sexta-feira, 25 de setembro de 2020

A Invencível Perseverança dos Santos em "O Peregrino" de John Bunyan

Por Yuri Schein, 23 de Janeiro de 2019 

Esse artigo foi publicado por mim em 2019, mas hoje 25/09/2020 eu decidi expandir ele e acrescentei algo sobre Charles Spurgeon e Vincent Cheung para aqueles que querem vencer os pensamentos de blasfêmia e também qualquer depressão, TOC ou crises de ansiedade.

Querendo mostrar de forma bem clara a natureza imutável do seu propósito para com os herdeiros da promessa, Deus o confirmou com juramento, para que, por meio de duas coisas imutáveis nas quais é impossível que Deus minta, sejamos firmemente encorajados, nós, que nos refugiamos nele para tomar posse da esperança a nós proposta. Temos essa esperança como âncora da alma, firme e segura, a qual adentra o santuário interior, por trás do véu, onde Jesus, que nos precedeu, entrou em nosso lugar, tornando-se sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque. (Hebreus 6:17-20)

A maioria das pessoas sabem o quanto John Bunyan lutou contra a depressão e também com pensamentos blasfemos. Em um forte testemunho daquilo que Bunyan experimentou em seus piores momentos de depressão e angustia, ele nos conta que era alvo de pensamentos terríveis de blasfêmias contra o Espírito Santo, contra Cristo e contra Deus, veremos o seu relato:

O pecado e a corrupção iriam sair do meu coração tão naturalmente quanto a água sairia de uma fonte. Eu pensei que todos tinham um coração melhor do que eu. Eu teria trocado corações com alguém. Eu pensei que ninguém, exceto o próprio diabo, poderia me igualar por maldade interior e poluição da mente. Concluí que essa condição em que eu estava não suportava um estado de graça. Pensei: “certamente fui abandonado por Deus. Certamente, estou entregue ao diabo e a uma mente reprovada”

Uma tempestade muito forte caiu sobre mim, o que me causou vinte vezes pior do que tudo o que eu havia encontrado antes. Veio me roubando, agora por um pedaço e depois por outro. Primeiro todo o meu conforto foi tirado de mim; então a escuridão me tomou; após o qual inundações inteiras de blasfêmias, contra Deus, Cristo e as Escrituras, foram derramadas sobre meu espírito, para minha grande confusão e espanto.

Eles superaram meu coração, tanto pelo número, pela continuidade e pela força ardente que senti como se não houvesse mais nada, além disso, da manhã à noite dentro de mim, e como se de fato não houvesse espaço para mais nada. Concluí também que Deus, em ira à minha alma, me entregou a eles, para ser levado com eles como com um poderoso redemoinho. Somente pelo desgosto que eles deram ao meu espírito senti que havia algo em mim que se recusava a abraçá-los.

Enquanto eu estava nesse tormento, muitas vezes encontrava em minha mente um súbito desejo de amaldiçoar e xingar, ou de falar algo doloroso contra Deus, Cristo, Seu Filho, ou sobre as Escrituras. Agora pensei: certamente estou possuído pelo diabo. Outras vezes, pensei que perderia a cabeça; pois, em vez de louvar e engrandecer o Senhor com os outros, se eu o ouvisse falar, atualmente algum pensamento blasfemo mais horrível ou outro sairia do meu coração contra ele. Então, se eu pensava que Deus era, ou novamente pensava que não havia Deus, amor, paz ou disposição graciosa que eu pudesse sentir dentro de mim. Essas coisas me afundaram em um profundo desespero, pois concluí que essas coisas não poderiam ser encontradas entre aqueles que amavam a Deus.

Naqueles dias, quando eu ouvia outros falarem sobre o que era o pecado contra o Espírito Santo, o tentador me provocava a desejar pecar aquele pecado em particular que era como se eu não pudesse, não devo, nem ficaria quieto até Eu tinha cometido isso. Agora, nenhum pecado serviria além daquele. Se fosse cometido por falar uma palavra assim, seria se minha boca teria pronunciado essa palavra, se eu faria ou não. Em uma medida tão forte foi essa tentação sobre mim que muitas vezes eu estava pronto para bater minhas mãos sob meu queixo para impedir que minha boca se abrisse. Para esse fim, também tive pensamentos em outras ocasiões de pular com a cabeça para baixo em algum buraco de sujeira ou outro para impedir que minha boca falasse.

Sim, de bom grado, eu estaria na condição de um cachorro ou cavalo, pois sabia que eles não tinham alma para perecer sob o peso eterno do inferno ou que o pecado era meu como provavelmente. Embora eu tenha visto isso, sentido isso e tenha sido despedaçado com ele, ainda acrescentava à minha tristeza o conhecimento de que eu não conseguia achar que, com toda a minha alma, desejava libertação. Fiquei desanimado ao pensar que esse seria o meu destino. Portanto, eu lamentaria muito minha fortuna, mas não conseguia sair ou me livrar dessas coisas.

Não pude atender a nenhuma das ordenanças de Deus, mas com grande e dolorosa aflição; então fiquei muito angustiado com blasfêmias. Se eu estivesse ouvindo a palavra de Deus, então impureza, blasfêmias e desespero me manteriam em cativeiro lá. Se eu estava lendo, às vezes tinha pensamentos repentinos para questionar tudo o que lia.

Eu ficaria assustado com tais idéias, como pensar que Deus zombou de minhas orações, dizendo na platéia de santos anjos: “Este pobre coitado simples me deseja, como se eu não tivesse nada a ver com minha misericórdia, mas conceder a ele como ele . Ai, pobre alma, como você está enganado. Não é para você ter favor com o Altíssimo. ”

Nem minha antipatia pelos pensamentos, nem qualquer desejo e esforço para resistir a eles nem sequer abalaram ou diminuíram a continuação ou força e força deles. Sempre, em quase tudo o que eu pensava, se misturava de tal maneira que eu não conseguia comer minha comida, inclinar-me, cortar lenha, nem olhar em volta, mas ainda assim a tentação de vender Cristo viria. “Venda Cristo por isso, ou venda Cristo por isso; vendê-lo, vendê-lo, vendê-lo.” Às vezes, isso passava por meus pensamentos talvez cem vezes. Contra isso, durante horas inteiras, fui forçado a permanecer continuamente inclinando-me e forçando meu espírito a isso, a menos que, infelizmente, antes que eu percebesse, algum pensamento perverso pudesse surgir em meu coração que pudesse consentir. Às vezes, o tentador me fazia acreditar que eu havia consentido.

Essa tentação me trouxe tanto medo que, em algum momento, eu consentiria e seria vencido por ela, que, pela própria força da minha mente em trabalhar para resistir a essa maldade, meu próprio corpo seria posto em ação ou movimento, por assim dizer. de empurrar ou empurrar com as mãos ou o cotovelo, ainda respondendo tão rápido quanto o destruidor disse: “Venda-O”. “Não irei, não irei, não irei. Não, não para milhares, e milhares e milhares de mundos.” Assim, calculei, por medo de que, no meio desses ataques, atribuísse um valor muito baixo a Ele, mesmo quando mal sabia onde estava ou como me acalmar novamente. . Nessas estações, ele não me deixava comer minha comida em silêncio; mas, quando estava sentado à mesa do jantar, tive que sair para orar.

