Por Yuri Schein
Muitos cristãos hoje falam de Deus com a boca, mas no fundo do coração ainda querem salvar um pedaço de autonomia para o homem. O nome mais comum desse ídolo é “livre arbítrio libertariano” — a ideia de que o homem possui uma vontade neutra, capaz de escolher entre o bem e o mal sem determinação divina, como se fosse um pequeno deus decidindo seu próprio destino.
Essa doutrina não é um detalhe teológico. Ela é o câncer que corrompe praticamente todo o evangelicalismo moderno. Se o homem tem o poder final de decidir aceitar ou rejeitar a Cristo, então no fundo é o homem quem salva a si mesmo. Deus apenas oferece. Isso transforma a salvação em uma negociação, e não em um ato soberano de misericórdia sobre mortos espirituais.
A Escritura é cristalina desde o princípio. Em Gênesis 6:5, antes do dilúvio, “era continuamente mau todo desígnio do coração do homem”. Depois da queda, o homem não ficou ferido na vontade — ele morreu espiritualmente. Sua vontade continua livre, mas livre apenas para pecar, de acordo com sua nova natureza. Ninguém é coagido a pecar. O homem peca porque quer, com prazer, e Deus decreta e sustenta até mesmo essa vontade rebelde.
Paulo não deixa margem para dúvida: “Não há quem busque a Deus” (Romanos 3:11). “O homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus” (1 Coríntios 2:14). O coração do homem não é uma balança neutra. É uma balança quebrada que sempre pende para o mal, até que Deus, por soberania absoluta, regenere o homem e lhe dê um novo coração.
O ocasionalismo torna isso ainda mais claro. Deus não é um mero influenciador que espera a decisão humana. Ele é a única causa real. Todo pensamento, toda inclinação, toda escolha — até a fé salvadora — é sustentada e causada por Ele no momento exato. O homem age de acordo com sua natureza, mas essa natureza e cada ato dela estão inteiramente sob o decreto divino. Não existe espaço para uma vontade humana que escape do controle de Deus.
O livre arbítrio libertariano é, na prática, ateísmo disfarçado de piedade. Ele rouba a glória da graça soberana e entrega ao homem o troféu final da salvação. Por isso é tão popular: lisonjeia o orgulho humano. Por isso também é combatido com fúria por todos os que realmente creram na Escritura como axioma último.
O cristão leigo precisa escolher de que lado está. Ou Deus é soberano sobre todas as coisas, inclusive sobre a vontade do homem, ou o homem é soberano sobre sua própria salvação. Não existe meio termo coerente. A teologia arminiana, o molinismo e todas as suas variações modernas são tentativas desesperadas de salvar a dignidade do homem às custas da glória de Deus.
A verdadeira liberdade não está em uma vontade neutra e imaginária. A verdadeira liberdade está em ser liberto da escravidão do pecado pela graça irresistível de Deus e poder querer o que é bom porque agora temos uma nova natureza.
Que o Senhor destrua esse ídolo dentro de Suas igrejas e nos faça ver que até mesmo nossa fé mais sincera foi obra dEle, do princípio ao fim.
O axioma é a Escritura. Não o sentimento, não a tradição, não o desejo de parecer mais humano. Deus não divide Sua glória com ninguém — nem mesmo com a “livre escolha” do homem.
#SolaScriptura #SoberaniaAbsoluta #Ocasionalismo #Escrituralismo #ContraArminianismo #CosmovisaoBíblica
Nenhum comentário:
Postar um comentário