Por Yuri Schein
Paulo, o maior apóstolo da igreja cristã, não tinha pudor em falar de si mesmo. Ele declarou sem rodeios:
“Trabalhei muito mais do que todos eles” (1 Coríntios 15:10).
“Fui constituído pregador, apóstolo e mestre dos gentios” (2 Timóteo 1:11).
“Eu, Paulo, vos rogo pela mansidão e benignidade de Cristo, eu que sou humilde quando presente entre vós, mas ousado quando ausente” (2 Coríntios 10:1).
Ele falava de seu trabalho, de sua autoridade, de sua doutrina, de suas revelações e até de suas fraquezas. E fazia isso com frequência.
Quem não conhece a Bíblia, ou conhece muito pouco, logo reage com a piedade barata do século XXI: “Isso é soberba. Cristão não deve falar de si mesmo. Tem que ser humilde”. Essa gente imagina que humildade é invisibilidade total, silêncio sobre qualquer realização e autoflagelação constante. Para eles, Paulo seria um orgulhoso insuportável.
Mas a verdade é o contrário.
A falsa humildade moderna não é fruto da Escritura. É fruto de uma cultura sentimental que transformou o cristianismo em terapia de autoajuda disfarçada de espiritualidade. Nela, qualquer homem que reconhece o que Deus fez através dele é imediatamente acusado de arrogância. Enquanto isso, o mesmo pessoal que condena Paulo elogia abertamente influencers, pastores celebridade e livros de “meu ministério de sucesso”.
Paulo não falava de si por vaidade. Ele falava porque sua vida e seu ministério eram provas vivas da graça soberana de Deus. Quando dizia “trabalhei mais que todos”, completava imediatamente: “não eu, mas a graça de Deus comigo”. Sua ousadia em falar de si mesmo não era exaltação do eu autônomo, mas exaltação da graça que o tomou e o usou poderosamente.
A Escritura não condena o homem de Deus de falar da obra que Deus realizou nele. Pelo contrário, a Bíblia está cheia de servos que declaravam sua vocação, suas lutas e suas vitórias: Moisés, Davi, Elias, Neemias, os profetas, o próprio Senhor Jesus que testificava de Si mesmo. A humildade bíblica não é negar a realidade. É reconhecer que tudo vem de Deus, sem cair no outro extremo da falsa modéstia que paralisa o testemunho.
A teologia da ação divina nos ajuda a entender isso com clareza. Se Deus é a única causa real, então quando um homem fala do que Deus operou através dele, ele não está roubando glória — está testemunhando da soberania e da graça daquele que age em todos os Seus eleitos.
Quem lê a Bíblia com honestidade percebe que o problema não está em Paulo falar de si. O problema está no coração moderno, que acha que humildade é desaparecer e nunca reconhecer o que Deus fez. Essa “humildade” não passa de orgulho invertido: orgulho de parecer mais espiritual que Paulo.
Que o Senhor nos livre dessa piedade falsa e nos dê homens que, como Paulo, sejam ousados em declarar o que Cristo fez neles, sempre apontando para a graça soberana como única explicação.
O axioma é a Escritura. Não o sentimento moderno de falsa humildade.
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