Crônicas da Guerra dos Duzentos Anos — Livro Primeiro
Por Yuri Andrei Schein
Ad’Heim é um mundo devastado por uma guerra que atravessa gerações. Há quase dois séculos, os reinos enfrentam o avanço de um Império que combina poder militar, magia e tecnologia arcana. Entre fortalezas medievais, máquinas de guerra e experimentos capazes de ameaçar a própria existência, a sobrevivência tornou-se uma conquista diária.
É nesse cenário que começa a história de Ragnarok.
O nascimento de uma tragédia
Ragnarok era apenas um jovem habitante de Valdora, uma pequena aldeia distante dos grandes centros de poder. Sua vida muda quando o arquimago imperial Malachar Veyr conduz um experimento com o Vórtice Negro, uma anomalia dimensional capaz de consumir matéria, luz e existência.
O experimento fracassa. Valdora desaparece, juntamente com seus habitantes e tudo o que existia ao redor. Ragnarok é o único sobrevivente conhecido. Quando desperta, carrega uma marca irreversível: seus olhos passam a ter escleras negras e íris brancas.
A inscrição encontrada no centro da devastação registra um único nome: RAGNAROK.
A marca, entretanto, não é apenas uma cicatriz. Ela guarda uma força desconhecida, que se manifesta em situações extremas sob a forma de um poder devastador posteriormente chamado de Forma do Abismo. Velocidade sobrenatural, regeneração acelerada e a capacidade de absorver a energia residual dos inimigos mortos tornam Ragnarok uma ameaça até mesmo para exércitos inteiros. Mas esse poder cobra seu preço: quanto mais o utiliza, maior é o risco de perder o domínio sobre si mesmo.
O caminho da lâmina
Movido pela esperança de reencontrar seu irmão White, que havia partido anos antes em busca de mapas e portais, Ragnarok atravessa regiões selvagens até alcançar uma antiga passagem para Arkalön.
Nesse outro mundo, encontra o elfo Kiryu Angalendor e sua esposa Aelwen. Sob a disciplina de Kiryu, passa por anos de treinamento, desenvolvendo habilidades que ainda não compreendia plenamente. Aprende a lutar com ambas as mãos e recebe duas espadas curvas, armas que representam não apenas sua preparação, mas também a responsabilidade que acompanha o caminho de um guerreiro.
Ao deixar Arkalön, Ragnarok segue para Thalven, uma cidade marcada pelo aço, pela fumaça, pelas armas de fogo e pelo movimento dos portos. É ali que finalmente reencontra White, agora integrante da guarda pessoal do Senhor de Thalven.
Os irmãos descobrem que pertencem a mundos transformados por acontecimentos que não puderam compartilhar. A distância entre eles não apagou o vínculo familiar, mas deixou claro que ambos precisariam encontrar seu lugar em uma realidade muito maior do que suas antigas lembranças.
A Companhia do Limiar
De volta ao continente assolado pela guerra, Ragnarok presencia um ataque imperial contra Valeth. Durante a ofensiva, conhece Violet, uma mulher que protege crianças em meio à destruição.
A lembrança de Valdora desperta novamente a Forma do Abismo. Diante da possibilidade de assistir a outra aldeia ser apagada, Ragnarok libera o poder que carrega e enfrenta as forças imperiais. A manifestação impede que os inimigos concluam a preparação de outro núcleo do Vórtice, mas revela a todos o perigo que existe dentro dele.
Violet presencia tanto o monstro quanto o homem. E não foge.
Reconhecido pela Aliança dos reinos, Ragnarok recebe um convite para integrar os esforços de guerra. Ao lado de Ordekh, mago especializado em selos e rupturas, e Neutro, estudioso dos campos de neutralização e estabilidade, participa da formação da Companhia do Limiar.
A Companhia nasce da necessidade de enfrentar ameaças que ultrapassam os limites da guerra convencional. Seus integrantes não são apenas soldados: são homens que precisam compreender forças capazes de romper as próprias estruturas da realidade.
Nas campanhas seguintes, a Companhia enfrenta novas ameaças, incluindo a tragédia de Barthek e as operações imperiais ligadas à construção dos Vórtices. O uso recorrente da Forma do Abismo cobra um preço cada vez maior de Ragnarok, enquanto seus companheiros precisam lidar com a difícil tarefa de confiar em alguém cujo poder também representa uma ameaça.
O Cristal e a Forma
Durante o Conselho de Kallon, representantes dos seis reinos discutem o futuro da guerra e o papel de Ragnarok. Para alguns, ele é uma arma indispensável; para outros, uma ameaça que precisa ser observada.
A investigação das estruturas imperiais conduz a Companhia a uma oficina secreta nas colinas de Setra. Ali, surgem fragmentos de pesquisas sobre o Cristal de Âncora, um dispositivo capaz de estabelecer um campo local de estabilidade dimensional, dificultando a ativação de um Vórtice Negro em determinada região.
Não se trata de uma proteção absoluta, mas de uma possibilidade concreta de resistência contra uma arma que, até então, parecia impossível de conter.
Enquanto a Aliança começa a considerar a instalação desses cristais em suas capitais e pontos estratégicos, Ragnarok e Violet se casam em Valeth, reconstruída após a devastação. Ele também recebe o posto de Capitão da Companhia do Limiar e passa a participar dos conselhos de guerra quando o assunto envolve ameaças dimensionais.
A guerra, porém, está longe de terminar. O Império permanece de pé, seus conhecimentos não foram destruídos e a ameaça dos Vórtices continua existindo.
Os Estandartes do Norte apresenta o início da trajetória de Ragnarok: de sobrevivente de uma aldeia apagada da existência a um dos homens mais importantes na resistência dos reinos. Mas sua verdadeira batalha não acontece apenas contra o Império. Ela também acontece dentro de si.
A Forma do Abismo pode salvar milhares de vidas. Pode também consumir aquele que a utiliza.
Em Ad’Heim, a vitória nunca é gratuita, a memória não desaparece com facilidade e algumas marcas não podem ser removidas.
O primeiro livro inicia uma história sobre guerra, perda, lealdade e o preço de carregar um poder que talvez nenhum homem devesse possuir.

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