Por Yuri Schein
A maioria dos cristãos professa crer na soberania de Deus, mas na prática vive como se Ele fosse apenas um espectador poderoso que de vez em quando interfere no mundo. Essa visão fraca e comprometida precisa ser destruída. A teologia da ação divina, ou ocasionalismo cristão, afirma algo muito mais radical e bíblico: Deus é a única causa real de todas as coisas. Tudo o mais são meras ocasiões em que Ele atua diretamente.
Desde a criação, a Escritura apresenta um Deus que não delega poder causal independente às criaturas. Ele não criou um universo que funciona sozinho e depois fica observando. “Nele vivemos, nos movemos e existimos” (Atos 17:28). Ele sustenta todas as coisas pela palavra do Seu poder (Hebreus 1:3). Não existe uma única ação, um único pensamento, um único evento que escape de Sua causação direta.
Quando o vento sopra, quando o coração bate, quando um homem crê ou rejeita o evangelho, quando o sol nasce ou quando uma folha cai — em todos esses casos, Deus é a causa primária e única. As chamadas “causas secundárias” são apenas instrumentos ou ocasiões. Elas não possuem poder causal próprio. São como o martelo na mão do carpinteiro: o martelo não bate o prego, o carpinteiro bate usando o martelo.
Essa verdade destrói de uma vez o livre arbítrio libertariano. O homem nunca escolhe de forma autônoma. Ele escolhe segundo sua natureza, mas essa natureza, essa escolha e até o próprio ato de querer são sustentados e causados por Deus no momento exato. Não há espaço para uma vontade humana neutra ou independente. O ocasionalismo não torna o homem um robô. Ele revela que o homem é uma criatura totalmente dependente, cujo orgulho de autonomia é uma ilusão sustentada pelo próprio Deus.
Os que se escandalizam com isso geralmente têm um conceito pequeno de Deus e um conceito grande demais do homem. Preferem um Deus que tenta salvar a todos e falha quando o homem resiste, em vez de um Deus que faz todas as coisas conforme o conselho da Sua vontade (Efésios 1:11). Preferem um universo onde o homem é co-ator, em vez de um universo onde só há um Ator real.
A teologia da ação divina não é especulação filosófica. É a consequência lógica e inescapável de tomar a Escritura como axioma último. Se Deus é soberano de verdade, Ele não pode ser soberano apenas “em última instância”. Ele deve ser soberano em cada instante, em cada partícula, em cada pensamento e em cada decisão.
O cristão leigo que entende isso ganha um descanso profundo. Sua salvação não depende da fragilidade da sua vontade. Sua santificação não depende do seu esforço autônomo. Até mesmo sua fé mais sincera é dom de Deus, causado por Ele. Tudo é dEle, por Ele e para Ele.
Que o Senhor levante uma geração que pare de negociar com a autonomia humana e abrace sem vergonha a teologia da ação divina. Deus não divide Sua glória com ninguém — nem com a suposta “livre vontade” da criatura.
A Escritura é o axioma. Tudo o mais deve se curvar diante dela.
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