sábado, 3 de outubro de 2026

Ad'Heim: Ragnarok

 O brilho que havia surgido nos fragmentos de Ikarus aumentou.


Mas não foi Ikarus quem se levantou.


Foi Angarkor quem recuou.


Um som profundo atravessou o salão.


Como se alguma coisa muito antiga tivesse acabado de despertar sob o palácio.


O Necromante olhou para as paredes.


— Não...


Então uma voz surgiu atrás de Angarkor.


— Já chega.


Angarkor parou.


Outra voz respondeu, vindo do lado oposto:


— Você foi longe demais.


Ikarus ergueu os olhos.


Duas silhuetas estavam surgindo das sombras.


A primeira caminhava lentamente pelo salão.


A segunda vinha pelo corredor lateral.


Angarkor permaneceu imóvel.


Então seus olhos se estreitaram.


— Vocês...


O primeiro homem parou.


Neutro.


O segundo aproximou-se.


Ordekh.


Os dois encaravam Angarkor.


Por alguns segundos, ninguém falou.


Então Neutro ergueu sua arma.


— Você não deveria mais existir.


Ordekh completou:


— Mas sempre foi assim com você.


Angarkor abaixou a cabeça.


Um sorriso surgiu em seu rosto.


— Quanto tempo.


Neutro respondeu:


— Tempo demais.


Ikarus tentou se levantar.


— Quem...


Sua voz falhou.


Ordekh olhou para ele.


— Fique no chão.


Ikarus tentou protestar.


— Eles...


— Depois.


Ordekh voltou os olhos para Angarkor.


— Agora temos outro assunto.


Angarkor desembainhou lentamente as duas katares.


O som metálico atravessou o salão.


Neutro apertou a própria arma.


— Ragnarok.


Ikarus olhou para ele.


A palavra pareceu estranha.


Ordekh repetiu:


— Ragnarok.


Angarkor ficou completamente imóvel.


— Não me chamem assim.


Neutro deu um passo.


— Esse foi o nome que recebeu quando deixou de ser apenas Angarkor.


Ordekh avançou.


— O nome daquele que não deveria voltar.


Angarkor levantou o rosto.


Os olhos vermelhos brilhavam.


— Vocês ainda acreditam que podem me impedir?


Neutro respondeu:


— Não.


Ordekh completou:


— Mas podemos tentar.


Angarkor desapareceu.


O choque seguinte quase derrubou o salão.


CLANG!


Neutro bloqueou a primeira katar.


Ordekh interceptou a segunda.


Angarkor girou.


Os três desapareceram em uma sucessão de movimentos rápidos demais para Ikarus acompanhar.


As lâminas colidiam.


O chão rachava.


As colunas tremiam.


Ikarus observava, ainda ajoelhado.


Mas então ouviu uma voz.


— Eiran.


O garoto virou-se.


O Necromante estava atrás dele.


Eiran imediatamente levantou a espada.


— Não chegue perto da minha irmã.


Lyra segurou o braço do irmão.


O Necromante não atacou.


Apenas os observou.


— Vocês não deveriam ter vindo.


Eiran respondeu:


— Viemos pelo nosso pai.


— Eu sei.


O menino hesitou.


O Necromante olhou para Lyra.


Depois para Eiran.


— Vocês sabem quem são?


Eiran franziu a testa.


— Somos filhos de Ikarus.


— Não foi isso que perguntei.


O silêncio caiu entre os três.


O Necromante aproximou-se lentamente.


Eiran levantou a espada.


— Pare.


O Necromante parou.


— Seu pai passou anos procurando respostas.


Ele olhou para Ikarus, caído no centro do salão.


— E nunca percebeu que algumas delas estavam diante dele.


Lyra perguntou:


— Que respostas?


O Necromante não respondeu.


Seus olhos estavam fixos nela.


Então alguma coisa aconteceu.


Uma pequena luz surgiu na mão de Lyra.


Ela recuou assustada.


— O que é isso?


Eiran olhou para a mão da irmã.


— Lyra...


A luz aumentou.


Ao mesmo tempo, um dos fragmentos de Ikarus brilhou novamente.


Depois outro.


Angarkor percebeu.


Mesmo lutando contra Neutro e Ordekh, virou o rosto.


Seus olhos encontraram Lyra.


E, pela primeira vez, sua expressão mudou completamente.


— Não.


Neutro aproveitou a distração e atingiu Angarkor.


Ragnarok foi lançado contra uma coluna.


A pedra explodiu.


Ordekh avançou.


— Olhe para nós!


Angarkor levantou-se.


Mas continuava olhando para Lyra.


— Então era ela...


Eiran se colocou diante da irmã.


— Não sei do que você está falando.


O Necromante aproximou-se da menina.


Eiran apontou a espada.


— Eu disse para não chegar perto!


O Necromante parou novamente.


— Eiran.


O garoto congelou.


— Como sabe meu nome?


O Necromante não respondeu.


Em vez disso, olhou para os dois como se estivesse diante de algo que havia esperado durante muito tempo.


— Um deles carrega a chave.


Eiran apertou a espada.


— Chave para quê?


O Necromante finalmente respondeu:


— Para aquilo que o seu pai jamais deveria encontrar.


Atrás deles, um estrondo sacudiu o palácio.


Angarkor havia atravessado uma parede.


Neutro e Ordekh avançaram juntos.


— RAGNAROK!


Angarkor surgiu dos escombros.


Sangue escorria pelo rosto.


Ele sorriu.


— Vocês ainda têm esse nome na boca...


Então ergueu as duas katares.


— ...mas esqueceram o que ele significa.


Os três se lançaram novamente um contra o outro.


Enquanto isso, a luz na mão de Lyra crescia.


Eiran olhou para a irmã.


— Lyra... o que está acontecendo?


Ela começou a chorar.


— Eu não sei.


O Necromante aproximou-se mais uma vez.


Dessa vez, não para atacá-los.


Ele estendeu a mão.


— Venha comigo.


Eiran imediatamente ficou entre os dois.


— Não.


O Necromante olhou para ele.


— Se permanecer aqui, seu pai poderá morrer.


Eiran hesitou.


O Necromante então acrescentou:


— E se vier comigo...


Ele olhou para Lyra.


— talvez eu consiga impedir que ela descubra o que realmente é.


E, naquele instante, Ikarus ouviu a voz.


Mesmo quase inconsciente.


— Não...


Ele tentou se levantar.


— Não toque nos meus filhos.


O Necromante virou lentamente o rosto.


Ikarus estava de pé novamente.


Mal conseguia permanecer equilibrado.


Mas estava de pé.


Os doze fragmentos brilhavam ao redor dele.


E Ikarus encarava o Necromante.


— Se quiser chegar até eles...


Ele ergueu a espada.


— ...vai ter que passar por mim.


O Necromante sorriu pela primeira vez.


— Finalmente.


E atrás dele, a luz que envolvia Lyra explodiu.

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