo, ou que eles não vieram para lhes dizer o caminho da salvação? Sua declaração não era falsa, e não havia nada para discutir. No entanto, foi um ataque espiritual de um espírito de adivinhação. Como sua teologia lidaria com isso? Como você fará sua apologética quando seus inimigos, incluindo os demônios, concordarem com você? Minha teologia me diria para expulsar o demônio, e minha apologética saberia como fazer isso e me preparou com o poder espiritual para fazer isso acontecer. E assim fez Paulo: “Ordeno-te em nome de Jesus Cristo que saias dela.” Ele dominou o demônio. Ele ganhou. O espírito deixou a menina e ela perdeu aquele poder espiritual que a movia. Quando Jesus encontrava pessoas possuídas por demônios, às vezes os espíritos gritavam: "O que você está fazendo aqui, Filho do Deus Altíssimo?" Jesus não disse: “Bem, veja, estou aqui porque ...” ou “Não, não sou o Filho de Deus”. Qual seria a sua apologética nesta situação? Os demônios estavam com medo e corretamente disseram que ele era o Filho de Deus. Veja sua "apologética" - "Cale a boca e saia dele!" Se você acha que a apologética trata apenas de argumentos, você não conhece a apologética bíblica. Deve haver argumentos, mas esses argumentos estão entrelaçados com poder milagroso. Se não houver poder, você tem uma falsa apologética, porque não existe uma vindicação bíblica de Deus sem a participação do poder divino.

A tentação de Jesus provalmente envolveu tanto argumento intelectual quanto poder espiritual. Devemos, de fato, assumir que ambas as coisas estão envolvidas em ataques espirituais, apenas que alguns ataques se concentram mais no assédio intelectual e no engano, enquanto outros aumentam a força espiritual aplicada contra a pessoa que pode ser eficaz independentemente de quaisquer pensamentos e argumentos. A troca intelectual entre Jesus e Satanás foi elaborada. Jesus respondeu ao diabo com as Escrituras, e então o diabo tentou distorcer uma promessa de Deus para enganar Jesus, que então expôs o engano com outra declaração das Escrituras. No entanto, não se esqueça de que, no final do relato de Mateus sobre o incidente, Jesus disse vigorosamente a Satanás para sair. Então, as Escrituras dizem: “Jesus voltou no poder do Espírito. ”Não foi apenas um choque de inteligência teológica ou caráter moral, mas também de poder espiritual. Suponha que você afirme: “Louvado seja Deus! De acordo com a Bíblia, a oração de um homem justo é poderosa e eficaz. ” Então Satanás sussurra: "Sim, mas você não é justo." E você rebate: “Deus fez com que aquele que não conheceu pecado seja pecado por nós, para que possamos nos tornar a justiça de Deus em Cristo. Eu não sou justo em mim mesmo, mas meu justo não é considerado. O próprio Jesus é minha justiça. Deus o declarou justo e o ressuscitou dos mortos. ” Você está certo. Você ganhou o argumento intelectual. Não devemos prejudicar o que você alcançou. No entanto, a menos que você seja forte em espírito, quando está sob pressão demoníaca, você pode nem mesmo conseguir se convencer. A vitória não é completa e a liberdade genuína se esquiva de você. Se você já foi atacado dessa forma, deve saber o que quero dizer. Então, alguns ataques são quase puramente espirituais. É como se alguém lhe desse um soco na cara e se recusasse a dizer o motivo. Não há argumento para vencer. A única maneira de vencer é socá-lo de volta e derrubá-lo sem dizer o motivo. Não há argumento para vencer. A única maneira de vencer é socá-lo de volta e derrubá-lo.

Poder. Força é o que você precisa. A ortodoxia cristã está acostumada a promover uma cultura de falsa humildade e sacrifício, e sofrimento insanamente estúpido e, junto com isso, também um desprezo pelo poder no espírito. Se fala de poder, é um poder para suportar, e não um poder para superar, para alterar a realidade, para transformar o sofrimento em prosperidade e vitória. Esta situação existe porque a Igreja viveu sob o engano de Satanás. É o poder de Deus que vence o maligno, e nunca a paciência sem fim e o sofrimento sem sentido do homem. O poder do céu é o que Satanás teme. Ele não fica nervoso quando os cristãos repetidamente - e heroicamente! - batem suas cabeças em uma parede de sua própria fabricação. Ele ri de seu sacrifício aleatório. Ele é aquele que os engana. Ele quer que nos sintamos espirituais e servindo a Deus quando a verdade é que estivemos imobilizados, fazendo muito esforço, mas o tempo todo correndo loucamente em um pequeno círculo. Satanás usa uma teologia de fraqueza para fazer dos cristãos seus hamsters de estimação. Quase toda teologia ortodoxa na história da igreja foi infectada com essa teologia de fraqueza. Quase todos os heróis da igreja, históricos e modernos, foram cúmplices dela. Os cristãos pensam que começaram algum tipo de revolução quando a única coisa girando para eles é uma roda de hamster. Eles se esforçam tanto, apenas para se matar com sua própria teologia de descrença e derrota. O hamster sabe que não está indo a lugar nenhum, que realmente não está avançando? Ele sabe que é tudo para se exercitar e se divertir? Se sim, então é mais inteligente do que os cristãos. Seus esforços teológicos não passam de mero exercício e entretenimento. A teologia feita corretamente avançará em poder, produzindo efeitos tangíveis e milagres.


