domingo, 14 de setembro de 2025

Ad’Heim: O Chamado da Floresta Morta

 

Por Yuri Schein 

O grupo avançava pela borda da Floresta Encantada, agora deixando para trás a caverna e o embate recente com Jetto. O terreno mudava de forma quase imperceptível: as árvores verdes e vibrantes cederam lugar a troncos retorcidos, secos e quebradiços, cujas sombras se entrelaçavam como dedos longos, ameaçadores, que pareciam acompanhar cada passo do grupo. A luz do sol poente filtrava-se timidamente pelas copas secas, lançando feixes que iluminavam apenas parcialmente o solo coberto de folhas mortas, musgo cinza e raízes expostas.

Um silêncio absoluto reinava, pesado e quase palpável. O som de suas próprias respirações e passos parecia se multiplicar, ecoando entre as árvores como se a floresta estivesse viva, observando cada movimento com paciência inquietante. Pequenos fragmentos de cristal e pedras polidas brilhavam sob a luz mortiça, refletindo imagens distorcidas do grupo, e um vento frio serpenteava pelo chão, levantando poeira de folhas secas e exalando um cheiro de madeira antiga e magia adormecida.

— Este lugar… não é natural — murmurou Gillian, o tom de sua voz carregado de reverência e cautela. — Há algo aqui, escondido… como se a própria floresta quisesse nos chamar para dentro.

Raella, aproximando-se de um tronco morto e esfregando a ponta dos dedos sobre a casca áspera, franziu o cenho. — Sinto uma presença — disse, a voz baixa, mas firme. — Não é algo hostil, pelo menos não ainda… mas há energia aqui. Algo antigo, esquecido, esperando ser encontrado.

Derek, ainda segurando os brincos de Valeth junto ao cinto, percebeu uma vibração sutil, um formigamento que subia pelo braço. Os brincos, até então apenas joias ornamentais, pareciam responder à floresta, pulsando em sintonia com o lugar. Ele franziu o cenho, desconfortável, mas intrigado. Mesmo sem saber exatamente o que eram, a sensação era inegável: algo naquele artefato reagia à energia do ambiente.

Ikarus avançava à frente, espada em mãos, os olhos atentos a cada sombra, cada movimento. — Devemos nos manter alertas — disse. — A floresta mudou. Não há caminho definido, apenas trechos onde podemos passar sem tropeçar. E tudo aqui… parece nos testar, nos medir.

À medida que avançavam, o grupo notou pequenos detalhes perturbadores: árvores com troncos rachados, mas com marcas semelhantes a runas antigas; pedras polidas que refletiam luz de maneira desigual, quase como se respondessem à presença deles; raízes que se entrelaçavam formando barreiras naturais, quase como armadilhas silenciosas. Cada elemento parecia cuidadosamente colocado, como se a própria floresta estivesse viva, esperando observadores dignos de descobrir seus segredos.

— Olhem para isto — disse Thomas, apontando para um círculo de pedras em torno de um tronco caído. — Parece um tipo de altar, ou talvez uma marca de algo que esteve aqui antes de nós. Há símbolos… mas são apagados pelo tempo.

O vento aumentou, arrastando folhas secas e pequenos fragmentos de madeira, e com ele veio um sussurro que ninguém pôde decifrar. Era quase imperceptível, mas carregado de urgência, como se a floresta tentasse atrair a atenção do grupo, sugerindo que não seguissem direto para fora, mas explorassem o coração morto da floresta.

— Não deveríamos ignorar isso — disse Raella, apontando para as pedras e os símbolos. — Algo aqui quer ser descoberto. Eu sinto.

Ikarus assentiu. — Então vamos. Devagar, com cuidado. Nada de correria. O caminho à frente pode esconder perigos… ou respostas.

Enquanto avançavam, o chão tornou-se irregular, coberto de raízes entrelaçadas e troncos caídos. As sombras se alongavam e distorciam, os fragmentos de cristal refletiam pequenas luzes tênues e, a cada passo, os brincos de Valeth vibravam mais intensamente, sugerindo que a floresta morta tinha muito mais a revelar do que podiam imaginar.

O grupo caminhava, atento, tenso e curioso, sentindo que aquele não era apenas um caminho, mas o início de algo maior, uma jornada de descobertas e desafios que se escondiam sob a aparência silenciosa e morta da floresta. O chamado estava feito, e a escolha de atender a ele os levaria a explorar segredos que poderiam mudar completamente a compreensão do mundo à sua volta.

Ad’Heim: O Uivo Silenciado

 

por Yuri Schein 

O uivo de Jetto estremeceu o vale morto, reverberando entre as árvores secas como o grito de um deus esquecido. A flecha, fincada em seu peito, brilhava como se fosse feita da própria lua, tremeluzindo contra as sombras que se contorciam em torno de seu corpo. Derek, arqueiro de olhos fixos e respiração pesada, mantinha o arco retesado, a corda ainda vibrando pelo disparo.

