A noite havia engolido Haffen.
Não havia estrelas.
Não havia silêncio.
O céu estava coberto por nuvens negras, e abaixo delas milhares de mortos avançavam lentamente sobre as planícies de Sefrion.
O som dos ossos contra a terra era quase hipnótico.
Passo.
Passo.
Passo.
Passo.
Não havia gritos.
Os mortos não gritavam.
Não sentiam medo.
Não sentiam dor.
Não sentiam nada.
E talvez fosse isso que tornasse aquele exército tão assustador.
Sobre as muralhas de Haffen, os magos observavam em silêncio.
Alguns seguravam cajados.
Outros preparavam pergaminhos.
Alguns simplesmente choravam.
Porque sabiam.
Nenhuma biblioteca ensinava como enfrentar aquilo.
Nenhum livro descrevia o que fazer quando a própria morte marchava contra uma cidade.
Então os portões se abriram.
E ele saiu.
Sozinho.
O Guardião de Sefrion caminhou lentamente pela estrada.
Sua armadura dourada refletia a pouca luz que atravessava as nuvens.
Sobre seus ombros estava o manto que carregava desde o dia em que havia recebido o título.
Na mão, sua arma.
Atrás dele, Haffen.
À frente, os mortos.
Um jovem soldado correu até o portão.
— Senhor!
O Guardião não parou.
— Volte!
Ele continuou caminhando.
— São milhares!
O Guardião respondeu sem olhar para trás:
— Eu sei.
— Não podemos deixá-lo ir sozinho!
Ele finalmente parou.
Virou o rosto.
— Não estou sozinho.
O soldado olhou ao redor.
Não havia ninguém.
O Guardião tocou o próprio peito.
— Sefrion está comigo.
Então voltou a caminhar.
O primeiro morto chegou.
O Guardião ergueu a arma.
Um golpe.
O crânio foi partido.
O corpo caiu.
Outro veio.
Outro golpe.
Depois outro.
E outro.
Em poucos segundos, dezenas estavam mortos novamente.
Mas os mortos não permaneciam mortos.
Os ossos começaram a se mover.
Braços se arrastaram pela terra.
Crânios quebrados se reconstruíram.
Corpos partidos voltaram a se erguer.
O Guardião observou.
— Necromancia...
Então ouviu uma voz.
— Impressionante.
Ele levantou os olhos.
Um homem caminhava tranquilamente entre os mortos.
Não parecia um monstro.
Não parecia um demônio.
Era apenas um homem.
Jovem.
Vestido de negro.
Com um cajado na mão.
— Você é o Guardião — disse o necromante.
— Sou.
— Então você sabe que não pode vencer.
— Sei.
O necromante franziu a testa.
— E ainda assim saiu.
— Sim.
— Por quê?
O Guardião ergueu a arma.
— Porque essa pergunta não importa.
O necromante sorriu.
— Então qual pergunta importa?
O Guardião respondeu:
— Quantos de vocês preciso destruir antes que você alcance Haffen?
O sorriso desapareceu.
Os mortos avançaram.
---
O primeiro golpe quase arrancou seu braço.
O Guardião girou o corpo, desviou da lâmina enferrujada e enterrou sua arma no peito do cadáver.
Um segundo morto veio pela esquerda.
Ele abaixou.
Uma espada passou sobre sua cabeça.
Levantou.
Golpeou.
Outro.
Mais dois.
Cinco.
Dez.
O campo desapareceu sob corpos.
E, enquanto lutava, o Guardião lembrou-se de uma coisa que não pensava havia muitos anos.
Sua infância.
Ele tinha sete anos quando segurou uma espada pela primeira vez.
Não conseguiu levantá-la.
Seu mestre riu.
— Pesada?
O menino assentiu.
— Então você ainda é fraco.
Ele tentou novamente.
A espada caiu.
— Eu não consigo.
O mestre cruzou os braços.
— Ainda não.
O menino olhou para ele.
— Qual é a diferença?
— A diferença entre “não consigo” e “não consigo ainda” é o que você fará amanhã.
Naquela noite, o menino chorou.
Não porque estava machucado.
Porque estava cansado.
Seu pai havia sido soldado.
Sua mãe havia trabalhado durante toda a vida para que ele pudesse estudar.
E ele havia escolhido aquele caminho.
Não porque queria ser famoso.
Não porque queria poder.
Mas porque, quando criança, tinha perguntado ao pai:
— Quem protege Sefrion?
Seu pai respondeu:
— Todos nós.