Certa manhã, enquanto estava deitado na minha cama, fui, como em outros momentos, mais ferozmente agredido com essa tentação de vender e participar de Cristo, a sugestão perversa ainda em minha mente: “Venda-O, venda-O, venda-O, venda-o. Ele”, o mais rápido que um homem podia falar. Contra isso, eu também estava em minha mente, como em outras ocasiões, respondi: "Não, não, não por milhares, milhares, milhares", pelo menos vinte vezes juntos. Por fim, depois de muito esforço, mesmo até ficar quase sem fôlego, senti esse pensamento passar pelo meu coração: "Deixe-o ir, se quiser." Também pensei que sentia que meu coração consentia livremente nisso. Oh, a diligência de Satanás! Oh, a desesperança do coração do homem! Agora a batalha foi vencida e caí, como um pássaro que é atirado do alto de uma árvore, em grande culpa e desespero. Agora eu estava unido; Eu me senti calado no julgamento que estava por vir. Nada nos próximos dois anos permaneceria comigo, exceto condenação e uma expectativa de condenação.

Eu já sabia agora o que era estar cansado da minha vida e ainda ter medo de morrer. Oh, quão feliz eu teria sido alguém além de mim, qualquer coisa, menos um homem, e em qualquer condição, menos a minha. Não havia nada que passasse pela minha cabeça com mais frequência do que era impossível para mim ser perdoado por minha transgressão e ser salvo da ira vindoura. ¹

Você pode pensar que isso é algo incomum, mas todos os crentes sofrem com esse tipo de coisa, o segredo está no poder do Espírito que habita em você, nEle reside toda a sabedoria, todo o conhecimento, toda a santidade, toda a pureza, toda a vida, e toda a fé que você precisa para vencer isso, depois que você passar por isso se tornará uma pessoa mais forte, mas Deus quer te fazer forte durante esse processo, por isso, durante os milhares de dardos inflamados do maligno levante o seu escudo, se você deixou sua espada cair no chão pegue ela de novo, continue lutando, se você disse que falhou, confie no Deus que nunca falha, se levante e peça para ele te restaurar mentalmente, depois que estiver restaurado você vai poder perceber onde você falhou. Geralmente as falhas vem de bases erradas ou quando Satanás consegue nos fazer assumir seus pressupostos mentirosos, não procure ser inteligente com Satanás, apenas assuma os pressupostos das Escrituras Sagradas, você não precisa ser mais inteligente que o diabo, apenas precisa permanecer alicerçado na Palavra de Deus. Quando saímos dessa base nos tornamos alvos fáceis para o diabo, é claro que Deus controla todas as coisas, mas ele determina essas coisas para nos moldar e remover todo o tipo de lixo que ainda existe em nossa vida, precisamos ser constantes e clamar constantemente diante de Deus a sua assistência, e mais do que isso, se houver energia em nossa mente e coração devemos expelir esses demônios para longe de nós e não perdermos tempo com eles.

Na sua obra mais conhecida: O Peregrino; John Bunyan nos ensina algo precioso no início e no final do livro, e as implicações dela ensinam como vencer a depressão.

John Bunyan era um calvinista puritano e seu livro descreve a vida de um Eleito do início ao final: Desde que Cristão foge da cidade da destruição, a libertação de seu fardo, suas lutas contínuas e até sua chegada a cidade celestial. Nas primeiras partes do livro Cristão começa a afundar em um Pântano chamado Desânimo, e quando não tinha mais forças Auxilio apareceu para ajudá-lo, quando cristão tinha saido do lamaçal onde caiu, Auxílio lhe diz:

—  “Mas por que você não procurou as pegadas?"

As pegadas de Auxílio são as promessas [como Bunyan bem nota]. Auxílio continua

—  "O Pântano lamacento é um lugar que não pode ser aterrado [ou seja, todo o homem passa por essa situação]. É a depressão para qual correm continuamente a escória e a imundície que acompanham a condenação do pecado..."

Bunyan nota que o desânimo e depressão são efeitos ocasionados pela depravação total. Auxílio continua

—  "O REI... mandou seus operários sob ordens dos inspetores dele trabalharem ao longo de 1600 anos [na época de Bunyan] para aplaina-lo" - Aqui está o ministério da palavra que nos leva a conhecer mais ainda as promessas de Deus - ... "É verdade que há... certas pegadas boas e essências espalhadas mesmo aí no meio desse Pântano..."

John Bunyan vê que a maneira pela qual Deus preserva seus eleitos é pelas promessas para que ele não sucumba ao desânimo, o eleito deve pisar nas promessas de perdão e aceitação da escritura [que são as pegadas largadas no pântano].

Na parte mais ao final do livro o Cristão é aprisionado com seu amigo Esperança no castelo do gigante Desespero, Cristão aconselhado pelo gigante que lhe diz para que tire a vida de uma vez, fala a Esperança que deseja a morte:

—   "Irmão, que faremos? A vida que agora vivemos é miserável. Confesso que não sei se é melhor viver assim ou morrer imediatamente. Minha alma prefere o estrangulamento à vida (Jó 7.15), e a sepultura é para mim mais fácil de suportar do que esse calabouço. Aceitamos o conselho do Gigante?"

Mas Esperança diz a ele:

—   “De fato nossa situação é terrível, e a morte me seria muito mais bem-vinda do que viver assim para sempre. No entanto, devemos pensar que o Senhor do País para onde vamos nos disse: não tirarás, jamais, a vida de outra pessoa. Imagine então aceitar o conselho e tirar a nossa própria vida! Também aquele que mata outro homem pode, no máximo, assassinar o corpo de outro, mas matar a si mesmo é matar o corpo e a alma de uma vez...  Você mencionou o alívio da sepultura, mas por acaso se esqueceu do inferno para onde, com certeza, vão os assassino? Assassino nenhum terá a vida eterna... Tenhamos paciência, e suportamos por enquanto. “O tempo pode nos presentear com uma feliz libertação, portanto não sejamos nunca nossos próprios assassinos”

Esperança dissuadiu cristão a entrar na linha de raciocínio de Desespero, afinal Esperança aponta para a esperança de todo o cristão de que seu sofrimento acabará em algum momento, mesmo que ele sofra um pouco, ele sabe o que lhe espera com fé.

Depois de um tempo no castelo de Desespero Cristão ora, e lembra de algo...

—  "Como sou idiota! Ficar aqui nesse calabouço malcheiroso, podendo muito bem andar com liberdade! Trago no peito uma chave chamada promessa, estou convencido que abrirá qualquer fechadura do castelo da dúvida”²

Novamente a Promessa foi a base de Cristão para se livrar de qualquer dúvida e desespero. Bunyan via a perseverança dos santos como algo operado por Deus na prática. Os cristãos perseveram.

Ninguém pode dizer que Bunyan escreveu esses trechos de maneira pueril, Ele mesmo teve depressão e um profundo desespero, por um certo momento de sua vida chegou a tal ponto de desespero que provinha de uma dúvida se ele tinha cometido o pecado imperdoável. Mas as Promessas e a Graça de Deus o confortaram.

Bunyan via as promessas de Deus na escritura como uma das bases pela qual Deus preservava os seus escolhidos, ele não via a perseverança dos santos compatível com o desespero e suicídio, mas sim como algo que vencia o desespero, depressão, desesperança e dúvidas com uma única chave (pegadas) chamada promessa!

Bunyan não estava falando em um esforço de cumprir a Lei, mas em crer nas promessas de Deus na Escritura e renovar sua mente através dela.