— Eu acertei… mas não é suficiente. — murmurou, ofegante, como se temesse que sua voz quebrasse o fio tênue que mantinha a besta contida.

Jetto caiu de joelhos, sua forma de lobisomem morto-vivo oscilando em trevas que se dissipavam e retornavam, como ondas de um mar corrompido. Seu hálito era pestilento, cheirando a carne podre e ferro oxidado. Ainda assim, em seus olhos avermelhados surgiu algo: não apenas fúria, mas dor… e consciência.

— Ikarus… Tomas… ajudem-me… — a voz de Jetto soou, misto de humano e fera, rasgada, quase irreconhecível.

Raella, com o cajado em mãos, avançou um passo, hesitante. A aura mágica que cercava Jetto era poderosa, um torvelinho de maldição antiga, talvez impossível de purificar. Ela ergueu o olhar para os demais.

— A maldição ainda pode ser quebrada. Mas… custará caro.

Thomas Walker, ainda com o sangue fervendo e as asas abertas, respirou fundo e respondeu, firme:

— Caro? O preço já foi pago. Rickson morreu, quase caímos todos nesta emboscada… Quantos mais precisamos perder?

Ikarus, apoiado em seu escudo, o peito sangrando do golpe que o lançara contra a árvore, ergueu a voz, embora fraca:

— Não se trata de números, Thomas. É Jetto… nosso irmão de armas.

Um silêncio mortal tomou conta do grupo. Apenas o farfalhar do vento entre galhos secos e os murmúrios espectrais da maldição preenchiam o vale. O luar parecia observar, frio e impassível.

Derek abaixou lentamente o arco, mas sua expressão não escondia a tensão.

— Se vocês hesitarem, eu não o deixarei viver para nos destruir.

Jetto, com um esforço sobre-humano, baixou a cabeça e, em um raro momento de humanidade, disse:

— Se não puderem… libertem-me. Mas não me deixem ser servo dessa treva.

Raella, chorando em silêncio, ergueu o cajado. A ponta irradiou uma mistura de luz branca e sombras dançantes — sua magia vermelha, o equilíbrio entre a cura e a condenação. Ela murmurou palavras arcanas que pareciam cortar o véu da própria maldição. As trevas em volta de Jetto uivaram, resistindo, como se mãos invisíveis tentassem segurá-lo.

O grupo recuou. O chão tremeu. Jetto soltou um último uivo, que se partiu entre agonia e alívio. O corpo dele caiu ao solo, humano outra vez, o peito marcado pela flecha de Derek, mas os olhos finalmente serenos.

Raella ajoelhou-se ao lado dele.

— Ele está livre… — sussurrou, com a voz embargada.

Thomas cerrou os punhos, furioso, mas não contra Jetto — contra a floresta, contra as maldições, contra o destino que parecia querer dilacerar cada um deles.

Ikarus colocou a mão no ombro do meio-dragão, firme, mesmo ferido.

— Ele morreu como um de nós. Isso não muda.

O grupo, agora carregando dois corpos — Rickson e Jetto —, reuniu o pouco de forças que restava. Derek os guiou adiante, suas flechas presas à aljava como último alento de esperança. Passaram pelo vale morto em silêncio, sob a lua crescente que parecia zombar de sua dor.

À frente, a floresta viva começava a reaparecer, mas sua beleza soava quase cruel depois do que haviam enfrentado. Era como se a vida da mata não pertencesse mais a eles. O vento trouxe um sussurro, e todos se entreolharam, em alerta. A Dríade ainda os aguardava.

E, agora, estavam ainda mais enfraquecidos.

sábado, 13 de setembro de 2025

Ad’Heim: A Flecha nas Trevas

 


por Yuri Schein 

O lobo-corrompido avançava com sua monstruosidade hedionda, cada passo de Jetto — agora não mais homem, mas besta amaldiçoada — fazia o solo seco tremer, espalhando poeira fúnebre que se levantava como véus de um funeral profano. O hálito que escapava de sua boca dilacerada, entre presas sujas de sangue e pus negro, exalava um cheiro nauseante, como carne pútrida mesclada a ferro em brasa. Cada respiração era acompanhada de um ronco cavernoso, profundo, que parecia vir não de pulmões, mas do próprio vazio das trevas que agora o possuíam.

Sob a luz da lua crescente, seu corpo estava tomado por uma aura maligna que ondulava em formas disformes, como serpentes de fumaça negra que se enroscavam em torno de sua carcaça lupina. Essas sombras se contorciam, formando rostos e bocas que sussurravam em línguas antigas, palavras que ninguém ali compreendia, mas que, ainda assim, se cravavam no coração dos vivos como garras invisíveis. O vale ressoava com murmúrios incessantes — lamentos, blasfêmias, risos distorcidos — como se milhares de almas condenadas falassem em uníssono através dele.