Ele não entendeu.
— Então por que existem os Guardiões?
O pai sorriu.
— Porque às vezes todos nós precisamos de alguém que fique de pé quando todos os outros precisarem correr.
Na época, aquilo parecia bonito.
Agora parecia cruel.
O Guardião desviou de uma lança.
A ponta atravessou sua armadura.
Ele sentiu a dor.
Agarrou a haste.
Puxou o morto para perto.
E o golpe seguinte destruiu seu rosto.
— Ainda não.
Ele respirou.
— Ainda não.
Mais mortos.
---
Ele tinha dez anos quando começou a acordar antes do nascer do sol.
Onze quando começou a correr pelas montanhas.
Doze quando seu mestre parou de ensiná-lo a atacar.
— Por quê?
— Porque você já sabe atacar.
— Então o que vou aprender?
O velho colocou uma venda sobre seus olhos.
— A ouvir.
Durante meses, ele treinou sem enxergar.
Aprendeu a perceber o peso dos passos.
A direção do vento.
O som de uma respiração.
O movimento de uma folha.
A presença de alguém atrás dele.
Aprendeu que uma espada não começava no braço.
Começava na intenção.
E aprendeu algo ainda mais importante.
— Um Guardião não luta para vencer — disse seu mestre.
— Então luta para quê?
— Para permanecer.
Aquele ensinamento nunca o abandonou.
---
Um morto enorme avançou.
O Guardião bloqueou o primeiro golpe.
O impacto o fez ajoelhar.
O segundo golpe rachou parte de sua armadura.
O terceiro o lançou contra o chão.
Ele ficou imóvel.
Por alguns segundos.
O necromante observou.
— Acabou.
O Guardião abriu os olhos.
Levantou-se.
— Não.
— Você está sangrando.
— Sim.
— Sua armadura está quebrada.
— Sim.
— Você está sozinho.
O Guardião olhou para as muralhas.
Centenas de pessoas observavam.
— Não.
O necromante acompanhou seu olhar.
— Está dizendo que aquelas pessoas lutarão?
— Não.
— Então como não está sozinho?
O Guardião apertou a arma.
— Porque eu sei por quem estou lutando.
O necromante ficou em silêncio.
Então deu uma risada baixa.
— Isso é fraqueza.
O Guardião respondeu:
— Não.
Avançou.
— Isso é memória.
---
Ele tinha dezessete anos quando seu mestre morreu.
Não em batalha.
Não diante de um inimigo.
Morreu sentado.
Naquela manhã, o jovem Guardião o encontrou respirando com dificuldade.
— Mestre?
O velho abriu os olhos.
— Você chegou.
— O senhor está doente?
— Estou velho.
— Isso não é doença.
O velho sorriu.
— Para quem tem vinte anos, talvez não.
O jovem segurou sua mão.
— Não quero ser Guardião.
O velho ficou em silêncio.
— Então não seja.
— Mas e Sefrion?
— Sefrion sobreviverá.
— E se não sobreviver?
O velho fechou os olhos.
— Então não será culpa sua.
Aquelas palavras destruíram algo dentro dele.
Porque durante toda a sua vida acreditara que precisava ser forte o suficiente para salvar todos.
Naquele dia, seu mestre lhe ensinou a última lição.
Ninguém consegue salvar todos.
Mas alguém precisa tentar.
---
O Guardião arrancou a lâmina de um cadáver.
O necromante já não sorria.
Atrás dele, milhares de mortos permaneciam.
— Você não entende — disse o necromante.
— Entendo mais do que você imagina.
— A morte não pode ser vencida.
— Eu sei.
— Então por que luta?
O Guardião olhou para o cadáver aos seus pés.
— Porque meu mestre morreu.
O necromante ficou imóvel.
— E?
— E descobri que a morte sempre vence no fim.
Ele ergueu os olhos.
— Mas isso não significa que ela precise vencer agora.
O necromante apertou o cajado.
Os mortos avançaram de uma vez.
---
O Guardião foi engolido.
Corpos sobre corpos.
Garras.
Espadas.
Ossos.
Dentes.
Ele desapareceu no meio da multidão.
Então uma luz surgiu.
Dourada.
Primeiro pequena.
Depois maior.
Até atravessar os corpos.
Os mortos foram lançados para todos os lados.
O Guardião permaneceu de pé.
Sangue escorria de seu rosto.
Sua armadura estava destruída em vários pontos.
Seu braço tremia.
Mas seus olhos continuavam firmes.
