O primeiro rugido da criatura de Khsandra fez a própria floresta estremecer.
Não foi como o rugido da Serpente de Kallon. Aquela criatura pertencia ao mar, às profundezas e à violência das águas. O som que agora atravessava Khsandra era diferente. Era grave, lento e profundo, como se uma montanha tivesse despertado depois de milhares de anos de sono.
As raízes da gigantesca árvore se moveram.
Uma delas rompeu o chão atrás de Ikarus.
Ele saltou para o lado.
A raiz atingiu a terra onde seus pés estavam um instante antes e abriu uma enorme fissura.
Ikarus rolou, levantou-se e desembainhou a espada.
Serenya permaneceu imóvel.
— Você ainda pode ir embora.
Ikarus olhou para ela.
— Você sabe que não vou.
— Sei.
— Então por que ofereceu?
Serenya baixou a espada.
— Porque todos os Guardiões precisam oferecer uma última escolha.
Ikarus sentiu um arrepio.
— Todos?
— Todos.
Ela olhou para o chão.
— Talvez alguns tenham esquecido de dizer isso.
Ikarus pensou em Sahrion.
Eryon.
Darven.
Aren.
Kaeron.
Cinco homens.
Cinco mortes.
Cinco vezes em que a mesma escolha havia sido colocada diante dele.
E cinco vezes em que havia avançado.
Serenya percebeu a mudança em seu rosto.
— Você está pensando neles.
— Sim.
— Você se lembra dos nomes?
— De todos.
Serenya fechou os olhos.
— Então talvez exista alguma esperança.
Ikarus franziu a testa.
— Esperança para quê?
Serenya não respondeu.
A criatura atrás dela avançou.
Era colossal.
Seu corpo parecia uma árvore que havia aprendido a caminhar. O tronco principal formava um torso gigantesco, enquanto raízes grossas funcionavam como membros. Galhos se projetavam de seus ombros como chifres. Folhas douradas surgiam em algumas partes do corpo, mas grande parte da madeira estava marcada por veios negros.
Seus olhos eram dois círculos dourados.
Quando deu o primeiro passo, dezenas de árvores menores se curvaram.
Ikarus olhou para cima.
— Como se chama?
Serenya respondeu:
— A Árvore-Mãe.
A criatura ergueu um braço.
Ikarus correu.
O golpe destruiu uma fileira inteira de árvores.
Ele saltou sobre os destroços, avançou e atacou o braço da criatura.
Sua espada cortou a madeira.
Mas não houve sangue.
Apenas seiva dourada.
A Árvore-Mãe recuou.
Ikarus percebeu imediatamente.
— Ela sente dor.
— É claro que sente.
— Você disse que a floresta era a Guardiã.
— E é.
Serenya avançou.
Sua espada dourada encontrou a de Ikarus.
O choque produziu uma explosão de luz.
Ikarus foi empurrado para trás.
Serenya avançou novamente.
Golpe.
Bloqueio.
Golpe.
Desvio.
Golpe.
Ikarus tentou atacar sua lateral.
Serenya girou e atingiu seu peito.
Ele foi lançado contra uma árvore.
O impacto fez seu corpo atravessar o tronco.
Ikarus caiu no chão.
Serenya caminhou até ele.
— Você está mais lento.
Ikarus levantou-se.
— Estou cansado.
— Não.
— Não?
— Você está carregando seis mortes.
Ikarus ficou imóvel.
Serenya abaixou a espada.
— E está começando a lutar contra elas.
Ikarus apertou o cabo da espada.
— Não sabe nada sobre mim.
— Sei mais do que imagina.
— Então diga.
Serenya olhou para a floresta.
— A floresta vê tudo.
— Isso não é resposta.
— É a única que tenho.
Ikarus avançou.
Dessa vez, atacou com toda a força.
Serenya bloqueou.
O primeiro golpe.
O segundo.
O terceiro.