Sabemos que John Owen era possivelmente o mais erudito teólogo de sua época, um dos maiores nomes da filosofia calvinista de toda a história e certa vez, Carlos II perguntou a John Owen, “O príncipe dos puritanos”, por que ia ouvir a pregação de John Bunyan, o iletrado latoeiro de Bedford. Owen respondeu: “Majestade, se eu tivesse as habilidades do latoeiro para pregar, voluntariamente abandonaria todos o meus estudos”.

Além de John Bunyan, o pregador Inglês Charles Spurgeon ensinou sobre o assunto, pois com certeza passava por isso, e pode nos mostrar qual a saida verdadeira:

“Ouvi alguém dizer: “Estou atormentado com pensamentos horríveis. Onde quer que eu vá, blasfêmias me invadem. Freqüentemente, no meu trabalho, uma sugestão terrível se impõe a mim e, mesmo na minha cama, me assusto do sono por sussurros do maligno. Não posso me afastar dessa horrível tentação. Amigo, eu sei o que você quer dizer, pois fui caçado por esse lobo. Um homem pode também esperar lutar contra um enxame de moscas com uma espada e dominar seus próprios pensamentos quando eles são atacados pelo diabo."³

Aqui Gentley Morris observa de maneira tática:

“Como C. H. Spurgeon sugeriu brilhantemente, é melhor tentarmos combater um enxame de abelhas atacando com uma espada do que tentar impedir que pensamentos blasfemos cheguem em nossas mentes. Tão ferozmente Satanás odeia todo amigo de Deus que ele só cessará seu ataque quando tiver certeza de que vimos seu truque diabólico tão completamente que não somos mais atormentados por ele.”4

A desculpa das pessoas por não serem libertas de problemas psicológicos reside apenas em sua própria incredulidade e na falta do poder do alto.

A auto-piedade vai deixar você rastejando no chão e dependendo de outros, se você não encontrar sua indentidade em Cristo, e não assumir a Palavra de Deus como Verdade, vai se auto-martirizando.

A Ciência, a Psicologia e a Depressão

É muito comum nos círculos evangélicos hoje falar que a maioria das doenças como TOC, Crise de Ansiedade e Depressão se tratam apenas de mudanças hormonais e de uma série de problemas químicos e biológicos. Sobre isso eu falerei ponto a ponto.

Em primeiro lugar, assumir isso é dar um salto lógico em direção ao método cientifico que cai no problema da indução. A ciência não pode provar nada com toda a certeza e a psicologia por ser comportamental só pode nos dar diagnósticos também indutivos.

Até mesmo o filosofo ateísta Bertrand Russel fala sobre a ineficácia da ciência em produzir qualquer conhecimento valido devido ao problema de afirmar o consequente:

Todos os argumentos indutivos se reduzem, em último caso, à seguinte forma: “Se isto é verdadeiro, aquilo é verdadeiro: ora, aquilo é verdadeiro, portanto isto é verdadeiro”. Claro, esse argumento é formalmente falacioso. Suponha que eu dissesse: “Se pão é uma pedra e pedras são alimentos, este pão me alimentará; ora, este pão me alimenta; portanto ele é uma pedra e pedras são alimentos”. Se eu promovesse um argumento como esse, seria certamente tachado de tolo; contudo, ele não seria fundamentalmente diferente do argumento no qual todas as leis científicas estão baseadas. 5

Dave Hume também demonstrou a impossibilidade do método científico em nos dar algum conhecimento algum devido ao problema da indução. O Problema é colocado mais ou menos assim:

Suponha que você nunca tenha visto um cisne negro, você teve apenas 3 experiencias com cisne na sua vida, na primeira viu 5 cisne todos eram brancos, na segunda viu 100 e todos eram brancos, na terceira viu 50000 cisnes e todos eram brancos, mesmo após constatar isso, você nunca poderá provar que não existem cisne negros.

A Falacia Indutiva é mais ou menos assim:

1. Eu só vi cisnes brancos

2. Logo, não há cisnes negros

Porém, ela pode ser reduzida ao absurdo facilmente

1.       Eu só vi cisne brancos

2.       Logo, pode haver algum cisne negro, azul, vermelho ou rosa em algum lugar

A mesma coisa acontece em toda a experiência sensorial e também pode ser aplicado ao método cientifico por causa de seu principio empírico. Você pode achar estranho, mas pela experiência sensorial você não pode nem provar que tamareiras só geram tâmaras, pois para provar isso empiricamente deveria conhecer todas as tamareiras do mundo em todos os lugares e de todos os tempos da história da existência de tamareiras e então conferir que sempre tamareiras geram tâmaras, mas é impossível que alguém faça isso, ou seja, o argumento é apenas assumido como verdade “tamareiras não geram limões”, se você é Cristão terá que assumir que Deus possa fazer uma tamareira gerar figos ou o que ele quiser, mesmo que isso seja contra a sua natureza, ainda poderá usar o argumento de que “a arvore gera somente conforme a sua espécie e que a arvore boa só gera fruto bom e a arvore má gera fruto mal” (Gn 1.1, Mt 7.17-20), mas isso não é um argumento baseado na experiência, pelo contrário está embasado na autoridade da palavra de Deus e não se pode garantir o empirismo de forma alguma, pois Deus controla a realidade como ele quer.

O Argumento formulado contra o método cientifico é colocado em uma analogia simples por Vincent Cheung:

Considere o seguinte:

Argumento A

A1. Se eu esmurrar Tom no rosto (X), Tom ficará machucado (Y).

A2. Tom está machucado (Y).

A3. Logo, esmurrei Tom no rosto (X).

 

Argumento B

B1. Se Tom está machucado (P), é porque esmurrei Tom no rosto (Q).

B2. Tom está machucado (P).

B3. Logo, esmurrei Tom no rosto (Q).

O argumento B é válido, mas a premissa B1 depende do argumento A, e o argumento A é inválido, pois comete a falácia de afirmação do consequente.

A premissa B1 depende do argumento A, já que em si mesma ela não elimina um número infinito de alternativas. Se Tom está machucado, isso não necessariamente significa que eu esmurrei seu rosto. Talvez ele tenha ido contra uma parede. Talvez ele tenha caído ao descer alguns degraus. Ou talvez Harry, Mary, Jones ou um número infinito de outras pessoas ou objetos possíveis, num número infinito de combinações possíveis, tenha batido no seu rosto (e.g. um alienígena com um martelo, um macaco com uma chave inglesa ou um grupo de pandas).

Assim, o argumento B é válido, mas não sólido, pois o argumento A é inválido. O argumento A corresponde à experimentação científica (a tentativa de descobrir relações de causa e efeito pela formulação e teste de hipóteses). O argumento B corresponde a uma aplicação das conclusões da experimentação científica (aplicação de uma relação de causa e efeito supostamente verdadeira).

Assim, embora o argumento B seja válido, ele é completamente inútil.

Para tornar isso ainda mais claro com um exemplo:

Se a água é úmida (X), Vincent Cheung é presidente (Y).

A água é úmida (X).

Logo, Vincent Cheung é presidente (Y).

Válido, mas falso e inútil.

Voltando ao seu exemplo, sua premissa 1 é similar à premissa B1 acima. Por si só ela não exclui um número infinito de alternativas. Assim:

Se esta solução se tornar esverdeada (X), um alienígena cuspiu nela (Y).