Ele olhou para Haffen.
Por um instante, lembrou-se de quando era criança.
Lembrou-se do pai.
Da mãe.
Do mestre.
Do primeiro treinamento.
Da primeira espada.
Da primeira derrota.
Da primeira vez que pensou em desistir.
E finalmente compreendeu.
Ele não havia passado a vida treinando para se tornar invencível.
Havia treinado para chegar àquele momento.
O momento em que tudo aquilo que amava estaria atrás dele.
E tudo aquilo que queria destruir estaria à sua frente.
O necromante ergueu o cajado.
— Morra.
O Guardião levantou sua arma.
— Depois.
Uma explosão de luz atravessou o campo.
A coruja gigante de Sefrion surgiu entre as nuvens.
Seu grito fez o céu estremecer.
As asas se abriram.
A criatura mergulhou.
Milhares de mortos foram atingidos pela onda de energia.
O Guardião avançou junto dela.
Pela primeira vez, o exército recuou.
O necromante olhou ao redor.
A expressão em seu rosto havia mudado.
Medo.
O Guardião percebeu.
E sorriu.
— Agora você entendeu.
— O quê?
Ele caminhou na direção dele.
— Por que existem Guardiões.
O necromante recuou.
— Você acha que pode me impedir?
— Não.
— Então?
O Guardião levantou a arma.
— Posso impedir você hoje.
Silêncio.
— Amanhã será problema de outro homem.
Ele avançou.
— Mas hoje...
A luz dourada explodiu novamente.
— ...SO GUARDIÃO DE SEFRION
A noite havia engolido Haffen.
Não havia estrelas.
Não havia silêncio.
O céu estava coberto por nuvens negras, e abaixo delas milhares de mortos avançavam lentamente sobre as planícies de Sefrion.
O som dos ossos contra a terra era quase hipnótico.
Passo.
Passo.
Passo.
Passo.
Não havia gritos.
Os mortos não gritavam.
Não sentiam medo.
Não sentiam dor.
Não sentiam nada.
E talvez fosse isso que tornasse aquele exército tão assustador.
Sobre as muralhas de Haffen, os magos observavam em silêncio.
Alguns seguravam cajados.
Outros preparavam pergaminhos.
Alguns simplesmente choravam.
Porque sabiam.
Nenhuma biblioteca ensinava como enfrentar aquilo.
Nenhum livro descrevia o que fazer quando a própria morte marchava contra uma cidade.
Então os portões se abriram.
E ele saiu.
Sozinho.
O Guardião de Sefrion caminhou lentamente pela estrada.
Sua armadura dourada refletia a pouca luz que atravessava as nuvens.
Sobre seus ombros estava o manto que carregava desde o dia em que havia recebido o título.
Na mão, sua arma.
Atrás dele, Haffen.
À frente, os mortos.
Um jovem soldado correu até o portão.
— Senhor!
O Guardião não parou.
— Volte!
Ele continuou caminhando.
— São milhares!
O Guardião respondeu sem olhar para trás:
— Eu sei.
— Não podemos deixá-lo ir sozinho!
Ele finalmente parou.
Virou o rosto.
— Não estou sozinho.
O soldado olhou ao redor.
Não havia ninguém.
O Guardião tocou o próprio peito.
— Sefrion está comigo.
Então voltou a caminhar.
O primeiro morto chegou.
O Guardião ergueu a arma.
Um golpe.
O crânio foi partido.
O corpo caiu.
Outro veio.
Outro golpe.
Depois outro.
E outro.
Em poucos segundos, dezenas estavam mortos novamente.
Mas os mortos não permaneciam mortos.
Os ossos começaram a se mover.
Braços se arrastaram pela terra.
Crânios quebrados se reconstruíram.
Corpos partidos voltaram a se erguer.
O Guardião observou.
— Necromancia...
Então ouviu uma voz.
— Impressionante.
Ele levantou os olhos.
Um homem caminhava tranquilamente entre os mortos.
Não parecia um monstro.
Não parecia um demônio.
Era apenas um homem.
Jovem.
Vestido de negro.
Com um cajado na mão.
— Você é o Guardião — disse o necromante.
— Sou.
— Então você sabe que não pode vencer.
— Sei.
O necromante franziu a testa.
— E ainda assim saiu.
— Sim.
— Por quê?
O Guardião ergueu a arma.
— Porque essa pergunta não importa.
O necromante sorriu.
— Então qual pergunta importa?