Poder. Força é o que você precisa. Você deve ter. Então você deve ter mais. Se sua teologia limita seu poder, jogue-o fora. Isto é falso. A verdadeira teologia deve estimular um desejo enlouquecido de poder espiritual e um amor pelos outros para beneficiá-los com esse poder. Nunca tenha vergonha de buscar poder espiritual. Esse sentimento de vergonha também vem de Satanás. O poder é o que o derrota. Jesus disse: "Você receberá poder, quando o Espírito Santo descer sobre você." Paulo escreveu que existe um poder que opera poderosamente dentro dele. Ele disse que Deus fará mais do que pedimos ou pensamos pelo poder que ele faz trabalhar dentro de nós. A vida cristã tem a ver com poder, não menos do que com amor, humildade ou verdade. Isso é óbvio quando lemos as Escrituras. Mas os cristãos têm apenas vergonha de buscar poder. E então, como caranguejos irracionais, eles destroem aqueles que desejam sair daquela prisão teológica para um mundo de poder em Cristo. Eles são a glória de Satanás! Os cristãos até usam as doutrinas relativas ao amor, humildade e sacrifício para atacar as doutrinas de poder, fé, cura e prosperidade. É um engano simples, mas Satanás nunca precisou fazer mais. Cristãos como esses se tornam nada mais do que caranguejos e hamsters estúpidos para ele. Ele ri e entoa suas frases em latim junto com eles. “Corem Deo! Corem Deo! ” ele ruge de alegria. “Jesus eu sei, Paul eu sei, e Vincent eu sei, mas quem é você?” Se formos realmente humildes, buscaremos poder - poder de Deus para nos ajudar. Se realmente amarmos a Deus e as pessoas, buscaremos poder - poder para servir a Deus e abençoar as pessoas. Mas não! Os cristãos gritam: "Vamos chorar, sofrer e ser pobres, pois amanhã morreremos!" Os cristãos até usam as doutrinas relativas ao amor, humildade e sacrifício para atacar as doutrinas de poder, fé, cura e prosperidade. É um engano simples, mas Satanás nunca precisou fazer mais.


É por isso que a Igreja foi fraca ao longo dos séculos. Foi enganado. Ela foi satisfeita desde que pudesse continuar pensando que tem uma posição moral elevada. Satanás nem mesmo quer uma posição moral elevada. Ele quer vencer. Os profetas e apóstolos, e acima de tudo o próprio Jesus, enfatizaram o poder de Deus. Jesus era o menos ciumento de seu poder de fazer milagres. Ele disse a seus discípulos para curar os enfermos, expulsar demônios e ressuscitar os mortos. Então ele disse a mais discípulos para fazerem essas coisas. Então ele disse a seus discípulos para não pararem mesmo aqueles a quem ele nunca comissionou para fazer essas coisas. E então ele disse que todos os que acreditam nele podem fazer essas coisas, e até mesmo coisas maiores do que essas. Jesus queria que todos fizessem milagres, para que o Pai recebesse honra pelas coisas feitas pelo nome de seu Filho Jesus Cristo. Mas os cristãos têm mais vergonha de buscar o poder espiritual, divino e milagroso. Por quê? Vamos acordar! O poder é o que derrota Satanás. O poder de Deus é o que faz as coisas acontecerem para o evangelho.


Costuma-se dizer: "As Escrituras dizem que Deus é amor, mas não dizem que Deus é poder." Na verdade, sim. Diz isso de uma forma mais forte do que a maioria dos cristãos gostaria de admitir, e em um contexto mais intenso do que “Deus é amor” na carta de João. Jesus declarou: “De agora em diante vereis o Filho do homem assentado à direita do Poder e vindo sobre as nuvens do céu” (Mateus 26:64; Marcos 14:62). Em outros contextos, a palavra se refere a um poder milagroso, como quando Jesus disse: “Saiu de mim poder” para curar a mulher com a doença que sangra, ou quando ele disse: “Você receberá poder quando o Espírito Santo vier sobre vocês." Poder. Isso é o que Jesus chamou de Deus. Ele não disse que estaria sentado à direita do Amor ou da Sabedoria. Ele não usou uma palavra diferente para o poder para chamá-lo de Autoridade, mas ele o chamou de poder, habilidade e força brutas. Não importa qual desculpa hermenêutica você tente usar, eu conheço todos os truques e já os considerei, e permanece o fato de que neste lugar ele não se referiu a Deus como outra coisa senão PODER. Deus é poder tanto quanto Jesus é Palavra. Onde está Jesus? Poder. Ele está ao lado do PODER. Que tipo de poder? Poder para milagres. Poder sobre os demônios. Poder de governar na criação. Os cristãos têm vergonha do poder. E se você tem vergonha do poder, você tem vergonha de Deus, pois Deus é poder. Se você se recusa a buscar poder, você se recusa a buscar a Deus. Se você zomba do poder milagroso como se fosse um espetáculo secundário, você zomba de Deus como se ele fosse um espetáculo secundário. e permanece o fato de que neste lugar ele não se referiu a Deus como outra coisa senão PODER.

Tudo o mais que os cristãos têm dito sobre “Deus é amor” pode ser dito com ênfase ainda maior sobre o poder. Você adora aquele que está no trono? Você levanta as mãos e louva aquele cuja mão direita é o seu Senhor? Boa! Mas seu Senhor o chamou de Poder. Agora você ainda o adora? Você adora o poder? Você agora está zeloso de se sobressair em poder tanto quanto deseja se sobressair no amor? Ou você recua e insiste em chamá-lo de outra coisa? Não adoramos o poder, como em alguma força impessoal. Mas poder? Certamente, adoramos o Poder, como em Deus que é Todo-Poderoso. Se você não adora o poder neste sentido, você não adora a Deus de forma alguma. Como dizem as Escrituras: “Ninguém jamais viu a Deus, mas Aquele que é Deus, que está ao lado do Pai, o fez conhecido.” Se você rejeitar o Deus que o próprio Jesus declarou, que é Poder - poder milagroso - você queimará no inferno. Mas os cristãos têm vergonha do poder. Eles têm vergonha de tal Deus, que é Todo-Poderoso. Quantas vezes você já ouviu dizer: “Deus tem poder, mas Deus é amor”? Jesus negou isso. Deus é poder pelo menos tanto quanto Deus é amor. O próprio poder está no trono, e Jesus está à direita do poder. Este é o evangelho. Aceite isso ou invente outra religião.

Aceite isso ou invente outra religião.