O luar, pálido e frio, escorria sobre sua pelagem maldita como uma lâmina prateada, refletindo o grotesco brilho das veias escuras que pulsavam em seu corpo. O rosto de Jetto, outrora humano, agora era uma máscara animalesca de ódio e dor, com olhos chamejantes em vermelho profundo, que queimavam como brasas na escuridão. Ao redor, as árvores mortas inclinavam seus galhos retorcidos, quase como se quisessem fugir daquela visão impossível, mas presas à maldição, apenas estalavam secamente com o vento gélido.

Tomas Walker, com os olhos arregalados, mal teve tempo de reagir quando a fera avançou sobre ele com velocidade aterradora. No ímpeto, ele largou o corpo inerte de Rickson no chão, o impacto ecoando como um trovão surdo entre as ossadas espalhadas. Tomas ergueu sua espada, mas a lâmina tremia, não de falta de habilidade, mas da brutalidade que se lançava contra ele. O choque foi inevitável — aço contra garras — e as faíscas se dispersaram em clarões breves, como relâmpagos numa tempestade maldita.

Ikarus, arfando de cansaço das batalhas anteriores, não suportou apenas assistir. Com um grito de desafio, ele ergueu sua arma e investiu contra a criatura. Mas Jetto, agora um lobisomem morto-vivo coberto de trevas, não era o companheiro de antes; era uma aberração transbordando força antinatural. Num só movimento, como se sua massa fosse nada para ele, a fera desferiu um golpe com as garras abertas, que atingiu o peito de Ikarus com violência devastadora. O som do impacto foi como madeira sendo partida, e o corpo de Ikarus voou pelo ar, colidindo contra o tronco de uma árvore morta. O estalo seco ecoou, misturando-se ao gemido do guerreiro que se arrastava, o sangue escorrendo de sua boca.

Agora só restava Tomas diante da fera. Jetto, com saliva escura escorrendo de suas presas, aproximava-se lentamente, arrastando as garras pelo chão, produzindo um som estridente e insuportável, como metal contra pedra. O hálito pestilento do monstro envolveu Tomas quando a boca imensa se abriu sobre ele, gotas quentes de veneno caindo em sua pele. As sombras em volta de Jetto murmuravam, incitando-o a devorar, clamando por carne, sangue e alma.

E, então, no ápice da brutalidade, quando os maxilares monstruosos se fecharam a um sopro de Tomas, o tempo pareceu congelar. A criatura parou. Um silêncio súbito, pesado, esmagador, tomou o vale. Os olhos vermelhos de Jetto, em fogo vivo, se desviaram para baixo.

Ali, cravada em seu peito, uma flecha reluzia sob a luz da lua — não apenas uma arma, mas um estilhaço de esperança, um sussurro de intervenção contra a escuridão absoluta.

O uivo que se seguiu não era de vitória, mas de dor. E o vale inteiro tremeu.

Ad’Heim: A Maldição de Jetto

 


Por Yuri Schein 

O vento que até então apenas soprava entre as árvores mortas cessou subitamente, como se o próprio vale tivesse prendido a respiração diante do ato irreversível de Jetto. Os brincos de Valeth brilhavam intensamente em suas mãos, mas logo a luz dourada e vermelha foi corrompida, tingindo-se de um negro profundo que parecia devorar o luar ao redor. As sombras das árvores secas se esticaram, contorcendo-se como serpentes famintas, convergindo em torno dele.

O corpo de Jetto tremeu, os músculos se retesando em espasmos grotescos. Seus olhos, antes vermelhos como brasas, tornaram-se orbes ocos, irradiando um brilho espectral azul e roxo, como fogo-fátuo em um pântano maldito. Seus ossos estalaram, alongando-se, as garras surgiram mais afiadas, mais densas, e a pelagem escura brotou em tufos irregulares, mas agora não havia mais vida animal em sua forma: era a fusão abominável de carne e necromancia.

Do solo morto ergueu-se um manto de trevas que o cobriu dos pés à cabeça, aderindo à sua pele e músculos, tornando-se parte dele. Era como se a própria maldição tivesse tecido sobre seu corpo uma armadura viva de sombra, movendo-se em sincronia com seus músculos. De sua boca aberta, presas alongadas pingavam não saliva, mas um líquido negro, viscoso, que caía no chão e queimava a terra como ácido.

Ao redor, o silêncio foi substituído por murmúrios. Sussurros vindos de todas as direções ecoavam nas línguas esquecidas da maldição de Valeth. Pareciam vozes de crianças chorando, de guerreiros gemendo em dor, de mulheres sussurrando promessas e maldições. Cada som penetrava no ouvido dos companheiros, corroendo a mente, fazendo o coração acelerar com medo primitivo.