Esta solução se tornou esverdeada (X).

Logo, um alienígena cuspiu nela (Y).

É a isso que equivale todo o empreendimento científico: primeiro, a uma repetição sistemática da falácia de afirmação do consequente, e segundo, a uma aplicação sistemática das conclusões falsas assim obtidas.

A intenção não é insultar os cientistas, mas lembrá-los a permanecer humildes perante Deus e reconhecer sua ignorância, pois Deus tornou louca a sabedoria deste mundo. Até onde o homem mantiver a si mesmo no centro do conhecimento, julgando que por seu próprio poder descobrirá todas as coisas, não conseguirá descobrir de fato nada. 6

Em segundo lugar um cristão deveria sempre considerar os elementos da Palavra de Deus, que atribui pensamentos malignos a dardos inflamados do maligno, ou seja, pressupõe batalha espiritual e além disso pressupõe a carne e o poder do pecado, das duas maneiras a bíblia ensina que você deve vencer o pecado pela Palavra, Fé e pelo Poder de Deus (Ef 6.10-18, Rm 8.1-39)

Pessoas depressivas odeiam que você esteja vencendo a sua própria depressão, elas são tão egoistas que quando elas descobrem que você descobriu liberdade em Jesus Cristo, nas promessas de Deus e na fé, elas sentem uma espécie de culpa por não terem conseguido isso também e querem te puxar de volta com elas para o abismo de autopiedade e danação em que elas se encontravam. Satanás faz o mesmo, por ser um infeliz e um derrotado tenta te tirar da posição que Deus te colocou em Cristo. Para isso, ele e essas pessoas vão te dar diversos argumentos de porque a depressão é algo tão grande e como você é alguém tão pequeno e fraco, como sua carne é fraca etc... Isso mina a sua identidade em Cristo, você é fraco na carne, mas o Espírito é forte ele te dá poder para vencer a carne por meio da fé. Para que elas continuem te deixando depressiva assim como elas que não querem abandonar o pessimismo e auto-comiseraçao elas vão começar a citar diversas autoridades cientificas e mesmo que você esfregue em suas caras que a ciencia cai no problema da indução elas vão continuar a apelar para isso e também para autoridades de pastores ou figuras da fé que defendem uma falsa piedade.  Não permita isso, do contrário seu segundo estado se tornará pior do que o primeiro.

Vincent Cheung fala sobre fazer do sofrimento algo tão importante que as pessoas não conseguem se livrar dele:

Os cristãos costumam considerar os puritanos especialistas em depressão espiritual ou "melancolia". Acho que foram especialistas em permanecer nela, e não em triunfar sobre ela. Só porque eles escreveram muito sobre isso não significa nada se eles continuassem lutando com isso. Suas listas intermináveis ​​sobre todos os tópicos promovem o tédio, a depressão, a angústia e a raiva em vez de resolverem os problemas que abordam. As pessoas que estudam os puritanos em busca de ajuda neste assunto podem sentir que encontraram seus espíritos afins entre esses teólogos entediantes, mas há apenas ressonância, e nenhum avanço. Quando um demônio vem para oprimi-los, eles o convidam a sentar e tomar chá com a coisa. Eles o estudariam e viveriam com ele por anos [...] 7

Vincent Cheung aqui ataca a falsa piedade e a incredulidade que flui até mesmo dentre aqueles que são considerados “os melhores” no assunto sobre melancolia eu aconselho a ler o artigo inteiro, e no último parágrafo, deste mesmo artigo ele conclui:

“Para os cristãos, o sofrimento é um fetiche existencial. Talvez você goste deste sistema de dor e luta religiosa, porque faz você se sentir piedoso. Você está se excitando, seu maluco. Não tem nada a ver com viver para Cristo. Você é falso. Se você negar a si mesmo, então Cristo viverá em você, e você exibirá suas qualidades e poderes. Se você negar a si mesmo, você terá fé, alegria, paz, cura e o poder do Espírito e todas as coisas que Jesus Cristo sofreu para obter para você. Deus até o ressuscitou dos mortos e o ordenou para supervisionar a aplicação da redenção, para se certificar de que você receberá o que pertence a você em Cristo, e que ninguém pode tirá-lo de você. Mas o que você faz? Você cuspiu na cara dele, pisou no sangue dele e então pregou sobre isso como se fosse um evangelho.”8

Ou seja, a libertação do pecado, do poder das trevas e do domínio do diabo vem da obra de Cristo, isso significa que todo o cristão deve triunfar sobre o pecado, quando a biblia fala sobre sofrer por Cristo ela não fala sobre depressão e pensamentos blasfemos, mas ela fala sobre ser perseguida por pregar a verdade do evangelho, ou seja, pregar o arrependimento e aquilo que Cristo conquistou para o Seu Povo na Cruz do Calvário. Não há desculpa nenhuma para nós aceitarmos o sofrimento e não triunfarmos sobre ele pela fé, o Espírito é infinitamente mais poderoso que a carne, ele vence e sempre vencerá a carne, Deus não mente e não pode voltar atrás em suas promessas!


¹ John Bunyan, Graça abundante para o maior dos pecadores

² John Bunyan, O Peregrino

³ Charles H. Spurgeon, citado por Gentley Morris, http://www.net-burst.net/guilty/Charles_Spurgeon_blasphemy_portugues.htm

4 Gentley Morris, Ibid

5 Bertrand Russell, The Problems of Philosophy; Oxford University Press, 1998.

6 Vincent Cheung, Um Grupo de Pandas (trecho), veja o artigo completo aqui: http://monergismo.com/vincent-cheung/um-grupo-de-pandas/

7 Vincent Cheung, trecho de “Sofrimento: um Fetiche existencial”, veja o artigo completo aqui: https://www.vincentcheung.com/2016/10/25/suffering-an-existential-fetish/

8 Ibid.

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Espada do Espírito (Introdução)




Esta série de artigos é uma versão expandida da seção "Da Palavra de Deus" do livro que escrevi "Teologia Sistemática Pressuposicional", este se trata do primeiro que é uma introdução a doutrina da Palavra de Deus 

Yuri Andrei Schein quinta-feira 24/09/2020

Eu decidi produzir esse escrito, tanto ampliando como corrigindo capítulos da minha Teologia Sistemática “beta" que disponibilizei gratuitamente na internet. Não estou ciente do seu alcance ainda, mas tenho visto pelo menos dezenas de pessoas que alegam estar sendo edificadas pela versão gratuita que disponibilizei do manuscrito, porém o que você tem em mãos é diferente, pois se trata de uma versão que revisei e fará parte da versão definitiva da minha Teologia Sistemática Pressuposicional.

Na presente obra, você vai ter o encontro com as Escrituras Sagradas e com a importância que devemos dar a elas, desde a sua inspiração e procedência divina até o grau máximo de autoridade que ela possui. Vamos decorrer desde a autoridade espiritual, intelectual e até a autoridade prática da Escritura, com autoridade prática eu quero dizer com o modo em que ela deve ditar, através da ação sobrenatural do Espírito Santo portanto, modificar nossa vida na prática.

Como o próprio título “Espada do Espírito” traz finalmente a ideia de confronto com o inimigos e oponentes da autoridade divina. Não há nada que a carne e o diabo odeie mais do que a autoridade de Deus, e esses dois inimigos malignos se colocam tão ferozmente contra o Espírito Santo e a Sua Palavra que a única saída que temos é reduzir ambos a pó. Com toda a certeza isso não seria possível se Deus não fosse soberano e não nos capacitasse treinando-nos para essa grande obra.