O Guardião respondeu:
— Quantos de vocês preciso destruir antes que você alcance Haffen?
O sorriso desapareceu.
Os mortos avançaram.
---
O primeiro golpe quase arrancou seu braço.
O Guardião girou o corpo, desviou da lâmina enferrujada e enterrou sua arma no peito do cadáver.
Um segundo morto veio pela esquerda.
Ele abaixou.
Uma espada passou sobre sua cabeça.
Levantou.
Golpeou.
Outro.
Mais dois.
Cinco.
Dez.
O campo desapareceu sob corpos.
E, enquanto lutava, o Guardião lembrou-se de uma coisa que não pensava havia muitos anos.
Sua infância.
Ele tinha sete anos quando segurou uma espada pela primeira vez.
Não conseguiu levantá-la.
Seu mestre riu.
— Pesada?
O menino assentiu.
— Então você ainda é fraco.
Ele tentou novamente.
A espada caiu.
— Eu não consigo.
O mestre cruzou os braços.
— Ainda não.
O menino olhou para ele.
— Qual é a diferença?
— A diferença entre “não consigo” e “não consigo ainda” é o que você fará amanhã.
Naquela noite, o menino chorou.
Não porque estava machucado.
Porque estava cansado.
Seu pai havia sido soldado.
Sua mãe havia trabalhado durante toda a vida para que ele pudesse estudar.
E ele havia escolhido aquele caminho.
Não porque queria ser famoso.
Não porque queria poder.
Mas porque, quando criança, tinha perguntado ao pai:
— Quem protege Sefrion?
Seu pai respondeu:
— Todos nós.
Ele não entendeu.
— Então por que existem os Guardiões?
O pai sorriu.
— Porque às vezes todos nós precisamos de alguém que fique de pé quando todos os outros precisarem correr.
Na época, aquilo parecia bonito.
Agora parecia cruel.
O Guardião desviou de uma lança.
A ponta atravessou sua armadura.
Ele sentiu a dor.
Agarrou a haste.
Puxou o morto para perto.
E o golpe seguinte destruiu seu rosto.
— Ainda não.
Ele respirou.
— Ainda não.
Mais mortos.
---
Ele tinha dez anos quando começou a acordar antes do nascer do sol.
Onze quando começou a correr pelas montanhas.
Doze quando seu mestre parou de ensiná-lo a atacar.
— Por quê?
— Porque você já sabe atacar.
— Então o que vou aprender?
O velho colocou uma venda sobre seus olhos.
— A ouvir.
Durante meses, ele treinou sem enxergar.
Aprendeu a perceber o peso dos passos.
A direção do vento.
O som de uma respiração.
O movimento de uma folha.
A presença de alguém atrás dele.
Aprendeu que uma espada não começava no braço.
Começava na intenção.
E aprendeu algo ainda mais importante.
— Um Guardião não luta para vencer — disse seu mestre.
— Então luta para quê?
— Para permanecer.
Aquele ensinamento nunca o abandonou.
---
Um morto enorme avançou.
O Guardião bloqueou o primeiro golpe.
O impacto o fez ajoelhar.
O segundo golpe rachou parte de sua armadura.
O terceiro o lançou contra o chão.
Ele ficou imóvel.
Por alguns segundos.
O necromante observou.
— Acabou.
O Guardião abriu os olhos.
Levantou-se.
— Não.
— Você está sangrando.
— Sim.
— Sua armadura está quebrada.
— Sim.
— Você está sozinho.
O Guardião olhou para as muralhas.
Centenas de pessoas observavam.
— Não.
O necromante acompanhou seu olhar.
— Está dizendo que aquelas pessoas lutarão?
— Não.
— Então como não está sozinho?
O Guardião apertou a arma.
— Porque eu sei por quem estou lutando.
O necromante ficou em silêncio.
Então deu uma risada baixa.
— Isso é fraqueza.
O Guardião respondeu:
— Não.
Avançou.
— Isso é memória.
---
Ele tinha dezessete anos quando seu mestre morreu.
Não em batalha.
Não diante de um inimigo.
Morreu sentado.
Naquela manhã, o jovem Guardião o encontrou respirando com dificuldade.
— Mestre?
O velho abriu os olhos.
— Você chegou.
— O senhor está doente?
— Estou velho.
— Isso não é doença.
O velho sorriu.
— Para quem tem vinte anos, talvez não.
O jovem segurou sua mão.
— Não quero ser Guardião.
O velho ficou em silêncio.
— Então não seja.