Satanás convenceu os cristãos de que é profano e não espiritual buscar poder espiritual. Mas Jesus está à direita do Poder. Buscar aquele que está no trono é buscar o poder. Portanto, é muito santo e espiritual buscar o poder espiritual, não menos do que é santo e espiritual buscar o amor divino, porque - você adivinhou - Deus é amor. É claro que Satanás também tentou impedir os cristãos de andarem em amor, mas parece que ele nunca tentou convencê-los de que é profano e não espiritual andar em amor. Ele tem medo do poder. E o amor permanece ineficaz sem o poder espiritual e milagroso que supostamente exerce. Se você ama como Deus ama, você desejará pregar a verdade, curar os enfermos e expulsar demônios. O poder permite que você faça essas coisas. A compaixão é o catalisador mais forte no ministério de cura, mas sem poder, é compaixão falsificada ou compaixão frustrada. Amor e poder não estão em conflito, mas se você andar em amor, buscará o poder. Ore para que Deus conceda a você, “segundo as riquezas de sua glória, ser fortalecido com poder pelo seu Espírito no homem interior”. Poder. Você deve ter a verdade como base. Então você deve subir no poder. Toda essa discussão sobre poder é verdade teológica. Mas não vai liberar poder se você apenas debater e sentar sobre ele. A verdade liberará poder quando você a afirmar com ousadia e agir de acordo com ela. Faça.

📚 VINCENT CHEUNG, Trecho de "On Spiritual Attacks"



terça-feira, 22 de setembro de 2020

Duas Coisas Bobas (Vincent Cheung)


Uma doutrina de compatibilismo é frequentemente afirmada. Dizem que a soberania de Deus é compatível com a liberdade do homem, porque as decisões do homem não são coagidas, mas esse homem sempre age de acordo com o seu desejo mais forte. Então, essa suposta liberdade é frequentemente usada como base para a responsabilidade moral do homem.

No entanto, se a soberania de Deus é exaustiva, então tudo é explicado por ela, incluindo os desejos do homem e o fato de que ele age de acordo com seus desejos. Portanto, o fato de que não há coerção não é uma indicação de liberdade, mas um reflexo de que Deus controla todas as coisas. E mesmo que haja resistência, isso não indica liberdade, mas que, para seu próprio propósito, Deus está fazendo com que uma coisa reaja contra outra.
Em outras palavras, a doutrina da soberania divina é um princípio tão abrangente que todo o restante é explicado e interpretado por ela. Sob este princípio, o compatibilismo é irrelevante. Como existe apenas uma causa verdadeira, a compatibilidade não pode ser usada para demonstrar nada a não ser dizer que essa causa é compatível consigo mesmo. Dizer que qualquer coisa sob este sistema é compatível com outra coisa é não dizer nada além de que Deus é compatível consigo mesmo.
Se afirmo que tenho poder sobre a minha porta, você pode pensar que é muito esperto e salientar que fechar a porta é compatível com o fechamento da porta. Claro! E a porta não é coagida! Mas isso não garante liberdade à porta — ela não se fecha por sua vontade própria e poder. A declaração falha em demonstrar qualquer outra coisa além de reafirmar que tenho poder sobre a porta.
Da mesma forma, dizer que Deus é soberano e que o homem decide de acordo com seu próprio desejo é dizer que Deus fazendo com que um homem tenha um desejo e decida de acordo com esse desejo é compatível com Deus sendo soberano. Mas isso só me diz como Deus usa sua soberania, ou o que ele faz com ela. Se o objetivo é esculpir um lugar para a liberdade humana, ou demonstrar algo que não seja para reafirmar a soberania de Deus, é totalmente mal sucedido. É uma das coisas mais bobas da teologia.
Alguns tentaram resgatar a doutrina alegando que eu a deturpei. Eles dizem que os teólogos não chamam isso de um tipo de liberdade, ou se chamam ou não, eles não a tornam uma base para a responsabilidade moral. Eu tenho duas respostas para isso. Primeiro, essas pessoas evidentemente não sabem o que o compatibilismo ensina. Os teólogos de fato o chamam de uma espécie de liberdade, e muitos, se não a maioria deles, realmente o tornam uma base para a responsabilidade moral. Eu documentei isso com alguns dos mesmos teólogos que eles afirmam confiar na definição da doutrina. Segundo, se a doutrina nunca é chamada de um tipo de liberdade, e nunca usada como base para a responsabilidade moral, isso pode torná-la menos absurda, mas também a torna ainda menos relevante. Torna-se uma observação enganosa que não prova nada. E se o único objetivo é que as decisões humanas não são coagidas, eu já respondi isso acima.
Às vezes dizem que minha posição bíblica se assemelha ao panteísmo, já que sustenta que Deus é a única causa real. Mas isso não é tanto uma objeção a ser respondida quanto uma suposição a ser exposta e maravilhada com horror. A pessoa que faz essa objeção assume que Deus é identificado com o que ele controla ou causa, de forma que se Deus controla e causa todas as coisas, então ele é identificado com todo o universo, resultando em panteísmo. A Escritura e eu rejeitamos essa suposição, e não há nada inerente à ideia de que Deus é a única causa que compele uma identificação com o panteísmo. Não é impossível ou contraditório afirmar que Deus controla e causa todas as coisas, mas que ele não está identificado com essas coisas. Ele pode controlar totalmente uma rocha e não ser a rocha. A menos que haja um argumento para forçar essa identificação, não há mais nada a dizer como resposta.
A doutrina bíblica é muito mais simples: Deus é soberano e o homem não é livre. A soberania divina é incompatível com a liberdade do homem. Isso não tem nada a ver com responsabilidade moral, uma vez que a responsabilidade moral refere-se ao ato de prestar contas, e Deus responsabiliza o homem; portanto, o homem é responsável. A liberdade humana não tem entrada lógica na discussão.
Vincent Cheung. Two Silly Things, do livro Sermonettes — Volume 2, pp. 78–79.
Traduzido por Luan Tavares em 15/08/2019.
Sobre o autor: Vincent Cheung é um pregador e escritor cristão. Ele e sua esposa moram nos Estados Unidos.