A energia intelectual é uma das coisas que o diabo mais quer roubar de nossa vida, ele quer nos sugar como um mosquito, ou como um parasita, isso acontece, pois a força motriz para as nossas decisões se encontra na nossa mente, se ela permanece ordenada e fundamentada na Palavra de Deus então Satanás e seus lacaios irracionalistas perdem terreno. O diabo odeia perder, é um fato que temos muito torpor intelectual por causa da nossa carne. Mas se recuarmos intelectualmente perderemos terreno para satanás e isso pode ser desastroso para a Igreja e principalmente para nós. Uma pessoa que decida pensar biblicamente é um alvo odiado no inferno, e uma pessoa que deseja fazer com que outras pessoas pensem biblicamente se torna um alvo ainda maior. Por isso, durante a leitura eu peço a você que se lembre de mim em suas orações, não por temer o diabo, mas para que eu possa pela graça e pelo Reino de Deus ter mais força e energia intelectual que procede do bendito e poderoso Espírito Santo, isso tudo na medida da Fé que Ele mesmo quer repartir a cada um de nós.

Outra coisa que expus nessa obra se trata da resistência dos ímpios com todos aqueles que se esforçam por trilhar um caminho teológico, e não apenas dos ímpios, mas também daqueles que nos resistem em nossas próprias famílias e igrejas as vezes, com resquícios do anti-intelectualismo ou pragmatismo não-cristãos. Quase todo o teólogo e filósofo cristão é resistido pelas pessoas mais próximas a ele, mas isso não deve nos levar a ser agressivo com as pessoas a nossa volta. Devemos nos lembrar que Jesus disse que ele nos enviaria como ovelhas em meio aos lobos (Mt 10.16), com isso não quero dizer que sempre os irmãos e parentes são lobos, mas pela carnalidade muitas vezes até os irmãos agem como lobos. Isso é alarmante, pois até mesmo nós cristãos podemos agir de maneira carnal e agressiva muitas vezes quando alguém vem nos corrigir com a Palavra de Deus. Que Deus nos guarde disso!

Jesus disse que nenhum profeta tem honra ou é bem recebido em sua própria terra (Lc 4.21-30) e isso ele não falou referindo apenas a si mesmo, mas a todos aqueles que proclamam a Palavra de Deus. Se você decide ser um cristão incomum e radical você vai enfrentar o problema do ad hominem, as pessoas mais próximas de você não vão querer te ouvir por causa das suas falhas morais. Elas querem ser o parâmetro para a sua vida, mas não se engane ninguém pode viver a sua vida no seu lugar! Isso não significa que você vai deixar de dar ouvidos a outras pessoas, mas muitas vezes você tem que perceber onde tais estão minando seu ministério.

Se aproximar da Palavra de Deus e ter posições dogmáticas coloca, como é já disse, um alvo grande em suas costas, e por isso mais uma vez recorremos aquilo que o Senhor diz na Palavra dele:

"Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada; Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra; E assim os inimigos do homem serão os seus familiares" (Mateus 10.34-36)

A sua posição dogmática ao seguir o Senhor Jesus ao invés da opinião, tradição ou senso comum dos homens irá colocar eles contra você e vice e versa. Aqueles que não nasceram de novo jamais irão ver você com bons olhos.

Estudar teologia é sempre algo que trás conflitos. Muitas vezes as pessoas agem como se aqueles que se perdem na contemplação de Deus pela tarefa teológica estejam fugindo do trabalho ou no ócio. Até mesmo alguns cristãos pensam assim, e podemos ver em nosso meio que existem pessoas que não honram nenhum trabalho intelectual que não tenha grande remuneração. Se você decide compartilhar sua obra intelectual de graça então é pior ainda. Na nossa cultura imediatista e pragmática algo não gera lucro financeiro, rápido e prático é uma atividade inútil. Realmente, o apóstolo Paulo diz “aquele que não trabalhar que não coma" (2 Ts 3.10), mas o mesmo apóstolo diz que o ministro deve ser remunerado “especialmente os que labutam na pregação e no ensino.” (1 Tm 5.17). Infelizmente boa parte das pessoas não veem assim, e muitos ministros despreparados que talvez nem sequer leram a bíblia de capa a capa ou que não tem uma prática comum de leitura são levantados por causa do seu “carisma" ou capacidade de “agitar as massas", sem contar naqueles que são levantados por interesse econômico o que é um problema sério gravíssimo.

A Igreja tem a tendência de honrar pregadores pragmáticos, pois esses estão preocupados em resolver seus problemas pessoais, embora a Bíblia nos ensine a resolver problemas pessoais, o ensino dela está longe meramente disso, ela enfoca no ensino sobre Deus e as insondáveis riquezas em Cristo. Ela molda nossa maneira de pensar, leva nosso pensamento cativo a Cristo em contemplação a Deus e nos faz descansar na mão poderosa dEle. Deus é o alvo final do estudo ou exposição da Escritura Sagrada e não nossos problemas, além disso, se o pregador for honesto, muitas vezes os problemas são coisas que não devem ser resolvidas de maneira imediata, mas que devemos passar para nosso aperfeiçoamento (Rm 8.28). É claro que isso tudo vai nos levar a uma prática, mas a vida prática não é o fim por si. É impossível vida prática sem antes vida intelectual, e quanto mais rebelde você for (e creia em mim, todos os filhos de Adão são rebeldes) mais ainda você precisa de uma mente e intelecto voltado para a Escritura Sagrada.

Muitos dos crentes que desprezam os estudantes de teologia e aqueles que se lançam a leituras e debates teológicos fazem é agir como Faraó no Egito. A Escritura conta que Moisés ao ser chamado para libertar o povo de Deus do Egito, foi até faraó e disse que o Senhor havia encontrado seu povo e ordenava que Faraó os libertasse, além do desdém, o rei do Egito respondeu que iria dobrar as cargas do povo de Deus e sobrecarregou mais ainda o povo. Ao ser questionado pelos hebreus sobre a razão dele ter feito isso, ele respondeu “estais ociosos”, ou seja, esse negócio de adorar o Deus de vocês no deserto só pode ter sido uma ideia que surgiu do “ócio”, vocês estão com preguiça e por isso ficam falando nesse “Senhor" de vocês.  A ideia da região piedosa, da contemplação e da adoração sempre leva a pessoa carnal a acusar você de ser ocioso ou preguiçoso.

Respondeu o faraó: Preguiçosos é o que vocês são! Preguiçosos! Por isso andam dizendo: “Iremos oferecer sacrifícios ao Senhor”. Agora, voltem ao trabalho. Vocês não receberão palha alguma! Continuem a produzir a cota integral de tijolos! (Êxodo 5.17)

Para finalizar, eu desejo que você tenha uma boa leitura e quero encorajar você a conhecer e colocar em prática aquilo que o Mestre Interior ensina-lo durante sua caminhada Cristã.