No quarto, Ikarus mudou o ângulo.
Serenya percebeu tarde demais.
A espada de Ikarus passou raspando por sua armadura e abriu um corte em seu braço.
Sangue caiu sobre a terra.
Serenya olhou para o ferimento.
Sorriu.
— Ainda consegue.
Ikarus respirou pesadamente.
— Eu não vim aqui para conversar.
— Eu sei.
Serenya avançou.
A batalha tornou-se brutal.
As duas espadas douradas cortavam o ar entre as árvores.
A cada golpe, folhas caíam.
A cada bloqueio, faíscas iluminavam a clareira.
A Árvore-Mãe começou a se mover ao redor deles.
Ikarus percebeu que ela não estava tentando atacar Serenya.
Estava protegendo-a.
Cada vez que Ikarus conseguia aproximar-se demais, uma raiz surgia.
Ele precisou saltar.
Desviar.
Girar.
Bloquear.
Serenya atacou enquanto ele estava no ar.
Ikarus conseguiu colocar a espada entre os dois.
As lâminas se chocaram.
Os rostos ficaram próximos.
Serenya olhou diretamente nos olhos dele.
— Você sabe por que os Guardiões aceitam morrer?
Ikarus empurrou-a.
— Porque são obrigados?
— Não.
Ela atacou.
— Porque sabem o que acontece se recusarem.
Ikarus bloqueou.
— O quê?
Serenya recuou.
— O fragmento escolhe outro.
Ikarus parou.
— O quê?
Serenya respirou fundo.
— Antes de você, existiram outros portadores.
Ikarus ficou imóvel.
— Quantos?
— Não sei.
— Então eu não sou o primeiro.
— Não.
Ikarus sentiu os seis fragmentos pulsarem.
— Quantos chegaram até aqui?
Serenya olhou para ele.
— Nenhum.
Ikarus estreitou os olhos.
— Nenhum?
— Nenhum chegou ao sétimo.
O silêncio caiu sobre a clareira.
Ikarus olhou para os símbolos brilhando em seu peito.
— Então todos morreram.
— Sim.
— Por quê?
Serenya respondeu:
— Porque os fragmentos não querem apenas um portador.
Ela ergueu a espada.
— Querem alguém capaz de chegar ao fim.
Ikarus apertou o maxilar.
— E o que existe no fim?
Serenya sorriu.
— Se eu soubesse, não estaria protegendo o sétimo.
A Árvore-Mãe rugiu.
Desta vez, o som foi acompanhado por uma onda de energia.
O chão explodiu.
Ikarus foi lançado para trás.
Serenya também.
Mas ela pousou de pé.
Ikarus caiu sobre uma raiz.
A criatura avançou.
Ikarus correu.
Uma raiz tentou esmagá-lo.
Ele saltou.
Outra veio pela esquerda.
Desviou.
Uma terceira surgiu abaixo.
Ikarus cravou a espada na madeira e usou a lâmina como apoio para impulsionar-se.
Chegou ao ombro da criatura.
A Árvore-Mãe tentou agarrá-lo.
Ikarus correu pelo braço.
Chegou ao pescoço.
Então viu.
Uma fissura negra.
No centro do corpo da criatura havia algo diferente.
Não era madeira.
Era uma espécie de cristal negro.
Ikarus atacou.
A espada atingiu o cristal.
A criatura gritou.
O som atravessou Khsandra inteira.
Serenya caiu de joelhos.
— NÃO!
Ikarus imediatamente percebeu que havia cometido um erro.
— O que é isso?
Serenya levantou-se.
— Não toque!
Tarde demais.
O cristal rachou.
Uma energia negra saiu de dentro dele.
A floresta inteira começou a morrer.
Folhas ficaram cinzentas.
Flores murcharam.
Animais fugiram.
Os elfos que observavam à distância começaram a gritar.
Ikarus saltou para o chão.