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

REFUTANDO A OBJEÇÃO DE TIAGO 1.13 AO OCASIONALISMO

 

Por Yuri Schein

21/09/2020 

 Após o debate eu recebi a seguinte objeção do Tourinho, então decidi fazer esse arquivo em resposta, vou salvar esse artigo pois pode servir posteriormente em resposta a qualquer um objetor que se levantar posteriormente.

 A Objeção do Tourinho.

 Vejamos o seguinte versículo:

“Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta.”

Tiago 1:13

 Segundo a tese ocasionalista, que atualmente é defendida por Vincent Cheung, Deus é a ÚNICA CAUSA de todos os eventos, então temos:

 1 - Deus é causa única de todos os eventos. (tese ocasionalista)

2 - A tentação é um evento.

3 - Deus a ninguém tenta (Tg 1.13).

 De onde vem a tentação se Deus a ninguém tenta e ele é causa única de todos os eventos?

 Isso significa dizer que algo que não é Deus produz o evento que chamamos de tentação, portanto uma outra causa, logo, Deus não pode ser a causa única do evento da tentação, portanto, é falso que Deus é causa única de todos os eventos, segue-se então que é falsa também a alegação ocasionalisa.

 O que se pode dizer é que Deus é a única causa primeira, até mesmo porque só existe um primeiro, não tem como ter dois primeiros, porém, como causa segunda, uma causa causada (porque somente Deus é uma causa sem causa), no momento em que é movida por Deus, produz efeitos reais que lhes são próprios, portanto, produz eventos significativos na realidade.

 Tourinho.

 A objeção da primeira premissa é falsa, pois:

 

i.                    Não respeita os próprios termos onde defini: que Deus é a única causa transcedental, isso significa que ele controla toda a realidade e que a criatura é apenas o agente, mas não pode produzir causa na realidade, sendo assim ela não concorre com Deus. E portanto o concorrentismo é falso

ii.                  Eu afirmei que a criatura ou qualquer agente é apenas uma causa qualitativamente diferente (o que ele mesmo assume, mas não aceita a distinção qualitativa de causa), ou seja, somente Deus é a única causa transcedental, e uma única causa real ou transcedental não concorre com uma causa relativa, aparente ou mecância. Vamos para uma longa exposição:

 Sobre o texto de Tiago 1.13, parece que a pessoa confunde novamente causa mecânica com secundária, vamos a refutação:

 Deus é a causa real e não o agente, ele confunde agente com causa única que é a causa Transcedental Os termos de causa transcedental foram definidos desde o começo do debate, como por exemplo:

 Analogia do Escritor

 Anakin Skywalker matou as crianças no tempo Jedi (causa dentro da história imanente)

George Lucas escreve: "Então Anakin mata as crianças no templo Jedi" (causa única transcedental)

 Para ser mais especifico ainda com Causa Transcedental:

 Única causa Transcedental é a única causa que altera ou controla toda a realidade. Como Deus é uma causa Transcedental que controla a realidade não há como uma segunda causa não-transcedental concorrer com ele.

 Se fomos usar o próprio exemplo Aristotélico do escultor (que na verdade é apenas uma aprimoração da analogia de Platão) podemos dizer que: Deus é aquele que 

1)      Criou a pedra

2)      Está moldando a pedra, que seria toda a realidade (ou seja ele é causa tanto eficiente como formal de todas as coisas)

3)      Ele não é a pedra, mas criou, sustenta e modifica ela

4)      Ele é a causa final de toda a sua obra.


Assim não existe nenhuma liberdade ou concorrência em relação a ele, pois nenhuma das suas criaturas pode concorrer com ele, assim como uma estátua não pode concorrer com um escultor.

 

a)      Exemplo Jogo de Xadrez

No jogo nós temos "Cavalo captura o peão", mas em relação aos jogadores nós temos:

"Jogador 1 captura peão de Jogador 2"

Como Deus é a única causa Transcedental, não existe outra causa que concorra com ele, ele é o Jogador único que move as peças do jeito que ele quer, o homem é como o cavalo, ele é uma causa instrumental ou aparente que foi criado por Deus em sua ontologia, é sustentado por Deus em sua realidade.

b)     Exemplo do Escritor de um livro.

Suponha que em um livro a personagem Ana ouve batidas na porta e pensa se vai abrir a porta ou deixar fechada, "pode ser o meu namorado, mas essa hora da noite e sem aviso prévio?" Então, ela decide abrir a porta e assim faz, gira a maçaneta e abre a porta. A única causa Transcedental de toda essa história é o Escritor, o pensamento de Ana a decisão dela e os atos que ela teve bem como batida da porta do outro personagem vem do autor. Ana, os personagens, a porta abrindo não podem concorrer com o autor da obra, afinal ele é uma causa Transcedental ou melhor ele está ALÉM DA FÍSICA, DA NATUREZA, ou melhor, ALÈM DA CRIAÇÃO, não há nenhuma possibilidade dos personagens concorrerem com ele.

Até mesmo Grudem reconhece essa relação:

A analogia do dramaturgo que escreve uma peça pode-nos ajudar a compreender como ambos os aspectos podem ser verdadeiros. Na peça shakespeariana Macbeth, o personagem Macbeth assassina o rei Duncan. Ora (supondo por enquanto que esse é um relato de ficção), pode-se perguntar: “Quem matou o rei Duncan?” Em certo sentido, a resposta correta é “Macbeth”. No contexto da peça ele executou o assassinato e corretamente deve levar a culpa. Mas, noutro sentido, a resposta correta seria “William Shakespeare”, pois foi ele quem escreveu a peça, ele quem criou todos os personagens, ele quem escreveu a parte em que Macbeth mata o rei Duncan. (Teologia Sistemática, p. 253)

O autor é causa Transcedental e o personagem é causa mecânica, Nunca um personagem de uma obra pode concorrer com o autor, NUNCA!