— Mas e Sefrion?
— Sefrion sobreviverá.
— E se não sobreviver?
O velho fechou os olhos.
— Então não será culpa sua.
Aquelas palavras destruíram algo dentro dele.
Porque durante toda a sua vida acreditara que precisava ser forte o suficiente para salvar todos.
Naquele dia, seu mestre lhe ensinou a última lição.
Ninguém consegue salvar todos.
Mas alguém precisa tentar.
---
O Guardião arrancou a lâmina de um cadáver.
O necromante já não sorria.
Atrás dele, milhares de mortos permaneciam.
— Você não entende — disse o necromante.
— Entendo mais do que você imagina.
— A morte não pode ser vencida.
— Eu sei.
— Então por que luta?
O Guardião olhou para o cadáver aos seus pés.
— Porque meu mestre morreu.
O necromante ficou imóvel.
— E?
— E descobri que a morte sempre vence no fim.
Ele ergueu os olhos.
— Mas isso não significa que ela precise vencer agora.
O necromante apertou o cajado.
Os mortos avançaram de uma vez.
---
O Guardião foi engolido.
Corpos sobre corpos.
Garras.
Espadas.
Ossos.
Dentes.
Ele desapareceu no meio da multidão.
Então uma luz surgiu.
Dourada.
Primeiro pequena.
Depois maior.
Até atravessar os corpos.
Os mortos foram lançados para todos os lados.
O Guardião permaneceu de pé.
Sangue escorria de seu rosto.
Sua armadura estava destruída em vários pontos.
Seu braço tremia.
Mas seus olhos continuavam firmes.
Ele olhou para Haffen.
Por um instante, lembrou-se de quando era criança.
Lembrou-se do pai.
Da mãe.
Do mestre.
Do primeiro treinamento.
Da primeira espada.
Da primeira derrota.
Da primeira vez que pensou em desistir.
E finalmente compreendeu.
Ele não havia passado a vida treinando para se tornar invencível.
Havia treinado para chegar àquele momento.
O momento em que tudo aquilo que amava estaria atrás dele.
E tudo aquilo que queria destruir estaria à sua frente.
O necromante ergueu o cajado.
— Morra.
O Guardião levantou sua arma.
— Depois.
Uma explosão de luz atravessou o campo.
A coruja gigante de Sefrion surgiu entre as nuvens.
Seu grito fez o céu estremecer.
As asas se abriram.
A criatura mergulhou.
Milhares de mortos foram atingidos pela onda de energia.
O Guardião avançou junto dela.
Pela primeira vez, o exército recuou.
O necromante olhou ao redor.
A expressão em seu rosto havia mudado.
Medo.
O Guardião percebeu.
E sorriu.
— Agora você entendeu.
— O quê?
Ele caminhou na direção dele.
— Por que existem Guardiões.
O necromante recuou.
— Você acha que pode me impedir?
— Não.
— Então?
O Guardião levantou a arma.
— Posso impedir você hoje.
Silêncio.
— Amanhã será problema de outro homem.
Ele avançou.
— Mas hoje...
A luz dourada explodiu novamente.
— ...Sefrion é minha responsabilidade.
O necromante ergueu o cajado.
Os dois avançaram um contra o outro.
E, naquela noite, entre milhares de cadáveres, o Guardião de Sefrion finalmente compreendeu o verdadeiro significado de seu título.
Não era ser aquele que nunca cai.
Era ser aquele que, depois de cair, ainda encontra forças para levantar.
Porque atrás dele havia uma cidade.
Havia crianças.
Havia velhos.
Havia livros.
Havia histórias.
Havia pessoas que talvez nunca soubessem seu nome.
E, enquanto ele permanecesse de pé, elas continuariam tendo um amanhã.
O Guardião apertou a arma.
E avançou sozinho contra a morte.efrion é minha responsabilidade.
O necromante ergueu o cajado.
Os dois avançaram um contra o outro.
E, naquela noite, entre milhares de cadáveres, o Guardião de Sefrion finalmente compreendeu o verdadeiro significado de seu título.
Não era ser aquele que nunca cai.
Era ser aquele que, depois de cair, ainda encontra forças para levantar.
Porque atrás dele havia uma cidade.
Havia crianças.
Havia velhos.
Havia livros.
Havia histórias.
Havia pessoas que talvez nunca soubessem seu nome.
E, enquanto ele permanecesse de pé, elas continuariam tendo um amanhã.
O Guardião apertou a arma.
E avançou sozinho contra a morte.