sábado, 3 de outubro de 2026

Ad'Heim: Última Batalha

 A chuva caía violentamente sobre Baltamus.


Não era uma chuva comum.


Era uma tempestade.


O céu inteiro parecia tomado por nuvens negras, e os relâmpagos iluminavam o campo de batalha em flashes brancos. O trovão fazia as muralhas do palácio tremerem.


Diante delas, os exércitos dos doze reinos haviam chegado.


Homens, elfos, anões, guerreiros de Aldora, soldados de Lenória, arqueiros de Sefrion, tropas de Kallon, Valeth, Setra, Gallen, Khsandra, Arteph, Okhus, Thimos e Baltamus.


Todos lutavam.


E no centro daquela tempestade estava Ikarus.


Sua espada atravessou o peito de um morto-vivo.


Ele o derrubou.


Outro veio pela direita.


Ikarus girou e o atingiu.


Um terceiro saltou sobre ele.


Ikarus bloqueou o golpe e o lançou contra outros inimigos.


Mas não havia fim.


As hordas continuavam surgindo dos portões do palácio.


Centenas.


Milhares.


Os mortos avançavam sob a chuva, misturando-se aos soldados do Necromante.


Ikarus respirou profundamente.


Ergueu a espada.


E gritou:


— ANGARKOR!


Sua voz atravessou o campo de batalha.


Por um instante, até os soldados próximos pareceram ouvir.


Do alto do palácio, nenhuma resposta.


Ikarus avançou.


— ANGARKOR!


Outro inimigo caiu.


Ele continuou.


— ANGARKOR!


A cada grito, sua voz parecia atravessar a tempestade.


Ele não estava chamando um homem.


Estava desafiando um monstro.


Estava chamando aquele que havia arrancado Raella de sua vida.


Aquele que havia derrotado os doze fragmentos.


Aquele que havia esperado por ele.


Ikarus avançou contra a multidão.


Seu exército avançava junto.


Os soldados abriam caminho entre as hordas enquanto Ikarus seguia diretamente para as enormes escadarias que levavam ao palácio.


Então ele as viu.


A escadaria.


Centenas de degraus de pedra subindo até a entrada principal.


Guardas estavam posicionados por toda a extensão.


Ikarus ergueu a espada.


— ANGARKOR!


E começou a subir.


O primeiro inimigo veio.


Ikarus o derrubou.


Segundo.


Golpe.


Terceiro.


Quarto.


Ele continuava subindo.


A chuva escorria por seu rosto.


O sangue dos inimigos misturava-se à água que descia pelos degraus.


Mais mortos-vivos surgiam das laterais.


Ikarus avançava contra eles.


— ANGARKOR!


Um guerreiro desceu correndo.


Ikarus desviou.


Outro tentou acertá-lo pelas costas.


Ele girou e o derrubou.


Mais três vieram.


Ikarus não parou.


— ANGARKOR!


Seu grito ecoou pelas paredes do palácio.


Lá embaixo, os exércitos continuavam lutando.


Mas Ikarus já estava sozinho na escadaria.


Subindo.


Um degrau.


Outro.


Outro.


Os inimigos não paravam.


Um enorme guerreiro coberto por uma armadura negra surgiu no meio da escadaria.


Ikarus parou diante dele.


O guerreiro levantou a espada.


Ikarus também.


Os dois avançaram.


O choque das lâminas produziu uma faísca que desapareceu imediatamente sob a chuva.


Ikarus venceu.


Continuou subindo.


— ANGARKOR!


Um relâmpago iluminou o céu.


Ikarus estava quase no topo.


Mas então as portas do palácio se abriram.


Uma nova onda de inimigos surgiu.


Ikarus olhou para eles.


Seu rosto estava completamente diferente agora.


Não havia medo.


Não havia dúvida.


Não havia hesitação.


Só ódio.


Ele segurou a espada com as duas mãos.


— ANGARKOR!


E avançou.


Os inimigos vieram ao seu encontro.


Ikarus atravessou a formação.


Um caiu.


Outro.


Outro.


Ele subiu o último lance de escadas.


Um último guerreiro tentou impedi-lo.


Ikarus o derrotou.


Silêncio.


Por alguns segundos, só a chuva podia ser ouvida.


Ikarus ficou parado diante das enormes portas do palácio.


Respirou.


Então abriu.


As portas rangeram.


Do outro lado havia um salão imenso.


Escuro.


Frio.


E, no fundo dele...


Angarkor estava esperando.


De pé.


Imóvel.


Os cabelos brancos caíam sobre o rosto.


Os olhos vermelhos estavam fixos em Ikarus.


As duas katares permaneciam junto ao seu corpo.


Atrás dele, nas sombras, estava o Necromante.


Ikarus entrou.


As portas se fecharam lentamente atrás dele.


Durante alguns segundos, nenhum dos dois disse nada.


A tempestade continuava do lado de fora.


Angarkor finalmente ergueu os olhos.


— Você finalmente chegou.


Ikarus apertou a espada.


— ANGARKOR!


Dessa vez não foi um chamado.


Foi uma sentença.


Angarkor sorriu.


— Agora podemos conversar.

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