Por Yuri Schein
Existe uma caricatura moderna do Cristianismo que o reduz a uma espécie de terapia espiritual para derrotados existenciais. Para muitos, o cristão é apenas alguém esperando o fim do mundo enquanto tenta sobreviver ao caos cultural até ser finalmente “retirado daqui”. Mas essa visão está muito distante da linguagem triunfante das Escrituras.
O apóstolo Paulo escreve em 1 Coríntios 15 que Cristo “deve reinar até que haja posto todos os inimigos debaixo de seus pés”. Note o detalhe: não é “reinará depois que tudo acabar”. Ele reina agora. O Reino não é apenas futuro; ele já foi inaugurado na história pela ressurreição de Cristo.
A mentalidade derrotista de muitos cristãos modernos parece mais influenciada por filmes pós-apocalípticos do que pela Bíblia. Agem como se Satanás estivesse no controle da história e Deus apenas tentando salvar alguns indivíduos antes do colapso final. Mas o Novo Testamento descreve exatamente o contrário: Cristo é apresentado como Rei soberano, sentado à direita do Pai, governando as nações e conduzindo a história para a consumação de sua vitória.
O problema é que muita gente lê as manchetes antes de ler as Escrituras. Basta uma crise econômica, uma guerra ou uma decadência moral para surgirem profetas do desespero anunciando que “o mal venceu”. Enquanto isso, Paulo continua afirmando que todos os inimigos serão colocados debaixo dos pés de Cristo, inclusive a morte.
Isso muda completamente a perspectiva cristã sobre cultura, conhecimento e história. O cristão não trabalha, constrói família, estuda teologia ou combate ideias falsas como alguém tentando “segurar as pontas até o arrebatamento”. Ele faz isso porque acredita que Cristo reina sobre cada centímetro da realidade.
O secularismo moderno, porém, inverte tudo. Ele prega progresso inevitável sem Deus enquanto produz sociedades cada vez mais vazias, ansiosas e desorientadas. O Cristianismo bíblico, ao contrário, reconhece a profundidade do mal humano, mas afirma algo que nenhuma ideologia consegue prometer legitimamente: a vitória final já está garantida porque ela depende do Rei, não da capacidade moral da humanidade.
É curioso como muitos chamam o Cristianismo de “mitologia pessimista”, quando são justamente as cosmovisões ateístas que terminam em niilismo cósmico. Sem Deus, toda civilização vira poeira inútil vagando num universo indiferente. Sem transcendência, amor, justiça e dignidade humana são apenas acidentes químicos sofisticados. O Cristianismo, porém, anuncia que a história possui direção, propósito e um Rei que governa sobre ela.
A frase “até que todos os inimigos sejam colocados debaixo de seus pés” é uma declaração de guerra contra o desespero moderno.
Cristo não está perdendo.
E a história não está fora de controle.

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