 


quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Sob Ataque Espiritual (trechos) Vincent Cheung


Todos os ataques espirituais são inteligíveis, no sentido de que podem ser compreendidos e discutidos. E, ao discuti-los, podemos estar mais preparados para enfrentá-los. Todos os ataques são intelectuais, pelo menos neste sentido. Eles podem ser definidos e discutidos por doutrinas adequadas. Mas nem todos os ataques espirituais são intelectuais, no sentido de que você pode argumentar contra eles. Em alguns casos, os argumentos são irrelevantes ou você pode ganhar todos os argumentos que quiser e ainda assim perder a luta. Isso ocorre porque o inimigo não está discutindo com você.

Suponha que eu ataque você e o empurre no chão. Tudo sobre o evento é inteligível. Podemos ter uma discussão intelectual sobre isso. Podemos debater todos os aspectos sobre ele, como o motivo do ataque, a física do evento e as questões morais relacionadas a ele. Não é uma ocorrência mística. No entanto, não o ataquei com um argumento e você não pode se defender com um argumento. Não há conteúdo intelectual no ataque em si. Se houver alguma discussão, você pode vencê-la e ainda assim acabar no chão, derrotado. O ataque é físico. Eu ataco você com força física. Você só poderia se defender com força física. Uma compreensão intelectual sobre a força física pode ajudá-lo a alavancar suas habilidades físicas. Mas para enfrentar o ataque e superá-lo, da mesma forma, alguns ataques espirituais não fazem sentido, uma vez que não há pensamentos ou argumentos os impulsionando, e quais pensamentos eles o pressionam a aceitar, muitas vezes não encontram base em suas atuais circunstâncias ou expectativas, mesmo ao contrário do que sua situação deveria levar você a pensar. Os ataques são irracionais ou anti-racionais. No entanto, eles podem ser extremamente fortes. Eles podem fazer com que a pessoa perca todo o senso de realidade, alegria ou esperança. Uma resposta intelectual ajudará. Ele fornecerá uma base sólida para a reação adequada. Isso o ajudará a aproveitar os recursos de que você dispõe para se defender. Mas por si só permanece incompleto. Novamente, é porque o ataque espiritual de fato não contém nenhum argumento. Ele nem mesmo tenta reivindicar uma posição racional elevada. Você pode debatê-lo e, se encontrar algum ponto para se agarrar, você pode até vencer o debate. Mas o ataque vai apenas encolher os ombros e empurrá-lo do penhasco de qualquer maneira. Não está tentando debater com você. Nunca se importou com a verdade. Alguns ataques de fato vêm com pensamentos e argumentos, mas estão entrelaçados com essa mesma força espiritual, de modo que, mesmo que você ganhe a discussão, o resultado é o mesmo. Ele dá de ombros e o empurra do penhasco

Quando Saul foi assediado por um espírito maligno, Davi não discutiu com o demônio. Ele foi ungido com o Espírito de Deus e, quando tocou música, houve um poder espiritual que compeliu o espírito a partir à força. Jesus não debateu os demônios. Ele não explicou a eles que eles estavam errados em possuir suas vítimas e tornar suas vidas miseráveis. Se os demônios ainda não soubessem disso, eles teriam ficado felizes em descobrir o quão mal eles eram. Jesus não explicou a eles que era o Filho de Deus e que esses espíritos deveriam ter medo dele. Na verdade, eles já sabiam disso e gritaram e persistiram até que ele lhes ordenou que saíssem do povo que ocupavam. Ele os expulsou pela força ou, como disse, pelo dedo de Deus. Como ele explicou, um homem forte pode proteger uma casa, mas então um homem mais forte vem e amarra o primeiro homem e assume a casa. E quanto a doenças? Jesus não os convenceu a partir. Ele repreendia a febre e a febre ia embora. Uma tempestade atacou seu barco. Poderia pelo menos ter matado os discípulos, mas não por uma abundância de argumentos. Não veio para debatê-los. Jesus repreendeu a tempestade e a tempestade cessou.

Considere a garota que tnha espírito de adivinhação. Ela seguiu Paulo e seus companheiros, gritando: "Estes homens são servos do Deus Altíssimo, que declaram a vocês o caminho da salvação." Este ataque foi realmente acompanhado por palavras e pensamentos. Paulo respondeu com um contra-ataque intelectual? Paul discutiu com ela fora da cidade? O que ele poderia ter dito? O que havia para discutir? Ele deveria dizer que eles não eram servos de Deus, ou que seu Deus não era o Altíssimo, ou que eles não vieram para lhes dizer o caminho da salvação? Sua declaração não era falsa, e não havia nada para discutir. No entanto, foi um ataque espiritual de um espírito de adivinhação. Como sua teologia lidaria com isso? Como você fará sua apologética quando seus inimigos, incluindo os demônios, concordarem com você? Minha teologia me diria para expulsar o demônio, e minha apologética saberia como fazer isso e me preparou com o poder espiritual para fazer isso acontecer. E assim fez Paulo: “Ordeno-te em nome de Jesus Cristo que saias dela.” Ele dominou o demônio. Ele ganhou. O espírito deixou a menina e ela perdeu aquele poder espiritual que a movia. Quando Jesus encontrava pessoas possuídas por demônios, às vezes os espíritos gritavam: "O que você está fazendo aqui, Filho do Deus Altíssimo?" Jesus não disse: “Bem, veja, estou aqui porque ...” ou “Não, não sou o Filho de Deus”. Qual seria a sua apologética nesta situação? Os demônios estavam com medo e corretamente disseram que ele era o Filho de Deus. Veja sua "apologética" - "Cale a boca e saia dele!" Se você acha que a apologética trata apenas de argumentos, você não conhece a apologética bíblica. Deve haver argumentos, mas esses argumentos estão entrelaçados com poder milagroso. Se não houver poder, você tem uma falsa apologética, porque não existe uma vindicação bíblica de Deus sem a participação do poder divino.

A tentação de Jesus provalmente envolveu tanto argumento intelectual quanto poder espiritual. Devemos, de fato, assumir que ambas as coisas estão envolvidas em ataques espirituais, apenas que alguns ataques se concentram mais no assédio intelectual e no engano, enquanto outros aumentam a força espiritual aplicada contra a pessoa que pode ser eficaz independentemente de quaisquer pensamentos e argumentos. A troca intelectual entre Jesus e Satanás foi elaborada. Jesus respondeu ao diabo com as Escrituras, e então o diabo tentou distorcer uma promessa de Deus para enganar Jesus, que então expôs o engano com outra declaração das Escrituras. No entanto, não se esqueça de que, no final do relato de Mateus sobre o incidente, Jesus disse vigorosamente a Satanás para sair. Então, as Escrituras dizem: “Jesus voltou no poder do Espírito. ”Não foi apenas um choque de inteligência teológica ou caráter moral, mas também de poder espiritual. Suponha que você afirme: “Louvado seja Deus! De acordo com a Bíblia, a oração de um homem justo é poderosa e eficaz. ” Então Satanás sussurra: "Sim, mas você não é justo." E você rebate: “Deus fez com que aquele que não conheceu pecado seja pecado por nós, para que possamos nos tornar a justiça de Deus em Cristo. Eu não sou justo em mim mesmo, mas meu justo não é considerado. O próprio Jesus é minha justiça. Deus o declarou justo e o ressuscitou dos mortos. ” Você está certo. Você ganhou o argumento intelectual. Não devemos prejudicar o que você alcançou. No entanto, a menos que você seja forte em espírito, quando está sob pressão demoníaca, você pode nem mesmo conseguir se convencer. A vitória não é completa e a liberdade genuína se esquiva de você. Se você já foi atacado dessa forma, deve saber o que quero dizer. Então, alguns ataques são quase puramente espirituais. É como se alguém lhe desse um soco na cara e se recusasse a dizer o motivo. Não há argumento para vencer. A única maneira de vencer é socá-lo de volta e derrubá-lo sem dizer o motivo. Não há argumento para vencer. A única maneira de vencer é socá-lo de volta e derrubá-lo.

