Por Yuri Schein
A teologia evangélica moderna, influenciada pelo romantismo sentimental e pelo medo de ofender a sensibilidade feminina contemporânea, insiste que o casamento acaba para sempre na morte e que na eternidade não haverá mais união conjugal. Essa visão é fraca, truncada e contraria a soberania absoluta de Deus sobre a criação e a redenção. Vamos à Escritura sem filtro.
Primeiro, a morte foi derrotada. A ressurreição de Cristo não foi uma mera “sobrevivência da alma”. Foi vitória total sobre a morte. Quem morre em Cristo já passou pela morte. O vínculo matrimonial terreno, que a morte dissolve, pode ser renovado ou reformado na nova criação, pois o poder da morte que antes o encerrava foi aniquilado. Aquele que ressuscita não carrega mais as limitações do corpo mortal pré-ressurreição da mesma forma.
Segundo, o texto clássico usado para enterrar o casamento eterno é mal lido. Quando os saduceus apresentam a mulher que se casou sucessivamente com sete irmãos (Mateus 22:23-33), Jesus responde: “Na ressurreição nem casam nem se dão em casamento, mas são como os anjos no céu”. Observe com atenção: Jesus menciona explicitamente o estado “como os anjos no céu”. Os anjos não têm corpos físicos como os nossos e não procriam. Esse ensino refere-se ao estado intermediário — quando o crente está ausente do corpo e presente com o Senhor (2 Coríntios 5:8) —, e não ao estado final da ressurreição corporal. No estado intermediário, sem corpo, não há casamento no sentido terreno. Mas isso não resolve o que acontece após a ressurreição do corpo.
Terceiro, e mais devastador: a ressurreição restaura e aperfeiçoa a criação original. O Éden não era um estado de assexualidade angelical. Adão e Eva foram criados com sexualidade plena, sistema reprodutivo ativo e ordem de “frutificai e multiplicai-vos” antes da queda. A redenção não anula a boa criação — ela a restaura e glorifica. A ressurreição nos devolve corpos perfeitos, libertos da maldição, mas não castrados. Se o sistema reprodutivo fosse abolido para sempre, a redenção seria uma subtração, não uma restauração maior que o Éden.
Portanto, na nova terra, com corpos glorificados, o homem redimido poderá unir-se novamente em aliança conjugal e procriar. A eternidade não será um eterno celibato angelical, mas uma multiplicação contínua e santa da raça redimida, enchendo a nova criação com a glória de Deus refletida em famílias piedosas eternas. A morte não tem a última palavra sobre o casamento, assim como não tem sobre a vida.
Os que gritam “heresia” revelam sua verdadeira pressuposição: preferem um paraíso assexuado e despojado da boa criação a aceitar que Deus pode restaurar plenamente tudo o que Ele mesmo declarou “muito bom”. O ocasionalismo nos ensina que Deus decreta e sustenta cada detalhe. Se Ele criou sexualidade, casamento e procriação como bens antes da queda, e se a redenção é maior que a criação original, então nada impede que, em glória, o homem fiel exerça novamente essa bênção — agora sem pecado, sem ciúme, sem morte e sem limitação.
Mateus 19 reforça o padrão criacional contra o divórcio, mas não anula a possibilidade de novas uniões na nova criação. A morte dissolve o vínculo terreno (Romanos 7:2-3), e a ressurreição abre caminho para o que Deus quiser na eternidade.
Que o Senhor destrua essa teologia truncada e angelical que rouba da nova criação a plenitude da bênção edênica restaurada. O axioma é a Escritura inteira, não a tradição pietista que transformou o céu em um mosteiro eterno.
Deus criará novos céus e nova terra — e neles haverá multiplicação da glória dEle através de Seus filhos em corpos gloriosos.
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