Uma causa se trata daquilo que dá existência a algo, ou produz um efeito certo. Não existe causa sem efeito. A criação não produz efeitos por si mesma, mas depende totalmente de Deus para existir. Assim, o fogo ordinariamente queima, mas isso depende de Deus, pois quando Deus decide salvar seus servos da fornalha, então o fogo não os queima. Quando Deus decide, o ferro do machado flutua na água, o mar vermelho se abre, Pedro caminha sobre as águas e os montes se transportam para o meio dos mares.

Mesmo as chamadas “causas secundárias” são produto de providência ordinária de Deus. O mundo não é um mecanismo regido por leis impessoais de causalidade, mas foi criado e hoje é sustentado pelo Deus Pessoal, que faz tudo segundo o beneplácito da sua vontade.

Deus causa os pensamentos e a volição do homem, ele não precisa infundir pecado ali, ele apenas inclina o pensamento da criação metafisicamente para onde quer, a vontade é conduzida para onde ele quer. Suponha que o Diabo tinha em si mesmo a ontologia de pecar ou não, Deus apenas controlaria seu pensamento e sua vontade, para a ação e pensamento que ele desejasse, Deus não precisaria alterar a ontologia do diabo ou remover a vontade do Diabo, ele apenas estaria determinando qual pensamento e ato o Diabo faria. Isso não é infusão nenhuma, a criatura criou com essa ontologia (natureza) e com essa natureza passível de mudança, ou seja, mutável. Visto que só Deus é imutável a criatura é mutável, mas as criaturas não mudam a si mesmas, mas são mudadas por Deus que é imutável, assim como o oleiro muda a forma que ele quer do barro.

Isso é o mesmo que fazer com que uma pessoa quebre o braço, Deus pode determinar que ela quebre os braços e usar meios para isso, por exemplo uma queda ao andar de bicicleta, a criatura não foi criavel indestrutivel, Deus determina cada meio para que ela quebre o braço, a mesma coisa se aplica ao diabo e a Adão. O Braço quebrado é a natureza pecaminosa, ela veio de uma ação displicente da criatura, mas até essa ação e essa vontade foi controlada por Deus, nesse controle não há coação, e nem precisa. Deus não precisa coagir uma criatura a agir com uma possibilidade ontologica que ela tenha, ele só precisa mover a criatura para essa ação.

E esse tipo de coisa acontece depois da queda também, da mesma maneira, agora porém a criatura já com braço quebrado e Deus ordena a ela que segure um peso de 100 kg, ela não pode e mesmo que tente sempre falha. Analogias a Parte o exemplo do Escritor é o melhor para minha posição, O Escritor escreve "Ao correr velozmente pelos campos bob não percebe o barranco e caindo quebra o braço", é verdade que Bob foi desatento, mas a única causa metafísica da história foi Bob, o descuido dele, ou qualquer outra coisa que o Escritor narre como "Bob estava pensando na sua colega de aula que era linda" isso também quem causou foi o Escritor, mas quem é o burro e o descuidado? Bob. Bob não pode pegar o autor da história e pressionar ele e dizer "você é culpado, você me fez burro e descuidado", embora seja verdade que o Escritor fez bob burro e descuidado e controlou cada ação dele, o Escritor não pode ser cuidado, a história é dele e até mesmo o ato de bob questionar o escritor vem da sua própria pena.

Sobre a tradução que o Tourinho trouxe no primeiro dialogo de Atos 17.28 "nele produzimos o nosso próprio movimento" ela não pode de maneira nenhuma defender a ideia de concurso ou concorrência

1.      O texto não diz que esse movimento que a criatura "produz" concorre com Deus

2.      Paulo não usa a ideia de causa secundaria o prefixo grego traduzido por "nele" aplicados a viver, mover e existir nao faz da criatura a autora de sua própria vida, se aplicamos exegeticamente esse texto assim ao movimento poderíamos dizer que a criatura "produz" em si mesmo a propria vida isso é uma redução ao absurdo necessária para não cairmos em uma espécie de deismo.

3.      Usando o princípio hermenêutico da unicidade das Escrituras Sagradas da revelação completa podemos ver em outros textos referentes a metafisica que até o intento do coração dos homens é determinado por Deus "Pv 21.1, Ap 17.17, 2 Co 8.16" de maneira que não há concorrência Portanto a interpretação que Tourinho deu nem pode ser levada a seria para defender uma concorrência.

 O que ele mesmo disse "Deus é uma causa Transcedental" na questão metafísica aí reduziu Deus para uma causa imanente para defender o concurso. Uma causa Transcedental não pode concorrer com algo não transcendente , pois ela controla a realidade, por isso nesses termos o Concorrentismo é impossível.Usar textos de imanencia não prova o Concorrentismo apenas reduz a transcedencia de Deus o que é uma blasfemia. Arminianos e todos que tem apenas uma leitura imanente de Deus, Reduzem Deus em seus aspectos imanentes, eu não nego essa relação, mas a relação Transcedental é a priori, Isso é o que dá não ler Lutero. Veja como a metafísica aristotelica não é metafísica de fato, pois imanentiza Deus e transcende o homem.

 ACRÉSCIMOS:

 1. Se Deus permite algo Ele é Santo e Justo

2. Se Deus ordena algo Ele é Santo e Justo

3. Se Deus causa exaustiva e ativamente tudo que acontece ele é Santo e Justo

 Pergunta: Qual a vantagem de diminuir o domínio e controle divino com doutrinas e tradições humanas em troca de nada?

 1.      Na sua analogia do dado ele diz que Deus sempre deixa a possibilidades e apenas remove os atos que ele não queria que acontecesse, isso também ocorre com os pensamentos dos homens e isso também ocorre com Adão? Se Deus removeu todos os atos possíveis de Adão não pecar e deixou apenas o ato em que Adão pecaria, levando em consideração que foi ele que moveu Adão para esse ato, então não há liberdade lógica apenas ontológica e não há decreto permissivo. Onde está a permissão quando Deus remove todos os atos possíveis da criatura e estabelece apenas o ato que ele quer que ela faça e ele mesmo move a criatura para que faça isso? Como isso difere de qualquer determinismo rígido a não ser na descrição mecânica do evento que no final é rigidamente deferminado?