“Jetto… Jetto não existe mais…” murmurou Raella, a voz quase se desfazendo no ar.

Ele ergueu o rosto ao luar, e um uivo ensurdecedor, carregado de dor e ódio, ecoou pelo vale. Mas não era um uivo de lobisomem comum; era distorcido, metálico, quase demoníaco, como se cem vozes gritassem juntas, cada uma clamando por sangue e vingança. O ar gelou de forma imediata, e a sensação de vida no grupo pareceu ser sugada como se um vazio estivesse tentando devorá-los.

Thomas Walker, ao ver a ameaça ganhar forma, não teve dúvidas. Deixou o corpo de Rickson suavemente no chão, seus olhos vermelhos brilhando de determinação. Empunhou seu montante com as duas mãos, suas asas dracônicas se abrindo num movimento instintivo de combate. “Então é assim que será… irmão caído. Se a maldição tomou você, eu o enviarei de volta às trevas de onde saiu!”

Jetto não respondeu com palavras. Apenas um rosnado profundo, gutural, reverberou de seu peito, fazendo o solo tremer sob seus pés. Ele avançou como um raio, as sombras envolvendo seu corpo em um borrão escuro. O impacto contra Thomas foi devastador: montante contra garras, faíscas e chamas negras se espalharam com a colisão. O choque foi tão forte que árvores mortas se partiram ao redor, ossos foram lançados para o alto, e a terra enegrecida tremeu como em um terremoto.

Thomas rugiu em resposta, sua força dracônica resistindo, mas mesmo ele foi forçado a recuar alguns passos, as garras de Jetto quase penetrando sua defesa. A cada golpe, a aura maldita do lobisomem morto-vivo corrompia o ar, tornando pesado até o ato de respirar.


Ikarus, sem hesitar, ergueu sua espada e correu em auxílio de Thomas. O cansaço era visível em seu corpo — os ombros pesados, a respiração irregular, os músculos doloridos das batalhas passadas. Mas seu juramento, sua honra como cavaleiro de Lenória, não permitiam hesitação. Ele brandiu a espada em um arco reluzente, tentando cortar através das trevas que envolviam Jetto.


A lâmina de Ikarus reluziu sob a lua, mas Jetto girou o corpo em um movimento animalesco, rápido e brutal. Sua garra negra interceptou a espada e, com um rugido gutural, ele desferiu um golpe no peito do cavaleiro. O impacto foi como ser atingido por uma catapulta: Ikarus foi lançado para trás, seu escudo partindo-se ao meio, o metal da armadura sendo amassado no ponto do impacto. O som seco ecoou como um trovão.


Ele voou alguns metros até atingir o tronco retorcido de uma árvore morta. O choque quebrou parte da madeira ressequida, espalhando estilhaços, e o corpo do cavaleiro tombou ao chão, ofegante, sangue escorrendo sob a armadura.

“IKARUS!” gritaram Raella e Gillian ao mesmo tempo, o desespero tomando conta delas. Derek ergueu o arco, mas suas mãos tremiam com a visão da criatura que um dia havia sido seu companheiro.

Jetto, agora mais sombra do que carne, virou lentamente o rosto para o grupo, seus olhos espectrais brilhando com fúria inumana. Os murmúrios ao redor intensificaram-se, repetindo em uníssono, como um coro de condenados:

“Um deles cairá… um deles cairá… um deles cairá…”

E a lua crescente iluminava a cena grotesca, revelando que a batalha contra Jetto não seria apenas contra a força física de um lobisomem, mas contra a própria maldição de Valeth, viva e pulsante nele.

O vale amaldiçoado tornava-se agora campo de guerra, e a sombra de Jetto erguia-se para destruir não apenas seus inimigos… mas seus antigos irmãos de jornada.


Ad'Heim: Os Brincos de Valeth

 


por Yuri Schein 

O vale amaldiçoado finalmente começava a ceder diante do grupo, o frio penetrante diminuindo apenas um pouco, mas o silêncio e a opressão continuavam inalterados. As árvores mortas se estreitavam em uma clareira mais ampla, ainda marcada por ossos e restos de criaturas fantásticas. A luz prateada da lua crescente refletia em cada superfície, lançando sombras longas e distorcidas que pareciam se mover com vida própria.

Foi então que Derek, atento a cada detalhe, parou abruptamente, sinalizando para os outros com um gesto da mão. Entre um amontoado de ossos e troncos quebrados, um corpo esquelético se destacava. Estava ajoelhado, a cabeça tombada para frente, com os punhos cerrados e imóveis. Mas entre os dedos ossudos, algo capturava a luz da lua e a multiplicava em reflexos dourados e vermelhos que dançavam como chamas suspensas. Brilhava com intensidade quase hipnótica.