— O que eu fiz?
Serenya correu até a criatura.
Colocou as mãos sobre seu tronco.
— Você abriu a ferida.
— Que ferida?
— A que estamos tentando manter fechada.
Ikarus olhou para o cristal.
— É o mesmo poder da porta de Kallon.
Serenya olhou para ele.
— Então você já viu.
— Sim.
— E abriu?
— Não.
— Ótimo.
Ela olhou para a floresta.
— Então talvez ainda haja tempo.
A Árvore-Mãe começou a se contorcer.
As raízes negras começaram a espalhar-se pelo chão.
Ikarus segurou sua espada.
— Diga o que devo fazer.
Serenya o encarou.
— Matar você.
Ikarus ficou imóvel.
— O quê?
— Se você morrer, os fragmentos deixarão seu corpo.
— E isso fechará a ferida?
— Talvez.
— Você não tem certeza.
— Não.
Ikarus olhou para o cristal.
Depois para Serenya.
— Então você está disposta a matar o portador para salvar Khsandra.
— Sim.
— Mesmo que isso condene o resto dos reinos?
Serenya hesitou.
— Talvez.
Ikarus percebeu.
— Você não sabe o que acontecerá.
— Ninguém sabe.
Ela levantou a espada.
— Essa é a diferença entre nós.
— Qual?
— Você está disposto a arriscar o mundo para descobrir a verdade.
Ikarus respondeu:
— E você está disposta a manter o mundo ignorante para impedir uma possibilidade.
Serenya ficou em silêncio.
A Árvore-Mãe rugiu novamente.
As raízes negras começaram a avançar.
Ikarus olhou para elas.
— Acho que já perdemos tempo demais.
Serenya atacou.
O golpe foi tão rápido que Ikarus quase não conseguiu bloquear.
Ele foi empurrado vários metros.
Serenya atacou novamente.
Ikarus desviou.
Ela girou.
Ele bloqueou.
A espada de Serenya acertou seu braço.
Sangue.
Ikarus recuou.
Ela avançou.
Ele bloqueou.
Outra vez.
Outra.
Outra.
Até que Ikarus percebeu algo.
Serenya estava chorando.
As lágrimas desciam pelo rosto enquanto lutava.
— Por que está chorando?
Ela não respondeu.
Ikarus desviou de outro golpe.
— Por quê?
— Porque eu conheço o resultado.
Ela atacou.
— Todos nós conhecemos.
Ikarus bloqueou.
— Então por que continuar?
Serenya respondeu:
— Porque alguém precisa.
Ikarus girou.
A espada dela passou por seu rosto.
Ele acertou o ombro dela.
A armadura rachou.
Serenya recuou.
— Muito bem.
Ikarus respirava com dificuldade.
— Você ainda pode parar.
Ela sorriu.
— Você já sabe que não.
Então Serenya fechou os olhos.
A floresta inteira respondeu.
Milhares de folhas começaram a brilhar.
As raízes da Árvore-Mãe envolveram o corpo de Serenya.
A armadura dourada começou a mudar.
Galhos cresceram sobre as placas.
Seu manto verde tornou-se gigantesco.
Seus olhos ficaram completamente dourados.
E quando ela abriu os olhos novamente, sua voz parecia vir de toda a floresta.
— EU SOU KHsANDRA.
Ikarus ficou imóvel.
A espada dela se transformou.
A lâmina agora parecia feita de madeira dourada.
Atrás de Serenya, a Árvore-Mãe levantou ambos os braços.
Ikarus olhou para cima.
— Então é assim.
Serenya respondeu:
— Sim.
A batalha final começou.
Ikarus correu.
Serenya também.
As duas lâminas colidiram.
A floresta explodiu em luz.
Ikarus foi lançado para trás.
Ele rolou pela terra.
Levantou-se.
Serenya veio novamente.
Ikarus bloqueou.
O impacto quebrou sua espada.