2.      Novamente: Como uma causa transcendental (portanto metafisica) pode concorrer com uma causa não transcendental? Se o Deus escreve a história rigidamente como o salmista diz na analogia do Escritor (Sl 139.16), como um personagem dessa história pode concorrer com ele como causa?

3.      Por que uma mente se move em direção à uma coisa e não a outra? O que causa uma mente se mover nessa ou naquela direção?

4.      Por que os autores da Escritura não estão preocupados em expor Deus apenas como uma causa primeira, mas antes afirmam que Deus é a causa direta do evento onde ele mesmo toma autoria direta? (Ez 14.9)

5.      Se causa é aquilo que produz um evento certo e na física quanto em toda a ciência nunca há garantia de que um ser produzirá o evento certo ao fazer X ou y. Por exemplo:

 

i.                    No baseball: Um rebatedor bate numa bola, a bola pode se partir no meio, escorregar para a cara dele ou seguir adiante, o rebatedor não tem controle sobre isso para causar um efeito.

ii.                  Causas efeitos psicológicos: Uma pessoa violentada pode não se tornar uma pessoa agressiva, quando outra pessoa violentada pode se tornar, uma pessoa ofendida pode reagir diferente de outra e assim por diante, um pensamento x ou y pode engatilhar um pensamento z ou w e assim ad infinitum, até mesmo na cadeia de pensamentos não causalidade garantida

iii.                 Estocada na banha, pode parecer risível, mas uma pessoa ao estocar o corpo de outro com a espada pode ter a lamina presa na banha ou na pele da outra, ou seja, o efeito (corte ou perfuração) pode não ser eficiente ou a lamina pode escorregar na pele e não perfurar ou causar nenhum arranhão.

 Sendo assim, como estabelecer uma causa secundaria como algo certo por esse parâmetro?

 Usando novamente a física (usada pelo aristotelismo para definir causalidade) existe uma distância de espaço e tempo geralmente entre causas e efeitos, a distancia percorrida por uma lamina até cortar uma veia mortal ou nao fazer, a relação do tempo necessário para que uma causa surja efeito como, por exemplo, uma bala atirada pra cima ao acaso e o tempo necessário da outra pessoa sair ou permanecer no lugar onde ela vai cair, visto que Deus controla essas relações da realidade não é correto defender uma concorrência além de ser completamente irracional.

 Pelo problema do empirismo e da indução a ciência não pode estabelecer leis fixas na natureza, a propria teoria gravitacional newtoniana foi descartada na física e substituída por uma nova, assim as ciencias e os métodos de julgamentos baseados no empirismo não podem nos fornecer um padrão confiável de causalidade.

 A biblia é muito clara sobre isso, Jesus diz que se pode dizer pela aparência do céu o que acontecerá, mas Salomao diz que isso nem sempre ocorre pois é Deus quem controla os céus, ou seja, nem sempre quando o céu fica escuro e as nuvens densas chove, ou seja, a relação de causalidade entre os eventos de nosso mundo é controlado direta e exaustivamente por Deus, não apenas em algo extraordinário, mas em experiências ordinárias como uma simples chuva (Mt 16.3, Ec 11.1-5). O que Salomao ensina aqui é a falha do nosso julgamento humano de relação entre causa e efeito através do empirismo. Sendo assim uma metafísica muito melhor do que a dos filósofos gregos deve ser deduzida das Escrituras Sagradas.

 A interpretação que o Tourinho faz o texto tanto de Mateus quanto de Tiago é tão forçada Por que ignora totalmente que Em ambos os textos nós temos uma relação dentro da criação e com afirmações do ponto de vista imanente de quem está se relacionando com Deus como criação. Jesus fala de uma possibilidade ontológica, mas não uma possibilidade lógica, muito menos uma possibilidade metafísica, Tiago fala do agente do pecado que é sempre o homem ou Satanás, não sobre a causa transcendental ou Controle de Deus tanto do pecador quanto de Satanás, se Deus causa alguém a pecar ele não está tentando ninguém não existe coesão nisso.

 O Tourinho vê concorrência onde não existe nos textos, até mesmo compartilhar listas não vem concorrência nesses textos, ao falar sobre esses aspectos imanentes até mesmo Piper e Grudem não vem concorrência nessas ações, pois os textos são descrições de eventos e não abrangem totalmente a metafísica ali envolvida. Eu posso citar o exemplo do jovem rico e também o exemplo de Cornélio novamente, embora haja menção de salvação os textos não descrevem toda a mecânica da salvação, eu não posso recorrer a eles para formar a minha Soteriologia, da mesma forma não posso recorrer a esses textos do Tourinho para formar minha metafísica, interpretar os textos assim me faria interpretar as escrituras como um arminiano.

 O outro problema é que sempre quando vamos definir um atributo de Deus ou uma ação Divina na história sempre partimos do maior para o menor. Quando estamos lidando com atributos de onisciência por exemplo nós não fazemos como (provavelmente) Jerônimo que segundo Calvino nas institutas disse que Deus não estava preocupado com a quantidade de mosquitos que existiam ou com assuntos irrelevantes Portanto ele tinha onisciência porém ela era limitada a coisas realmente importantes, pois não seria Nobre da parte de Deus se importar com a quantidade de mosquitos que existem ou a quantidade de gases que uma vaca emite. Porém se é onisciência de Deus exaustiva nós partimos do maior para o menor e dizemos que Deus tanto sabe a quantidade de mosquitos quanto à quantidade de cabelos que existem na cabeça de cada ser humano na face da terra os grãos de areia que existem no mar ou qualquer coisa da sua criação. Eu usei a onisciência como exemplo, se tratando do controle absoluto de Deus não podemos reduzir esse controle para uma mera concorrência, estaremos roubando Deus de um dos seus atributos de liberdade soberana e o seu controle absoluto sobre a criação. E não devemos fazer isso principalmente quando existem textos que demonstram que Deus é a única causa do transcendente que tanto Escreve a história da humanidade quanto molda os seus vasos de acordo com o que lhe apraz.