“São… brincos?” murmurou Raella, a voz trêmula, enquanto Gillian se aproximava, tentando olhar sem se expor a qualquer maldição que pudesse estar ligada ao objeto. “Isso… isso deve ser os brincos da lenda de Valeth… a maldição…”

Thomas suspirou, a expressão sombria. “A história é exatamente esta. Alguém… alguém conseguiu chegar até este ponto. Conseguiram tocar o tesouro, mas a maldição os alcançou. O corpo que vemos não é apenas uma vítima — é um aviso. A cobiça que levou o aventureiro até aqui transformou-o em ossos e sombra, preso à matéria para sempre. Esses brincos… não devem ser tocados. Nada aqui deve ser tocado.”

Ikarus aproximou-se, a mão levemente na empunhadura da espada, observando os punhos cerrados e o brilho reluzente. “Então… isso é real. Eles não eram apenas contos para assustar viajantes. Este… é o perigo que Thomas mencionou. Este é o preço da cobiça.”

Gillian, olhando com os olhos semicerrados, murmurou: “Não devemos tocar. Nem pensar em pegá-los. Se fizerem isso, podemos acabar como ele.”

Raella segurou o braço de Gillian, a voz trêmula mas firme: “O que mais sabemos sobre a maldição? É apenas uma prisão física ou… é a alma que se perde também?”

Thomas deu um passo atrás, olhando para o esqueleto com pesar. “A lenda diz que a deusa Valeth não apenas pune o corpo, mas também a alma. Qualquer toque que desperte o desejo de posse desperta a maldição. Aquele que se deixa seduzir pelos brilhos e pelo ouro está fadado a repetir os erros do aventureiro que veio antes. Ele conseguiu chegar até aqui… mas não conseguiu sair.”

Jetto permaneceu um passo à frente, farejando o ar e observando os brincos. Seus olhos refletiam a luz que emanava deles, e mesmo que sua mente consciente estivesse alerta, o coração e os instintos falavam outra língua. O brilho dourado e vermelho era quase magnético, e o desejo antigo, reprimido durante anos de disciplina e convivência com a Dríade, começou a despertar. Ele sabia que, se qualquer ser do mundo tivesse conhecimento de um artefato assim, ele saberia. Mas algo dentro dele dizia que, talvez, apenas talvez, a exceção tivesse sido feita… e ele poderia reivindicar a relíquia.

Derek franziu o cenho, observando Jetto com cautela. “Não toque nisso. Não é apenas um objeto, Jetto. É… é a própria maldição em forma de metal e ouro. Você já sabe o que a história diz — não podemos tocar, não devemos tocar, nunca!”

Ikarus aproximou-se, colocando a mão sobre o ombro de Jetto. “Ele está certo. Pense nas consequências. Você sabe o que aconteceu com todos antes de nós. É um aviso, Jetto. A maldição não é simbólica. Ela é real. Não toque.”

Mas Jetto não se moveu para trás. O faro de lobisomem, o instinto e a razão humana colidiam com intensidade. O brilho parecia penetrar na própria alma dele, cada reflexo dançando como se chamasse pelo seu nome, oferecendo poder, riqueza e glória impossíveis de recusar. A luz parecia pulsar com um ritmo próprio, ressoando com a batida acelerada do seu coração.

“Se…” murmurou ele, quase para si mesmo, a voz carregada de desejo contido, “se apenas… apenas um toque… eu poderia… entender o poder…”

Gillian deu um passo à frente, inquieta. “Jetto! Não! Você está brincando com algo que nem mesmo nós podemos compreender. Pense no que Thomas disse — qualquer toque e você ficará preso como ele. Preso!”

Mas a mão de Jetto, trêmula, começou a se aproximar dos punhos cerrados do esqueleto. O ar parecia condensar-se, pesado, carregado de energia antiga e maliciosa. Cada passo que ele dava em direção aos brincos fazia com que o frio da maldição se tornasse quase tangível, envolvendo o grupo, penetrando nos ossos, sugando a coragem como se a própria esperança fosse filtrada da realidade.

Ele parou diante do esqueleto, e por um instante, a lua crescente refletiu diretamente nos brincos, fazendo-os brilhar com intensidade sobrenatural. O som do vento, que antes apenas uivava entre os troncos mortos, agora parecia sussurrar em línguas antigas, promessas e advertências entrelaçadas. O brilho, a promessa de poder, a beleza quase hipnótica… era irresistível.

Então, silenciosamente, Jetto estendeu a mão. Um dedo, depois outro, os ossos do esqueleto pareciam vibrar, mas nenhum movimento vivo se opôs. Seus dedos tocaram a superfície fria e polida dos brincos, e a luz refletida pareceu crescer, pulsar, como se a própria caverna estivesse respirando ao redor deles, consciente do ato.

“Jetto… não…” a voz de Ikarus, firme mas carregada de urgência, foi engolida pelo peso do momento, e o grupo inteiro se encolheu, percebendo que naquele instante algo muito maior do que todos eles estava em jogo.