Poder. Força é o que você precisa. A ortodoxia cristã está acostumada a promover uma cultura de falsa humildade e sacrifício, e sofrimento insanamente estúpido e, junto com isso, também um desprezo pelo poder no espírito. Se fala de poder, é um poder para suportar, e não um poder para superar, para alterar a realidade, para transformar o sofrimento em prosperidade e vitória. Esta situação existe porque a Igreja viveu sob o engano de Satanás. É o poder de Deus que vence o maligno, e nunca a paciência sem fim e o sofrimento sem sentido do homem. O poder do céu é o que Satanás teme. Ele não fica nervoso quando os cristãos repetidamente - e heroicamente! - batem suas cabeças em uma parede de sua própria fabricação. Ele ri de seu sacrifício aleatório. Ele é aquele que os engana. Ele quer que nos sintamos espirituais e servindo a Deus quando a verdade é que estivemos imobilizados, fazendo muito esforço, mas o tempo todo correndo loucamente em um pequeno círculo. Satanás usa uma teologia de fraqueza para fazer dos cristãos seus hamsters de estimação. Quase toda teologia ortodoxa na história da igreja foi infectada com essa teologia de fraqueza. Quase todos os heróis da igreja, históricos e modernos, foram cúmplices dela. Os cristãos pensam que começaram algum tipo de revolução quando a única coisa girando para eles é uma roda de hamster. Eles se esforçam tanto, apenas para se matar com sua própria teologia de descrença e derrota. O hamster sabe que não está indo a lugar nenhum, que realmente não está avançando? Ele sabe que é tudo para se exercitar e se divertir? Se sim, então é mais inteligente do que os cristãos. Seus esforços teológicos não passam de mero exercício e entretenimento. A teologia feita corretamente avançará em poder, produzindo efeitos tangíveis e milagres.


Poder. Força é o que você precisa. Você deve ter. Então você deve ter mais. Se sua teologia limita seu poder, jogue-o fora. Isto é falso. A verdadeira teologia deve estimular um desejo enlouquecido de poder espiritual e um amor pelos outros para beneficiá-los com esse poder. Nunca tenha vergonha de buscar poder espiritual. Esse sentimento de vergonha também vem de Satanás. O poder é o que o derrota. Jesus disse: "Você receberá poder, quando o Espírito Santo descer sobre você." Paulo escreveu que existe um poder que opera poderosamente dentro dele. Ele disse que Deus fará mais do que pedimos ou pensamos pelo poder que ele faz trabalhar dentro de nós. A vida cristã tem a ver com poder, não menos do que com amor, humildade ou verdade. Isso é óbvio quando lemos as Escrituras. Mas os cristãos têm apenas vergonha de buscar poder. E então, como caranguejos irracionais, eles destroem aqueles que desejam sair daquela prisão teológica para um mundo de poder em Cristo. Eles são a glória de Satanás! Os cristãos até usam as doutrinas relativas ao amor, humildade e sacrifício para atacar as doutrinas de poder, fé, cura e prosperidade. É um engano simples, mas Satanás nunca precisou fazer mais. Cristãos como esses se tornam nada mais do que caranguejos e hamsters estúpidos para ele. Ele ri e entoa suas frases em latim junto com eles. “Corem Deo! Corem Deo! ” ele ruge de alegria. “Jesus eu sei, Paul eu sei, e Vincent eu sei, mas quem é você?” Se formos realmente humildes, buscaremos poder - poder de Deus para nos ajudar. Se realmente amarmos a Deus e as pessoas, buscaremos poder - poder para servir a Deus e abençoar as pessoas. Mas não! Os cristãos gritam: "Vamos chorar, sofrer e ser pobres, pois amanhã morreremos!" Os cristãos até usam as doutrinas relativas ao amor, humildade e sacrifício para atacar as doutrinas de poder, fé, cura e prosperidade. É um engano simples, mas Satanás nunca precisou fazer mais.


É por isso que a Igreja foi fraca ao longo dos séculos. Foi enganado. Ela foi satisfeita desde que pudesse continuar pensando que tem uma posição moral elevada. Satanás nem mesmo quer uma posição moral elevada. Ele quer vencer. Os profetas e apóstolos, e acima de tudo o próprio Jesus, enfatizaram o poder de Deus. Jesus era o menos ciumento de seu poder de fazer milagres. Ele disse a seus discípulos para curar os enfermos, expulsar demônios e ressuscitar os mortos. Então ele disse a mais discípulos para fazerem essas coisas. Então ele disse a seus discípulos para não pararem mesmo aqueles a quem ele nunca comissionou para fazer essas coisas. E então ele disse que todos os que acreditam nele podem fazer essas coisas, e até mesmo coisas maiores do que essas. Jesus queria que todos fizessem milagres, para que o Pai recebesse honra pelas coisas feitas pelo nome de seu Filho Jesus Cristo. Mas os cristãos têm mais vergonha de buscar o poder espiritual, divino e milagroso. Por quê? Vamos acordar! O poder é o que derrota Satanás. O poder de Deus é o que faz as coisas acontecerem para o evangelho.


Costuma-se dizer: "As Escrituras dizem que Deus é amor, mas não dizem que Deus é poder." Na verdade, sim. Diz isso de uma forma mais forte do que a maioria dos cristãos gostaria de admitir, e em um contexto mais intenso do que “Deus é amor” na carta de João. Jesus declarou: “De agora em diante vereis o Filho do homem assentado à direita do Poder e vindo sobre as nuvens do céu” (Mateus 26:64; Marcos 14:62). Em outros contextos, a palavra se refere a um poder milagroso, como quando Jesus disse: “Saiu de mim poder” para curar a mulher com a doença que sangra, ou quando ele disse: “Você receberá poder quando o Espírito Santo vier sobre vocês." Poder. Isso é o que Jesus chamou de Deus. Ele não disse que estaria sentado à direita do Amor ou da Sabedoria. Ele não usou uma palavra diferente para o poder para chamá-lo de Autoridade, mas ele o chamou de poder, habilidade e força brutas. Não importa qual desculpa hermenêutica você tente usar, eu conheço todos os truques e já os considerei, e permanece o fato de que neste lugar ele não se referiu a Deus como outra coisa senão PODER. Deus é poder tanto quanto Jesus é Palavra. Onde está Jesus? Poder. Ele está ao lado do PODER. Que tipo de poder? Poder para milagres. Poder sobre os demônios. Poder de governar na criação. Os cristãos têm vergonha do poder. E se você tem vergonha do poder, você tem vergonha de Deus, pois Deus é poder. Se você se recusa a buscar poder, você se recusa a buscar a Deus. Se você zomba do poder milagroso como se fosse um espetáculo secundário, você zomba de Deus como se ele fosse um espetáculo secundário. e permanece o fato de que neste lugar ele não se referiu a Deus como outra coisa senão PODER.