 Voltando diretamente ao texto de Tiago, Vincent Cheung escreve:

Entre as muitas respostas falaciosa está o apelo à Tiago 1.13. Usar esse versículo para negar que Deus é o autor do pecado é um dos piores maus usos da Escritura, e porque esse erro é muito popular e influente, ele tem causado muito dano e gerado um fardo desnecessário para aqueles que desejam defender a fé.

Considere o contexto. Tiago está discutindo o desenvolvimento prático da fé cristã em sua carta, e assim, ele  frequentemente enfatiza a responsabilidade direta do cristão, e de uma perspectiva cristã imediata. Tiago está apontando que o cristão deve considerar e agir em suas lutas como um cristão; ele não está tratando de metafísica. Em outras palavras, ele está tratando seus assuntos do ponto de vista de um cristão com relação às suas considerações e responsabilidades imediatas, e não com relação a princípios metafísicos mais amplos[...]

" Ainda que o diabo (ou a concupiscência da pessoa) possa ser o tentador e a pessoa o pecador, é Deus quem controla direta e completamente tanto o tentador como o pecador, bem como o relacionamento entre ambos. E embora Deus mesmo não seja o tentador, ele deliberada e soberanamente envia espíritos maus para tentar (1 Reis 22.19-23) e atormentar (1 Samuel 16.14-23, 18.10, 19.9). Mas em tudo isso Deus é justo por definição."

 Isto é, se Deus diretamente te faz pecar, isto faz dele o “autor” do pecado (pelo menos no sentido que as pessoas freqüentemente usam a expressão), mas o “pecador” ou “praticante-do-erro” ainda é você. Visto que o pecado é a transgressão da lei divina, para Deus ser um pecador ou praticante-do-erro nesse caso, ele deve decretar uma lei moral que proíba a si mesmo de ser o autor do pecado, e então, quando ele agir como o autor do pecado de qualquer jeito, ele se torna um pecador ou praticante-do-erro. Mas a menos que isso aconteça, Deus ser o autor do pecado não o faz um pecador ou praticante-do-erro. Os termos “autor”, “pecador”, “praticante-do-erro” e “tentador” são relativamente precisos — pelo menos precisos o suficiente para serem distinguidos uns dos outros, e o fato de Deus ser o “autor” do pecado não diz nada se ele é também um “pecador”, “praticante-do-erro” ou um “tentador”. E o fato de alguém não ser um praticante-do-erro significa, por definição, que ele não faz nada errado. Portanto, mesmo que Deus seja o autor do pecado, não se segue automaticamente que haja algo de errado nisso, ou que ele seja um praticante-do-erro[...]

Em contraste com a explicação tradicional, Deus não fala: “Oh não, eu não sou o autor do pecado. Embora eu seja a causa última de todas as coisas, mantenho-me afastado de causar diretamente o mal, pois estabeleço causas secundárias e agentes livres. Assim, embora eu crie e sustente todas as coisas, os homens pecam livremente por pensar e agir conforme suas próprias disposições. As disposições más procedem de Adão. E sobre como Adão obteve suas disposições más… bem, isto simplesmente permanecerá um mistério para você”. Se for esta a resposta, por que não pularmos de uma vez para o mistério e economizar um pouco de nosso tempo? A Bíblia jamais responde dessa forma a esse tipo de questão e objeção. Várias passagens bíblicas dizem que Deus causa todas as coisas, e a metafísica subjacente é explicada pela onipotência de Deus — a mesma onipotência que criou todas as coisas. Por outro lado, todas as passagens que as pessoas usam para negar que Deus seja o autor do pecado ou para provar o compatibilismo são apenas descrições de eventos e motivos, não abordando a causa metafísica desses eventos e motivos.

Em vez de dar a resposta popular, que é fraca, evasiva, incoerente e confusa, Deus francamente declara: “Sim, eu faço todas estas coisas. O que você fará a respeito? Quem é você para mesmo me questionar sobre isso?”. Para o bem ou para o mal, é assim que a Bíblia responde sobre a metafísica, incluindo o relacionamento de Deus com as decisões humanas. Então lemos em Romanos 9.19-21 (NIV): Algum de vocês me dirá: “Então, por que Deus ainda nos culpa? Pois, quem resiste à sua vontade?”. Mas quem é você, ó homem, para retrucar a Deus? “Acaso aquilo que é formado pode dizer ao que o formou: ‘Por que me fizeste assim?’”. Não tem o oleiro o direito de fazer da mesma massa de barro um vaso para fins nobres e outro para uso desonroso? Novamente, isso tem certa relação com metafísica (determinismo, liberdade, etc.), já que o contexto tem a ver com eleição e reprovação, e com a criação do eleito e do não eleito, tal como o oleiro que fabrica vasos a partir do barro. E ao contrário da resposta típica, Paulo não diz: “Oh não, você não entende. Ainda que Deus determine todas as coisas, ele tão-somente as causa através das decisões que você toma livremente conforme a sua própria natureza, que tem origem em Adão, cuja natureza mudou misteriosamente de santa para má; de forma que Deus não é o autor do pecado, e você é responsável pelos seus próprios atos e decisões”. Em vez disso, Paulo afirma que o controle de Deus tanto sobre o vaso “nobre” como sobre o vaso “desonroso” é como o controle do oleiro sobre uma massa de barro. [13] E assim como uma massa de barro não pode questionar o oleiro, a resposta de Paulo ao opositor não é “Mas você fez a si mesmo mau” ou “Mas você pratica livremente o mal conforme a sua própria natureza”, mas sim, “Acaso pode a criatura dizer ao Criador, ‘Por que me fizeste assim?’”. [14] E Paulo não diz “Mas Deus não é o autor do pecado”, e sim, “Deus tem o direito de fazer uma pessoa justa e outra má, de salvar uma e condenar a outra. É claro que ninguém pode resistir à sua vontade! Mas quem é você para retrucar?”. Essa é a abordagem da Bíblia. Ela repreende o opositor e ao mesmo tempo responde a objeção. Mas a resposta não nega que Deus seja a causa direta do pecado; antes, ela ousadamente afirma que Deus tem o direito de criar e fazer tudo aquilo que lhe apraz. Em vez de recuar ou sair com alguma evasiva, ela avança na direção do oponente e lhe dá uma bofetada no rosto! Esta é a resposta de Deus. Ela é forte, direta, simples, coerente e irrefutável. Ela é perfeita.1