E ali, entre os ossos, as árvores secas, o silêncio mortal e a luz da lua crescente, Jetto segurava os brincos — e o ar ao redor parecia carregar a tensão de séculos de maldição, a promessa de um poder inestimável, e a certeza de que nenhum passo daqui em diante seria igual ao que veio antes.

Um frio percorreu o vale, os ecos do passado ressoando em cada osso, cada tronco seco, cada sombra que os observava silenciosa. E então, no momento em que os dedos de Jetto fecharam-se completamente sobre os brincos… o silêncio foi quebrado por um sussurro distante, etéreo, que parecia atravessar o tempo e o espaço:

“Você escolheu… e agora o preço será seu.”

O grupo parou, imóvel, enquanto a luz prateada da lua refletia nos brincos, agora na mão de Jetto, brilhando mais intensamente do que antes, como se a própria maldição tivesse despertado.

O suspense pairava no ar, espesso, quase tangível. O futuro, tão incerto quanto os ossos e sombras à sua volta, aguardava para se revelar.


Ad'Heim: O Vale dos Mortos

 


por Yuri Schein 

Quando finalmente atravessaram a última curva da caverna, os primeiros raios da lua crescente iluminaram o terreno à sua frente, revelando um cenário que fez o grupo parar por um instante, em silêncio absoluto. A floresta que se estendia diante deles não era a Floresta Encantada que conheciam, vibrante e repleta de vida; era uma área morta, um território amaldiçoado onde a própria natureza parecia ter abandonado toda a vitalidade.

As árvores, retorcidas e secas, erguiam-se como esqueletos petrificados, galhos quebradiços apontando para o céu como dedos acusadores. Nenhuma folha verde, nenhuma flor ou musgo cobria o solo; tudo estava enegrecido, queimado pelo tempo ou por magia antiga. O chão era um mosaico macabro de ossos e restos: crânios humanos, costelas de monstros desconhecidos, mandíbulas partidas, carcaças de animais ainda parcialmente intactas, apodrecendo lentamente sob a luz prateada. Havia até mesmo esqueletos de criaturas fantásticas, corcéis alados, serpentes gigantes, e algo que lembrava uma quimera, todos misturados entre as árvores mortas, como se o solo tivesse engolido o caos de eras passadas.

O vento que atravessava o vale parecia carregar consigo um murmúrio distante, quase inaudível, mas suficiente para gelar a espinha dos aventureiros. Um odor metálico, lembrando ferro antigo e sangue seco, se misturava ao cheiro de terra seca e folhas em decomposição. Cada passo sobre o solo duro ressoava como se estivesse atravessando um túmulo aberto, e o reflexo da lua crescente lançava sombras longas e distorcidas que dançavam entre os restos, criando formas que pareciam olhos, mãos e rostos que observavam silenciosamente.

Jetto avançou à frente, mantendo-se em alerta máximo, o faro e os sentidos de lobisomem captando nuances que os outros não percebiam. Seus olhos vermelhos refletiam a luz pálida da lua, brilhando com uma intensidade quase sobrenatural. Ele parou abruptamente e ergueu a mão, sinalizando para que o grupo ficasse quieto. “Este lugar…” começou ele, a voz baixa, carregada de cautela, “é diferente de tudo que já vimos até agora. Vivi anos com a Dríade, conheço a Floresta Encantada como poucos, mas este vale… é proibido, amaldiçoado. Nenhum ser da floresta se aproxima daqui. Até mesmo os lobos e as criaturas noturnas evitam esta área. Não há vida, nem mesmo magia natural ou selvagem que não tenha sido corrompida.”

Gillian olhou em volta, absorvendo o cenário desolador. “Então… ninguém sobrevive aqui?”

“Não exatamente,” continuou Jetto, farejando o ar, os músculos tensos e os instintos em alerta máximo. “Os mortos podem permanecer, mas são sombras do que eram. Restos de almas, ossos e carne. O toque de qualquer um desses restos… ou até mesmo pisar sem cuidado em certos lugares… pode trazer maldição. Não podemos tocar em nada. Qualquer movimento em falso, qualquer gesto imprudente, e podemos nos tornar parte do que já morreu, presos aqui em vida ou em espírito.”

Derek franziu o cenho, ajustando o arco e olhando para os ossos espalhados. “Então não podemos sequer encostar nos restos… mesmo se precisarmos usar alguma rota mais curta?”

“Não,” respondeu Jetto com firmeza. “Este vale não tolera erros. As maldições aqui não perdoam. Caminhem apenas sobre o chão seguro, entre as árvores mortas, evitando os montes de ossos. Sigam exatamente meus passos. Se alguém tropeçar ou tocar qualquer coisa, o perigo será imediato.”

Raella, ainda apoiada por Gillian, engoliu em seco, observando os restos de homens, monstros e criaturas fantásticas. “Isso… isso é horrível… Eles… eles devem ter sido aventureiros como nós, não é?”

