Por Yuri Schein
Muitos que ouvem falar em poligamia hoje logo imaginam qualquer tipo de arranjo e já condenam tudo. Mas a Escritura não é simétrica nem sentimental. Ela revela um padrão claro: quando Deus permitiu e regulou a poligamia, foi sempre poligamia masculina — um homem com várias esposas. O contrário, a poliandria (mulher com vários maridos), nunca foi tolerado. Era tratado como adultério e punido com morte.
Desde a Lei mosaica, a diferença é evidente. A mulher que se entregasse a outro homem que não seu marido cometia adultério e recebia a pena capital. Não havia regulamentação favorável à mulher ter múltiplos maridos. Já o homem que tomava uma segunda esposa, desde que tratasse a primeira com justiça, não era condenado. A Lei inclusive protegia os direitos dos filhos da esposa menos amada. Isso não é falha cultural do Antigo Testamento. É revelação divina que reflete a ordem da criação: o homem é cabeça, criado primeiro, e a mulher foi formada dele para ser auxiliadora.
Os exemplos bíblicos confirmam isso sem exceção. Abraão, Jacó, Davi, Elcana, Salomão — todos homens com múltiplas esposas. Nunca o inverso. Deus não apenas “tolerou” de forma relutante. Como Autor soberano de todas as coisas, Ele decretou, permitiu e regulou essa realidade dentro de Seu plano para Israel, especialmente em épocas de guerra, mortalidade masculina elevada e necessidade de multiplicar a descendência do povo da aliança.
Além da ordem criacional e da regulamentação explícita da Lei, há razões práticas que a própria Escritura pressupõe:
- O homem foi criado para prover, proteger e liderar. Um homem capaz pode sustentar, guiar e cobrir múltiplas mulheres e filhos sob sua responsabilidade. Uma mulher não foi designada para carregar o mesmo fardo de liderança e provisão sobre múltiplos maridos — isso geraria confusão de cabeça e desordem, algo que Deus odeia.
- A natureza reprodutiva é assimétrica. Um homem pode gerar filhos com várias mulheres ao mesmo tempo. Uma mulher só pode carregar um filho por vez e precisa de estabilidade para criar. A poligamia masculina se encaixa na realidade biológica que o próprio Criador estabeleceu.
- Historicamente, em sociedades pós-guerra, sobravam mulheres viúvas e órfãs. A poligamia masculina justa funcionava como proteção e provisão, em vez de deixá-las na miséria ou na prostituição.
O ideal criacional permanece um homem e uma mulher em “uma só carne”. Isso é o padrão mais elevado e mais comum. Mas transformar esse ideal em proibição absoluta para todos os casos, onde a Bíblia não o fez, é adicionar à Palavra. O Novo Testamento exige que presbíteros e diáconos sejam “marido de uma só mulher” porque liderança na igreja exige o mais alto padrão de dedicação e exemplo. Isso não transforma automaticamente a poligamia masculina em pecado para todo cristão leigo.
Quem aceita a soberania absoluta e o ocasionalismo entende: Deus não perde o controle. Se Ele permitiu e regulou a poligamia masculina no passado sem chamá-la de abominação, então ela não é intrinsecamente imoral em si. Pode não ser recomendável na maioria das situações — exige maturidade extrema, recursos abundantes, capacidade de amar e tratar com justiça todas as esposas, e total lealdade ao Senhor sem cair na cobiça ou idolatria. Mas possibilidade não é o mesmo que proibição.
O axioma é a Escritura inteira, não o romantismo ocidental do século XIX nem o consenso evangélico moderno. Que o cristão examine com temor a Palavra, sem medo de ser chamado de extremista por defender o que Deus não condenou.
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