sábado, 3 de outubro de 2026

Ad'Heim: O Segundo confronto com Angarkor

 Ikarus apertou a espada.


Angarkor permanecia diante dele, imóvel, com uma das katares apoiada sobre o ombro.


— Venha.


Ikarus avançou.


Os nove fragmentos explodiram em luz.


Uma aura dourada envolveu seu corpo.


O chão sob seus pés rachou.


O vento foi lançado para todos os lados.


Por um instante, os soldados de Okhus tiveram a impressão de que havia surgido outro ser diante deles.


Não era apenas Ikarus.


Era a manifestação de nove poderes acumulados durante uma jornada de anos.


O grifo surgiu atrás dele.


A grande coruja abriu as asas.


A serpente ergueu a cabeça.


O centauro golpeou o chão.


A águia desceu dos céus.


A serpente marinha surgiu entre as ruínas.


As raízes da Árvore de Khsandra atravessaram a terra.


O poder de Arteph se manifestou como uma sombra monstruosa.


E, acima de todos eles, o Beholder de Okhus abriu seus olhos.


Ikarus avançou.


Angarkor sorriu.


O primeiro golpe veio tão rápido que Angarkor precisou erguer a katar para bloquear.


CLANG!


A força do impacto o fez recuar.


Ikarus apareceu novamente ao seu lado.


Segundo golpe.


Terceiro.


Quarto.


Angarkor desviou.


Ikarus girou o corpo e acertou seu peito.


Angarkor foi lançado contra uma parede.


A construção desabou.


Os soldados olharam atônitos.


— Ele conseguiu!


Ikarus não parou.


As nove manifestações avançaram simultaneamente.


A águia mergulhou.


A serpente atacou.


O grifo golpeou.


O Beholder disparou uma rajada de energia.


Angarkor desapareceu entre as ruínas.


Ikarus apareceu acima dele.


A espada desceu.


Angarkor bloqueou.


A explosão destruiu o chão.


Ikarus continuou.


Golpe após golpe.


Angarkor foi atingido novamente.


E novamente.


E novamente.


Sangue escorreu pelo rosto de Angarkor.


Pela primeira vez, o sorriso havia desaparecido.


Ikarus respirava pesadamente.


Mas continuava avançando.


— Você queria descobrir até onde eu consigo chegar?


A aura dourada aumentou.


— Então descubra!


Ikarus desapareceu.


Angarkor olhou para os lados.


Tarde demais.


Ikarus surgiu atrás dele.


A espada atravessou sua defesa e atingiu seu corpo.


Angarkor foi lançado para longe.


Caiu de joelhos.


Ikarus pousou diante dele.


Os nove fragmentos brilhavam intensamente.


Durante alguns segundos, ninguém falou.


Os soldados de Okhus começaram a acreditar.


Talvez fosse possível.


Talvez aquele homem que havia aterrorizado o mundo pudesse finalmente ser derrotado.


Ikarus ergueu a espada.


— Acabou.


Angarkor ficou imóvel.


Então começou a rir.


Baixo.


Quase imperceptível.


Ikarus franziu a testa.


A risada aumentou.


— O que foi?


Angarkor levantou lentamente o rosto.


Seus olhos vermelhos estavam brilhando.


— Acabou?


Ikarus avançou.


Angarkor desapareceu.


Não houve movimento.


Não houve preparação.


Simplesmente desapareceu.


Ikarus arregalou os olhos.


Uma sombra surgiu ao seu lado.


Um pé atingiu seu abdômen.


O impacto foi absurdo.


Ikarus foi lançado como um projétil.


Atravessou uma parede.


Depois outra.


Depois uma terceira.


Seu corpo finalmente caiu sobre as pedras.


A aura dourada vacilou.


Ikarus tentou levantar.


Não conseguiu.


Um de seus braços tremia.


Sua armadura estava completamente destruída em vários pontos.


Ele respirava com dificuldade.


Tentou apoiar-se sobre um joelho.


Angarkor já estava diante dele.


— Você realmente acreditou...


Angarkor olhou para os nove fragmentos.


— ...que eu estava lutando sério?


Ikarus levantou os olhos.


Angarkor desapareceu novamente.


Um golpe.


Ikarus foi lançado para cima.


Outro.


Seu corpo caiu violentamente.


Outro.


A espada escapou de sua mão.


Os soldados de Okhus ficaram paralisados.


Não conseguiam sequer acompanhar os movimentos.


Angarkor parou.


Ikarus estava no chão.


Sua armadura havia sido reduzida a pedaços.


Havia sangue em seu rosto.


Seus músculos tremiam.


A aura dos nove fragmentos, antes gigantesca, agora mal conseguia envolver seu corpo.


Ele tentou respirar.


Cada respiração doía.


Tentou mover o braço.


Uma dor aguda o fez parar.


Angarkor caminhou lentamente até ele.


— Interessante.


Ikarus tentou levantar os olhos.


— Você...


Angarkor inclinou a cabeça.


— Sim?


Ikarus fechou os dentes.


— Eu ainda...


Tentou se levantar.


Caiu novamente.


Angarkor observou.


— Ainda o quê?


Ikarus olhou para os fragmentos.


Nove.


Apenas nove.


Sua voz saiu fraca.


— Se eu... ao menos tivesse...


Ele respirou com dificuldade.


— ...os doze fragmentos...


Angarkor ficou imóvel.


Durante alguns segundos, não houve sorriso.


Apenas curiosidade.


Ele se abaixou diante de Ikarus.


— Então é isso que você pensa?


Ikarus não respondeu.


Angarkor olhou para os nove fragmentos.


Depois para Ikarus.


— Você acredita que precisa de mais poder.


Ikarus fechou os olhos.


Angarkor sorriu lentamente.


— Mais força.


Ele levantou-se.


— Mais fragmentos.


Uma pequena risada escapou.


— Mais pólvora.


Ikarus abriu os olhos.


Angarkor parecia genuinamente divertido.


— Interessante.


Ele ergueu a katar.


— Então talvez eu deixe você viver.


Ikarus ficou imóvel.


— O quê?


Angarkor guardou a arma.


— Quero descobrir uma coisa.


Ele se afastou alguns passos.


— Quero ver até onde você consegue chegar.


Uma energia negra começou a se formar atrás dele.


O espaço começou a se distorcer.


Um portal surgiu.


Ikarus tentou levantar.


— Espere...


Angarkor olhou por cima do ombro.


— Não morra antes de conseguir os doze.


Ikarus apertou os dentes.


— Angarkor!


Angarkor sorriu.


— Da próxima vez...


Ele entrou no portal.


— ...talvez eu realmente tente matar você.


O portal se fechou.


Silêncio.


Ikarus permaneceu no chão.


Os nove fragmentos continuavam brilhando.


Fracos.


Muito fracos.


E, pela primeira vez desde que havia começado sua jornada, Ikarus compreendeu uma coisa terrível.


Ele não havia perdido porque não era forte o suficiente.


Havia perdido porque, para Angarkor, a luta nunca havia sido uma luta.


Tinha sido um jogo.


E Angarkor havia acabado de decidir que queria jogar novamente.

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