Thomas Walker acenou levemente, a luz refletindo em seu montante. “Aparentemente. Mas a cobiça e a imprudência são punidas de formas que o homem comum raramente entende. Este vale… é um aviso silencioso. Cada ossada, cada crânio, cada criatura caída é uma lembrança de que a ganância e a imprudência podem aprisionar até a alma.”

Ikarus respirou fundo, firmando a empunhadura da espada. “Então seguimos o caminho de Jetto. Um passo em falso e não será apenas um tropeço. Será permanente.”

O grupo começou a avançar, movendo-se lentamente entre os troncos secos e ossos espalhados, cada passo cuidadosamente calculado. O silêncio era absoluto, quebrado apenas pelo ranger seco da madeira morta sob os pés ou pelo estalo ocasional de algum osso que cedia. As sombras se alongavam e se contorciam com a luz da lua crescente, tornando cada árvore uma sentinela espectral, cada esqueleto um possível observador invisível.

Enquanto caminhavam, o frio penetrava até os ossos, e até Raella, protegida por Gillian, sentiu a tensão do lugar em cada célula de seu corpo. O ar parecia absorver sons, tornando cada respiração audível, cada passo quase ensurdecedor em seu silêncio quase sagrado.

Jetto parou por um instante, farejando o ar mais uma vez. “Estamos quase no fim do vale,” disse ele. “A luz que você vê lá à frente não é o sol, mas o reflexo da lua sobre a clareira que leva à floresta viva. Se conseguirmos atravessar este terreno amaldiçoado sem tocar em nada, teremos saído da parte morta da floresta. Mas não pensem que estamos fora de perigo. A Dríade e seus servos ainda nos aguardam. Este lugar… este vale é apenas um teste de paciência e disciplina.”

Ikarus acenou, respirando fundo. “Então seguimos adiante, mantendo disciplina e silêncio. Cada um de nós tem que focar em seu passo, em seu equilíbrio, e confiar em Jetto.”

Com a luz prateada da lua crescente refletindo nos ossos espalhados, nos troncos secos e retorcidos, e nas sombras que se contorciam como memórias de antigos aventureiros, o grupo avançou lentamente, como se cada movimento pudesse ser seu último. Cada respiração carregava tensão, cada passo era um desafio silencioso, e o medo da maldição pairava sobre eles como uma presença tangível.

Mas ao longe, entre os troncos mortos, uma fria luz se tornou mais clara, anunciando o fim da área amaldiçoada. Era a promessa de que, se seguissem com cuidado, atravessassem o vale sem tocar em nada, poderiam finalmente emergir em segurança na floresta viva, onde a Dríade os esperava, invisível, mas certamente vigilante.

E assim, entre ossos, árvores secas e um silêncio carregado de presenças antigas, Ikarus e seus companheiros avançavam, cada passo um triunfo silencioso sobre a maldição do vale, cada sombra ao redor um lembrete de que a morte e o perigo espreitam onde quer que a cobiça e o descuido se manifestem.


Ad'Heim: Ecos do Passado

 


por Yuri Schein 

O túnel apertado finalmente se abriu para uma câmara mais ampla, ainda úmida, mas com o chão menos irregular. O ar parecia carregar um frio que não vinha da própria caverna, mas de algo mais antigo, ancestral. Jetto parou abruptamente, farejando o ambiente com atenção quase sobrenatural, suas orelhas inclinadas e chifres quase roçando o teto baixo. “Aqui… é a saída mais distante,” murmurou ele, os músculos tensos, pronto para reagir a qualquer sinal de perigo. “É o caminho que nos leva longe da entrada, longe dos servos da Dríade. Mas… fiquem atentos. O ar aqui… não é natural. Tem algo preso neste lugar.”

O grupo avançou cautelosamente, e logo perceberam o motivo do alerta. Sombras etéreas começaram a surgir à sua volta, translúcidas, quase invisíveis à primeira vista, mas gradualmente tornando-se nítidas o suficiente para discernir figuras humanas, vagas e distorcidas. Eram fantasmas — ou talvez ecos de almas perdidas — que não avançavam, não falavam, não pareciam notar a presença do grupo. Caminhavam lentamente, repetindo gestos que pareciam familiares, mas distorcidos; um homem ajoelhando-se para pegar um objeto imaginário, uma mulher estendendo as mãos como se implorasse por perdão. Cada movimento era carregado de um peso silencioso, de uma tristeza profunda que parecia impregnar o ar, tornando cada passo do grupo pesado, quase doloroso.

Raella apertou o braço de Gillian, tremendo levemente. “O que são… o que aconteceu com eles?” sussurrou, a voz embargada pelo medo e pela fascinação.