Tudo o mais que os cristãos têm dito sobre “Deus é amor” pode ser dito com ênfase ainda maior sobre o poder. Você adora aquele que está no trono? Você levanta as mãos e louva aquele cuja mão direita é o seu Senhor? Boa! Mas seu Senhor o chamou de Poder. Agora você ainda o adora? Você adora o poder? Você agora está zeloso de se sobressair em poder tanto quanto deseja se sobressair no amor? Ou você recua e insiste em chamá-lo de outra coisa? Não adoramos o poder, como em alguma força impessoal. Mas poder? Certamente, adoramos o Poder, como em Deus que é Todo-Poderoso. Se você não adora o poder neste sentido, você não adora a Deus de forma alguma. Como dizem as Escrituras: “Ninguém jamais viu a Deus, mas Aquele que é Deus, que está ao lado do Pai, o fez conhecido.” Se você rejeitar o Deus que o próprio Jesus declarou, que é Poder - poder milagroso - você queimará no inferno. Mas os cristãos têm vergonha do poder. Eles têm vergonha de tal Deus, que é Todo-Poderoso. Quantas vezes você já ouviu dizer: “Deus tem poder, mas Deus é amor”? Jesus negou isso. Deus é poder pelo menos tanto quanto Deus é amor. O próprio poder está no trono, e Jesus está à direita do poder. Este é o evangelho. Aceite isso ou invente outra religião.

Aceite isso ou invente outra religião.

Satanás convenceu os cristãos de que é profano e não espiritual buscar poder espiritual. Mas Jesus está à direita do Poder. Buscar aquele que está no trono é buscar o poder. Portanto, é muito santo e espiritual buscar o poder espiritual, não menos do que é santo e espiritual buscar o amor divino, porque - você adivinhou - Deus é amor. É claro que Satanás também tentou impedir os cristãos de andarem em amor, mas parece que ele nunca tentou convencê-los de que é profano e não espiritual andar em amor. Ele tem medo do poder. E o amor permanece ineficaz sem o poder espiritual e milagroso que supostamente exerce. Se você ama como Deus ama, você desejará pregar a verdade, curar os enfermos e expulsar demônios. O poder permite que você faça essas coisas. A compaixão é o catalisador mais forte no ministério de cura, mas sem poder, é compaixão falsificada ou compaixão frustrada. Amor e poder não estão em conflito, mas se você andar em amor, buscará o poder. Ore para que Deus conceda a você, “segundo as riquezas de sua glória, ser fortalecido com poder pelo seu Espírito no homem interior”. Poder. Você deve ter a verdade como base. Então você deve subir no poder. Toda essa discussão sobre poder é verdade teológica. Mas não vai liberar poder se você apenas debater e sentar sobre ele. A verdade liberará poder quando você a afirmar com ousadia e agir de acordo com ela. Faça.

📚 VINCENT CHEUNG, Trecho de "On Spiritual Attacks"



terça-feira, 22 de setembro de 2020

Duas Coisas Bobas (Vincent Cheung)


Uma doutrina de compatibilismo é frequentemente afirmada. Dizem que a soberania de Deus é compatível com a liberdade do homem, porque as decisões do homem não são coagidas, mas esse homem sempre age de acordo com o seu desejo mais forte. Então, essa suposta liberdade é frequentemente usada como base para a responsabilidade moral do homem.

No entanto, se a soberania de Deus é exaustiva, então tudo é explicado por ela, incluindo os desejos do homem e o fato de que ele age de acordo com seus desejos. Portanto, o fato de que não há coerção não é uma indicação de liberdade, mas um reflexo de que Deus controla todas as coisas. E mesmo que haja resistência, isso não indica liberdade, mas que, para seu próprio propósito, Deus está fazendo com que uma coisa reaja contra outra.
Em outras palavras, a doutrina da soberania divina é um princípio tão abrangente que todo o restante é explicado e interpretado por ela. Sob este princípio, o compatibilismo é irrelevante. Como existe apenas uma causa verdadeira, a compatibilidade não pode ser usada para demonstrar nada a não ser dizer que essa causa é compatível consigo mesmo. Dizer que qualquer coisa sob este sistema é compatível com outra coisa é não dizer nada além de que Deus é compatível consigo mesmo.
Se afirmo que tenho poder sobre a minha porta, você pode pensar que é muito esperto e salientar que fechar a porta é compatível com o fechamento da porta. Claro! E a porta não é coagida! Mas isso não garante liberdade à porta — ela não se fecha por sua vontade própria e poder. A declaração falha em demonstrar qualquer outra coisa além de reafirmar que tenho poder sobre a porta.
Da mesma forma, dizer que Deus é soberano e que o homem decide de acordo com seu próprio desejo é dizer que Deus fazendo com que um homem tenha um desejo e decida de acordo com esse desejo é compatível com Deus sendo soberano. Mas isso só me diz como Deus usa sua soberania, ou o que ele faz com ela. Se o objetivo é esculpir um lugar para a liberdade humana, ou demonstrar algo que não seja para reafirmar a soberania de Deus, é totalmente mal sucedido. É uma das coisas mais bobas da teologia.
Alguns tentaram resgatar a doutrina alegando que eu a deturpei. Eles dizem que os teólogos não chamam isso de um tipo de liberdade, ou se chamam ou não, eles não a tornam uma base para a responsabilidade moral. Eu tenho duas respostas para isso. Primeiro, essas pessoas evidentemente não sabem o que o compatibilismo ensina. Os teólogos de fato o chamam de uma espécie de liberdade, e muitos, se não a maioria deles, realmente o tornam uma base para a responsabilidade moral. Eu documentei isso com alguns dos mesmos teólogos que eles afirmam confiar na definição da doutrina. Segundo, se a doutrina nunca é chamada de um tipo de liberdade, e nunca usada como base para a responsabilidade moral, isso pode torná-la menos absurda, mas também a torna ainda menos relevante. Torna-se uma observação enganosa que não prova nada. E se o único objetivo é que as decisões humanas não são coagidas, eu já respondi isso acima.
Às vezes dizem que minha posição bíblica se assemelha ao panteísmo, já que sustenta que Deus é a única causa real. Mas isso não é tanto uma objeção a ser respondida quanto uma suposição a ser exposta e maravilhada com horror. A pessoa que faz essa objeção assume que Deus é identificado com o que ele controla ou causa, de forma que se Deus controla e causa todas as coisas, então ele é identificado com todo o universo, resultando em panteísmo. A Escritura e eu rejeitamos essa suposição, e não há nada inerente à ideia de que Deus é a única causa que compele uma identificação com o panteísmo. Não é impossível ou contraditório afirmar que Deus controla e causa todas as coisas, mas que ele não está identificado com essas coisas. Ele pode controlar totalmente uma rocha e não ser a rocha. A menos que haja um argumento para forçar essa identificação, não há mais nada a dizer como resposta.
A doutrina bíblica é muito mais simples: Deus é soberano e o homem não é livre. A soberania divina é incompatível com a liberdade do homem. Isso não tem nada a ver com responsabilidade moral, uma vez que a responsabilidade moral refere-se ao ato de prestar contas, e Deus responsabiliza o homem; portanto, o homem é responsável. A liberdade humana não tem entrada lógica na discussão.
Vincent Cheung. Two Silly Things, do livro Sermonettes — Volume 2, pp. 78–79.
Traduzido por Luan Tavares em 15/08/2019.
Sobre o autor: Vincent Cheung é um pregador e escritor cristão. Ele e sua esposa moram nos Estados Unidos.