A lâmina de Ikarus caiu no chão.
Serenya parou.
— Acabou.
Ikarus olhou para a espada quebrada.
Depois para ela.
— Não.
Ele segurou apenas o cabo.
Serenya avançou.
Ikarus correu.
A lâmina dourada passou ao lado de sua cabeça.
Ele se abaixou.
Entrou na guarda de Serenya.
E acertou o cabo da espada contra seu peito.
A armadura rachou.
Serenya caiu de joelhos.
Ikarus pegou a espada quebrada do chão.
A lâmina tinha apenas metade do comprimento original.
Ele a segurou.
Serenya levantou os olhos.
— Faça.
Ikarus ficou imóvel.
— Você tem certeza?
— Tenho.
— A floresta morrerá?
— Não.
Ela sorriu.
— A floresta nunca dependeu de mim.
Ikarus percebeu.
— Então de quem?
Serenya olhou para a Árvore-Mãe.
— Dela.
A criatura abaixou-se.
Serenya tocou sua raiz.
— Eu fui apenas a pessoa escolhida para conversar com ela.
Ikarus segurou a espada.
— E quando você morrer?
— Ela escolherá outra.
— E o fragmento?
Serenya sorriu.
— É seu.
Ikarus fechou os olhos.
Então avançou.
A espada atravessou o peito da Guardiã.
Serenya arqueou o corpo.
Por um instante, pareceu não sentir dor.
Então respirou profundamente.
— Ikarus...
— Sim?
— Não deixe que a busca pelos fragmentos faça você esquecer por que começou.
A espada permaneceu cravada.
Serenya segurou o braço de Ikarus.
— Você disse que queria proteger seu mundo.
— Sim.
— Então não abra a porta apenas porque quer saber o que existe atrás dela.
Ikarus ficou em silêncio.
— Às vezes, conhecimento também pode ser uma forma de destruição.
Ele retirou a espada.
Serenya caiu sobre a terra.
A luz dourada surgiu sobre seu corpo.
O sétimo fragmento apareceu.
Mas, antes que entrasse no peito de Ikarus, algo aconteceu.
A floresta inteira começou a brilhar.
A Árvore-Mãe abriu os olhos.
E uma voz falou.
Não era a voz de Serenya.
Era muito mais antiga.
— PORTADOR.
Ikarus levantou o rosto.
— Quem é você?
— AQUILO QUE LEMBRA.
Os sete fragmentos começaram a flutuar ao redor dele.
— O que são eles?
Silêncio.
Então:
— MEMÓRIAS.
Ikarus franziu a testa.
— Memórias de quê?
A resposta veio:
— DAQUILO QUE EXISTIA ANTES DA DIVISÃO.
Ikarus sentiu o coração acelerar.
— Quem dividiu?
A árvore não respondeu.
— Quem criou os Guardiões?
Silêncio.
— O que está atrás da porta?
As folhas começaram a cair.
A voz finalmente respondeu:
— AQUILO QUE FOI SEPARADO.
Ikarus olhou para os fragmentos.
— Separado de quê?
A resposta veio quase como um sussurro:
— DE VOCÊ.
Ikarus congelou.
Os sete fragmentos explodiram em luz.
Uma imagem apareceu em sua mente.
Um homem.
Não conseguia ver o rosto.
Ele estava diante de uma multidão de figuras.
Doze.
Cada uma segurava um fragmento.
O homem levantou as mãos.
— Se permanecerem juntos, serão destruídos.
As doze figuras se separaram.
A imagem mudou.
Um mundo em guerra.
Depois outra.
Uma porta.
Depois outra.
Uma criatura.
Depois...
Um bebê.
Ikarus.
Ele abriu os olhos violentamente.
A visão desapareceu.
O sétimo fragmento entrou em seu peito.
Ikarus caiu de joelhos.
Sete símbolos agora brilhavam sobre sua pele.