O Tourinho e sua explicação de que Deus "Atualizava" o ato que ele queria, mas Adão escolhia o ato, mas isso contradiz o que ele mesmo escreveu:

1)      Deus move o homem e sempre dá força para que ele faça o ato x ou y (isso também deve se aplicar a pensar x ou y) pois um pensamento é também um movimento da mente em direção à 1 ou 2.

2)      Deus então remove os atos que ele não quer que Adão faça e deixa o ato que ele quer, portanto Deus moveria Adão a cometer o pensamento ou ato x ou y.

3)      Ele não responde o que moveu a mente de Adão a pensar x ou y? Na relação de usa própria natureza. A natureza de Adão? Como uma "natureza" pode gerar uma proposição se só uma mente pode gerar?

Quando Wayne Grudem (Teologia Sistemática p. 253) fala em duas causas totais, uma no sentido transcedente e outra no sentido imanente (Analogia de Hamlet do rei Dukan) esse exemplo serve tanto para os compatibilistas quanto para os ocasionalistas para rejeitar o concorrentismo tomista. Mesmo que talvez o próprio Grudem não tenha atentado para isso e depois tente remendar com uma concorrencia, com essa analogia ele está assumindo o que todos os calvinistas compatibilistas e ocasionalistas assumem por inferencia: Uma causa transcedental não concorre com uma causa imanente (O Escritor e o personagem da história, o jogador e a peça do xadrez) não há concorrencia de causas, uma causa é metafísica e outra é apenas mecânica.

A diferença é que eu nego haver qualquer liberdade da criatura em relação a Deus e não apelo ao mistério, eu digo que Deus causa ativamente todas as coisas e que isso não é mistério, o compatibilista vai apelar para um mistério sem necessidade alguma.

Minhas considerações gerais do debate:

O Concorrentismo

1.      Não responde como a idéia de causalidade aristotélica pode ser sustentada por causa do empirismo.

2.      Não responde satisfatóriamente como uma causa qualitativamente diferente pode concorrer com uma causa que não tem univocidade igual a ela.

3.      No debate chegou-se a afirmar que o diabo também pode ser considerado causa metafísica, pois segundo ele a metafísica é "Aquilo que vai além da física" Quando eu mesmo já havia definido no começo do debate os termos que metafísica é também aquilo que vai "além da natureza ou criação", ou seja, o diabo nunca pode ser uma causa metafísica, isso ele fez tentando salvar o concorrentismo porque ele sabe (segundo meu ponto 2) que uma causa qualitativamente diferente nunca pode concorrer com outra que não seja únivoca, daí porque a maioria dos calvinistas modernos são compatibilistas ou ocasionalistas.

4.      Não tive respondida as minhas observações também sobre o problema da causalidade e sobre o fato de Deus também causar a correlação de tempo e espaço entre uma causa aparente e um efeito.

5.      Citei mais textos que defendiam Deus como unica causa metafísica que altera a realidade, quando ele tentava provar por meio de outros textos que não tinham correlação com metafísica que Deus concorria com a segunda causa

6.      Não respondeu o que Causa uma mente pensar o pensamento x ou y, mesmo que essa mente já seja totalmente depravada, uma mera natureza não pode gerar proposições, pois proposições são próprias de uma mente. E isso ele não vai poder responder nunca pois a epistemologia empirica é pressuposta no aristotelismo.

7.      Ignorou o fato de Deus ter o conhecimento intuitivo e por necessidade ter o conhecimento a priori e não poder conhecer o pensamento da criatura por mera absorção externa de conhecimento, e como sua epistemologia empirica poderia responder a isso.

8.      Afirmou que Deus impulsiona todo o movimento do homem como causa segunda. Deus remove os atos que ele não quer que os homens faça (isso envolve os pensamentos de Adão), portanto Deus impulsionou Adão a pensar o pensamento e o ato da queda, o que ele negou a conclusão lógica disso e tergiverseou da conclusão da analogia do dado (que ele usa no livro).

9.      Não respondeu como diminuir o controle exaustivo de Deus das coisas traz alguma vantagem maior para o caso, sendo que Deus é santo e justo por definição.

Para finalizar, preste atenção nessa analogia e responda sinceramente a última pergunta:

1.      Se Deus permite algo Ele é Santo e Justo

2.      Se Deus ordena algo Ele é Santo e Justo

3.      Se Deus causa exaustiva e ativamente tudo que acontece ele é Santo e Justo

4.     Pergunta: Qual a vantagem de diminuir o domínio e controle divino com doutrinas e tradições humanas em troca de nada?

Alerta: A distinção de única causa real e transcedente para uma causa aparente ou mecânica não leva até uma contradição, assim como a trindade é "um ser" em um sentido e "três pessoas" que são dois sentidos diferentes, nós temos apenas uma entidade e três pessoas, quando algo é uma causa aparente na realidade como o Rei Ducan e seu assassino na analogia do Escritor esse algo não é causa no mesmo sentido do Escritor, ele é a causa da morte apenas no sentido imanente, aparente, ou seja, relativo a história.

1 Autor do pecado, Vincent Cheung, Versão do Kindle