Thomas Walker, com expressão grave, respirou fundo antes de falar, a luz pálida refletindo em seus olhos vermelhos e revelando sua seriedade. “Há uma lenda que percorre essas cavernas,” começou ele, a voz baixa, reverberando nas paredes rochosas. “Dizem que há muito tempo, um grupo de aventureiros veio à Floresta Encantada guiado por rumores de tesouros escondidos. Eles eram cobiçosos, gananciosos. Seu alvo… um par de brincos, pequenos, mas encantados com uma magia antiga e amaldiçoada, criados pela deusa Valeth, conhecida por sua justiça implacável.”

O grupo parou, as palavras de Thomas ecoando como se pudessem despertar algo adormecido naquela câmara. Ele continuou: “Valeth não perdoa a cobiça. Dizem que aqueles aventureiros, ao tentarem tirar os brincos do local sagrado, acionaram a maldição. Seus corpos foram transformados — em mortos vivos, presos à carne, e suas almas condenadas a vagar como fantasmas eternos. O tesouro… nunca foi encontrado. Alguns dizem que ainda está aqui, escondido, mas protegido pela maldição. Outros acreditam que foi consumido pela própria essência da justiça de Valeth, como aviso para todos que ousam desobedecer às regras do mundo espiritual.”

Ikarus apertou a empunhadura da espada, observando os vultos etéreos à sua volta, cada um carregando gestos e expressões de arrependimento e desespero. “Então… eles não atacam porque já estão mortos, mas… estão presos à matéria, condenados a repetir seus erros.”

“Exatamente,” disse Thomas. “Cada sombra aqui é um presságio do que acontece com aqueles que se deixam dominar pela cobiça. Se fossem corajosos ou tolos o suficiente para tocar o tesouro, teriam sido punidos, assim como esses aventureiros. Não há redenção para eles enquanto permanecerem aqui.”

Derek, mesmo em silêncio, percebeu o peso moral do lugar. Ele ajustou o arco, olhando para os vultos, e refletiu sobre o perigo de ambição cega. “E ainda assim… eles continuam aqui, como aviso, como lição para quem passa. Se não fosse por Jetto e pelo cuidado de todos nós, poderíamos muito bem nos tornar mais um eco nesse lugar.”

Gillian manteve Raella próxima, sussurrando: “Não olhe demais, princesa. É fácil se perder aqui, mesmo sem se tornar um deles. Apenas siga adiante, concentre-se em nós.”

O grupo avançou lentamente, cada passo ecoando na câmara ampla, cada som reverberando nas paredes e reforçando a sensação de que o espaço estava vivo com lembranças de dor e arrependimento. Os fantasmas continuavam suas rotinas silenciosas, sem agressividade, mas não deixando de criar uma sensação sufocante, como se cada presença fosse uma sombra do próprio destino que poderia aguardar qualquer um que vacilasse em sua disciplina ou caráter.

Jetto farejou o caminho à frente, guiando o grupo com cuidado absoluto. “Sigam-me. A saída está logo à frente. Mas não podemos nos precipitar.” Cada túnel, cada curva do caminho estreito, parecia testá-los, fazendo-os hesitar, questionar cada movimento e cada escolha.

Finalmente, após o que pareceu uma eternidade de passos cautelosos, a câmara começou a se abrir para a luz. Uma luz fria, prateada, que não queimava, mas iluminava o ambiente com uma serenidade distante, filtrada pelas pedras e estalactites. A bruma da caverna começou a dissipar-se, e mesmo os fantasmas, ao longe, pareciam dissolver-se na sombra, tornando-se memórias de um aviso silencioso e inescapável.

Ikarus respirou fundo, sentindo a tensão de todo o caminho se aliviar apenas um pouco. “Estamos quase fora,” disse, olhando para o grupo. “Mas lembrem-se: o perigo continua lá fora, na floresta. Este lugar é um lembrete… daquilo que a cobiça e a imprudência podem fazer.”

Raella, ainda apoiada por Gillian, olhou para a luz com esperança nos olhos. “Então… estamos quase lá. Podemos sair daqui… vivos?”

Thomas assentiu lentamente. “Se mantivermos a cautela, e se Jetto continuar guiando com esse faro, sim. Mas precisamos estar preparados. A Dríade nos espera do outro lado. E ela não esquece, nem perdoa.”

O grupo avançou, ainda imerso na reverência silenciosa pelo que deixavam para trás, guiados pela fria luz que agora se tornava mais intensa, a promessa da saída da caverna e do primeiro vislumbre da floresta da Dríade acima. Cada passo parecia um triunfo silencioso sobre os horrores que enfrentaram, cada sombra que passavam era uma lembrança da fragilidade humana e da dureza da justiça antiga.

E assim, ainda dentro do labirinto rochoso e úmido, eles avançavam, próximos da liberdade, mas conscientes de que o verdadeiro teste — a floresta e a Dríade — os aguardava com impaciência e poder.