Sete.
Ele respirava com dificuldade.
A Árvore-Mãe permaneceu diante dele.
Serenya estava morta.
A floresta começou lentamente a recuperar sua cor.
As manchas negras desapareceram das raízes.
Os elfos saíram de seus esconderijos.
Um deles aproximou-se.
— Ela morreu?
Ikarus assentiu.
O elfo olhou para o corpo.
— Então você a matou.
Ikarus respondeu:
— Sim.
O elfo baixou a cabeça.
— Ela sabia.
— Sabia.
— E aceitou?
Ikarus olhou para Serenya.
— Sim.
O elfo fechou os olhos.
— Então ela cumpriu o dever.
Ikarus ficou em silêncio.
Naquela noite, os elfos prepararam uma cerimônia.
Serenya foi colocada sob a Árvore-Mãe.
Não houve túmulo.
Não houve pedra.
Seu corpo foi enterrado entre as raízes.
A própria árvore abriu a terra.
Quando o corpo desapareceu, pequenas flores douradas nasceram sobre o local.
Ikarus observou tudo à distância.
Um dos elfos aproximou-se.
— Você vai partir amanhã?
— Sim.
— Para onde?
Ikarus olhou para o mapa.
Sete fragmentos.
Cinco reinos ainda pela frente.
Mas agora sabia que o caminho não era simplesmente uma sequência de batalhas.
Cada Guardião conhecia uma parte da verdade.
E cada morte aproximava Ikarus de algo que talvez nem ele estivesse preparado para encontrar.
— Para o próximo reino.
O elfo apontou para o mapa.
— Depois de Khsandra, há Arteph.
Ikarus ficou imóvel.
Arteph.
O reino morto.
O lugar que havia sido destruído muito antes da atual geração.
O reino cujo símbolo era o Cerberus.
O reino onde, segundo as antigas histórias, nenhuma vida permanecia.
Ikarus olhou para o norte.
— Então é para lá que vou.
O elfo ficou sério.
— Ninguém vai para Arteph.
Ikarus respondeu:
— Eu vou.
— Você não entende.
— O que não entendo?
O elfo olhou para a floresta.
— Arteph não é um reino.
Ikarus esperou.
— É um túmulo.
Naquela mesma noite, muito longe dali, Raella estava sentada junto à janela.
Lyra dormia em seu colo.
A pequena menina abriu os olhos.
Raella olhou para ela.
— Você não deveria estar acordada.
Lyra não respondeu.
Seus olhos permaneceram fixos em um ponto vazio do quarto.
Então a pequena marca dourada apareceu novamente em sua mão.
Dessa vez, porém, Raella viu.
Ela segurou a mão da filha.
— O que é isso?
A marca desapareceu.
Lyra começou a chorar.
Raella a apertou contra o peito.
— Calma.
Mas, pela primeira vez, Raella sentiu algo que não conseguia explicar.
Não era medo de Ikarus.
Não era medo dos mortos-vivos.
Era a sensação de que aquela criança havia nascido no momento errado.
Ou talvez...
No momento exato.
Enquanto isso, em algum lugar desconhecido, uma página do Livro da Vida virou sozinha.
O nome ELIAS ainda estava escrito.
Mas abaixo dele surgiu outro.
LYRA.
A tinta permaneceu fresca por alguns segundos.
Depois uma terceira linha apareceu.
IKARUS.
E, abaixo dos três nomes, uma pergunta:
“QUAL DELES DEVE VIVER?”
O livro fechou.
E, pela primeira vez desde que havia sido encontrado, alguém do outro lado da sala respondeu:
— Nenhum deles.
Uma mão colocou-se sobre a capa branca.
O Livro da Vida abriu os olhos.
Sim.
Olhos.
Dois pequenos pontos dourados apareceram na capa.
E uma voz respondeu:
— Então teremos que descobrir qual deles deve morrer.:::
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